O que é empatia no trabalho e quais são os 3 tipos
Empatia no trabalho é entender o que as pessoas com quem você trabalha pensam e sentem, e responder a isso no que você faz. São duas partes, e as duas contam. Entender sem responder vira observação; responder sem entender vira palpite.
A pesquisa separa essas operações com mais cuidado do que a conversa de corredor. Num artigo de 2014 na revista Current Biology, as pesquisadoras Tania Singer e Olga Klimecki definem os dois termos que costumam vir misturados: tomar a perspectiva do outro é inferir o que ele acredita, pretende e pensa; empatia, no sentido estrito, é compartilhar o que ele sente. Nas palavras delas, você sente com a pessoa, mas não se confunde com ela. Quando essa distinção entre você e o outro some, o nome muda para contágio emocional. É o que acontece quando o gestor chega ansioso na reunião e, meia hora depois, o time inteiro está ansioso sem saber por quê.
De onde vêm os 3 tipos
A divisão que aparece nos guias de RH (empatia cognitiva, afetiva e compassiva) nasceu de um questionário. O psicólogo Mark Davis criou em 1980 o Interpersonal Reactivity Index, que mede a empatia em quatro partes de sete itens cada. No artigo de validação, publicado em 1983, ele aplicou o questionário a 1.344 universitários da Universidade do Texas (677 homens e 667 mulheres) e mostrou que as quatro partes medem coisas diferentes. Dos 8 guias do topo da busca que lemos em 2 de novembro de 2026, os três tipos aparecem em 3, sempre sem dizer de onde vêm. As quatro partes são:
- Tomada de perspectiva: a tendência de adotar o ponto de vista do outro. É o que os guias chamam de empatia cognitiva.
- Preocupação empática: sentimentos de cuidado e preocupação com quem está em dificuldade. Corresponde ao que aparece como empatia compassiva.
- Angústia pessoal: sentir aflição diante da aflição do outro. É o extremo da empatia afetiva, quando o sentimento do outro vira um problema seu.
- Fantasia: o envolvimento com personagens de livros e filmes. É a única que não tem uso direto no trabalho.
Um detalhe da amostra de 1983 adianta o resto deste texto. Das quatro partes, a angústia pessoal foi a que mais andou junto com autoestima baixa e pior funcionamento nas relações; a tomada de perspectiva andou junto com melhor funcionamento social. É correlação, medida em estudantes, não em empresas. Mas já mostra que "ter mais empatia" não é uma coisa só: depende de qual parte cresce.
A empatia também é uma das cinco competências do quadro de Goleman. O modelo completo e um autoteste estão no guia de inteligência emocional no trabalho. Aqui o foco é entender o outro sem errar, e quanto isso custa.
| Tipo | O que é e como aparece no trabalho | Risco se exagerar | O que fazer |
|---|---|---|---|
| Cognitiva (tomada de perspectiva) | Entender o que o outro pensa e quer. Ex.: prever a objeção do cliente, explicar o ponto de quem discorda de você | Vira palpite com cara de certeza; sem cuidado, vira cálculo para manipular | Confirmar o palpite com uma pergunta antes de agir |
| Afetiva ou emocional | Sentir junto o que o outro sente; no extremo, a angústia pessoal. Ex.: ficar mal o dia todo com a notícia ruim do colega | Sofrimento empático: cansa e faz você evitar a pessoa | Notar o próprio estado e passar de sentir junto para cuidar |
| Compassiva (preocupação empática) | Preocupar-se com o outro e querer ajudar. Ex.: oferecer cobertura numa entrega, perguntar do que a pessoa precisa | Ajudar do seu jeito, não do dela; assumir carga demais | Oferecer em vez de impor e combinar o seu limite |
Organização do fotoslinkedin a partir de Davis (1983), Singer e Klimecki (2014), Klimecki e colegas (2014) e Santos e colegas (2026). A 4ª parte de Davis, fantasia, mede envolvimento com ficção.
"Coloque-se no lugar do outro" funciona? O que a pesquisa mediu
Dos 8 guias do topo da busca que lemos, 7 dão o mesmo conselho central: coloque-se no lugar do outro. É intuitivo, e três psicólogos resolveram testar.
Tal Eyal, Mary Steffel e Nicholas Epley publicaram em 2018, no Journal of Personality and Social Psychology, 25 experimentos sobre essa pergunta. As tarefas pediam para ler a emoção num rosto ou numa postura, distinguir sorriso falso de verdadeiro, perceber se alguém mentia e prever as preferências e opiniões do próprio cônjuge. Num pré-teste, a maioria das pessoas apostou que imaginar o ponto de vista do outro ajudaria a acertar.
Não ajudou. Os autores não encontraram evidência consistente de que tomar a perspectiva aumentasse o acerto. Se houve algum efeito, foi o contrário: o acerto caiu um pouco no geral e, às vezes, só a confiança subiu. Imaginar o lugar do outro reduziu o egocentrismo (as pessoas pararam de projetar as próprias opiniões), mas o que entrou no lugar não era mais preciso.
O que funcionou apareceu no experimento final: quem conversou com a outra pessoa e ouviu a resposta acertou mais. O título do artigo resume a tese, entender a mente do outro exige obter a perspectiva, não tomá-la. Em inglês, perspective-getting em vez de perspective-taking.
O teste com 104 casais
No livro Mindwise, de 2014, Epley descreve um experimento anterior que deixa o efeito palpável. Em 104 casais, a maioria casados, cada pessoa previu as respostas do parceiro a 20 perguntas de opinião, numa escala de 0 a 10. No grupo de controle, a correlação entre palpite e resposta real foi de 0,5, e o erro médio, de 1,5 ponto. No grupo instruído a se colocar no lugar do parceiro, a correlação caiu para 0,39 e o erro subiu para 1,7. Gente que divide a casa há anos errou um pouco mais quando se esforçou para imaginar. O dado dos casais é do livro; os 25 experimentos são do artigo de 2018.
No escritório, o mecanismo é o mesmo. Quando você imagina o que o colega está pensando, quem preenche as lacunas é você, com o que você sentiria e com a história que já contou para si sobre ele. "Ele está me cobrando porque não confia em mim" é tomada de perspectiva funcionando: uma conclusão completa, confiante e possivelmente errada.
Imaginar serve para lembrar que o outro vê diferente. Para saber o que ele vê, pergunte. O limite: são experimentos de laboratório com tarefas de adivinhação, não estudos dentro de empresas, e perguntar só funciona se a pessoa tiver segurança para responder com sinceridade.
O que dizer: perguntar em vez de presumir em 5 situações
Se perguntar acerta mais do que imaginar, o trabalho prático é transformar suposição em pergunta. A regra tem 3 passos:
- Diga o que você viu, sem interpretar. "Caíram três entregas novas na sua mesa", e não "você está exausto".
- Pergunte em vez de concluir. Uma pergunta só, aberta, sobre o que a pessoa precisa ou pensa.
- Ofereça uma coisa concreta que ela pode recusar. A oferta mostra que a pergunta não era retórica; poder recusar devolve o controle para ela.
As 5 situações abaixo são episódios comuns, com a frase que presume (a que sai no automático) e a que pergunta. Os detalhes são exemplos; troque pelos seus.
PERGUNTAR EM VEZ DE PRESUMIR: 5 SITUAÇÕES DE TRABALHO
Regra: diga o que viu, pergunte em vez de concluir, ofereça algo que a pessoa pode recusar.
1. COLEGA SOBRECARREGADO
Presume: "Você está exausto, deixa que eu faço o relatório."
Pergunta: "Vi que caíram três entregas novas na sua mesa esta semana.
Qual delas, se saísse da sua frente, mais aliviaria?
Posso pegar uma."
2. GESTOR QUE COBROU NO TOM ERRADO
Presume: (para você) "Ele está pegando no meu pé."
(para ele) "Você está estressado, né?"
Pergunta: "Senti urgência na sua mensagem sobre o relatório.
O que mudou: o prazo, o cliente ou outra coisa?
Assim eu priorizo o que importa para você."
3. COLEGA QUE VOLTOU DEPOIS DE UMA PERDA
Presume: "Sei exatamente como você se sente. Quando perdi meu avô..."
Pergunta: "Que bom te ver de volta. Você prefere falar do assunto
ou que a rotina siga normal? E tem alguma entrega desta
semana que eu possa segurar?"
4. PAR QUE DISCORDA DA SUA PROPOSTA
Presume: "Você é contra porque vai dar mais trabalho para o seu time."
Pergunta: "O que precisaria ser verdade para essa proposta funcionar
para o seu time?"
5. COLEGA REMOTO QUE SUMIU
Presume: "Ele anda desmotivado." / "Tá tudo bem? Você anda sumido."
Pergunta: "Faz uns dias que a gente só se fala por tarefa. Como está
o seu volume? Se tiver algo travando do meu lado, me diz."Por que a frase de cima falha
- Colega sobrecarregado. "Deixa que eu faço" decide pelo outro qual alívio ele quer. Às vezes o relatório era a única parte boa da semana. A pergunta deixa a escolha com ele, e a oferta continua de pé.
- Gestor que cobrou no tom errado. As duas frases presumem. A primeira transforma o tom em intenção; a segunda, em diagnóstico de humor, que ninguém gosta de ouvir de quem trabalha para ele. A pergunta vai para o que mudou no trabalho, onde a urgência costuma ter explicação.
- Colega que voltou depois de uma perda. "Sei exatamente como você se sente" troca a dor dele pela sua história. "Prefere falar ou que a rotina siga normal?" é a pergunta mais importante do kit, porque as duas respostas são aceitáveis e quem escolhe é ele. Evite "força" e conselhos sobre luto.
- Par que discorda. Atribuir motivo ("é contra porque vai dar trabalho") é o erro que Eyal e colegas mediram: um palpite confiante sobre a cabeça do outro. A pergunta transforma a objeção em condição, e condição dá para negociar. Se a discordância já virou conflito, os estilos de resposta estão no guia de gestão de conflitos no trabalho.
- Colega remoto que sumiu. "Desmotivado" é conclusão sem dado, e "você anda sumido" soa como cobrança. A pergunta parte de um fato que os dois enxergam e oferece ajuda sem exigir explicação.
As cinco perguntas só funcionam se você ouvir a resposta até o fim, sem já montar a solução. Ouvir tem técnica própria, explicada no guia de escuta ativa com roteiros para o trabalho. E se o problema não é um episódio, mas a relação inteira com alguém (gestor, par, liderado, cliente interno), o texto sobre relacionamento interpessoal no trabalho trata de cada uma.

Empatia tem custo: sofrimento empático e compaixão
Dos 8 guias do topo que lemos, nenhum trata a empatia como fonte de desgaste, e um deles afirma o contrário, que ela previne o esgotamento. A pesquisa separa duas respostas ao sofrimento do outro que parecem iguais por fora e cansam de jeitos diferentes.
A primeira é sentir junto: a dor do colega vira a sua. Quando passa do ponto, os pesquisadores chamam de sofrimento empático (empathic distress, em inglês). A segunda é a compaixão, definida no estudo abaixo como um sentimento de preocupação com o sofrimento do outro, associado à motivação de ajudar. Na primeira você sofre com a pessoa; na segunda, você cuida dela.
Em 2014, Olga Klimecki, Susanne Leiberg, Matthieu Ricard e Tania Singer publicaram na revista Social Cognitive and Affective Neuroscience um experimento que treinou as duas respostas em sequência. As participantes assistiam a vídeos curtos, de 10 a 18 segundos, de pessoas em sofrimento. Depois do treino de empatia (sentir junto), o afeto negativo diante dos vídeos aumentou. Depois do treino de compaixão, feito em seguida, esse aumento foi revertido e o afeto positivo subiu. As imagens do cérebro mostraram redes distintas para cada resposta, e os autores apresentam a compaixão como uma estratégia para lidar com o sofrimento empático.
Os limites pesam. A amostra era só de mulheres; 25 das 30 concluíram o treino de empatia, e 28 das 33, o treino de controle (de memória). Tudo aconteceu em laboratório, com vídeos, e não num escritório. Na introdução, os autores apontam o excesso de sentir junto como possível fonte de esgotamento, lembrando a alta frequência de burnout entre médicos, mas o experimento em si não mediu burnout.

O nome certo para a fadiga por compaixão
Fadiga por compaixão é o termo popular para o cansaço de quem lida com o sofrimento alheio todo dia. Num capítulo de 2011 do livro Pathological Altruism, Klimecki e Singer propõem trocar o nome por fadiga por sofrimento empático: o que desgasta seria sentir a dor junto, não cuidar. É proposta teórica, não medição, mas aponta a saída: não é cuidar menos, é parar de carregar a dor do outro como se fosse sua.
Uma fonte brasileira vai na mesma direção. Uma revisão sistemática publicada em agosto de 2026 na Revista Expectativa, da Unioeste, reuniu 19 estudos de gestão (2011 a 2024, Scopus e Web of Science) e descreve o que chama de "lado obscuro" da empatia. A afetiva, "quando excessiva, frequentemente resulta em sobrecarga emocional, fadiga e esgotamento". A cognitiva, sem equilíbrio, "pode levar a interações calculistas e manipuladoras". E alerta para a instrumentalização: cobrar empatia de quem atende sem dar suporte a essas pessoas.
Sinais de sofrimento empático e o que fazer
Nas últimas semanas, depois de conversas difíceis no trabalho, você:
- sai mais cansado do que a própria tarefa explicaria;
- continua pensando no problema do outro à noite ou no fim de semana;
- passou a evitar a pessoa ou o assunto;
- sente a aflição do outro como se fosse sua, a ponto de não conseguir ajudar;
- ajuda mais por culpa do que por escolha.
Os cinco itens são uma lista editorial, inspirada nas definições de angústia pessoal (Davis) e de sofrimento empático (Klimecki e Singer). Não são teste validado nem diagnóstico. Se dois ou três soam familiares, três ajustes ajudam:
- Passe de sentir junto para cuidar. Pergunte do que a pessoa precisa e faça uma coisa concreta, em vez de carregar a aflição dela.
- Diga o seu limite em voz alta. "Hoje consigo te ouvir por 20 minutos; amanhã a gente vê o resto."
- Divida o caso. Situação pesada e repetida, como um liderado em crise ou um colega em luto prolongado, é assunto para o gestor ou para o RH, não para você sozinho.
Sofrimento empático não é burnout: burnout é o esgotamento ligado ao trabalho como um todo; aqui o desgaste vem de uma resposta específica, sentir junto a dor dos outros. Os sinais de esgotamento estão na parte sobre burnout do guia de motivação no trabalho. E o guia de comunicação não violenta cita um estudo de campo em que o treino reduziu justamente o sofrimento empático.
Empatia ajuda no desempenho? O que 6.731 gestores mostram (e o que não mostram)
O dado sobre empatia e desempenho com o desenho mais claro que encontramos vem do Center for Creative Leadership (CCL), instituição americana de formação de líderes. No white paper Empathy in the Workplace, assinado por Gentry, Weber e Sadri, o CCL cruzou dados de 6.731 gestores de 38 países. O desenho é o que dá peso ao resultado: a empatia de cada gestor foi avaliada por pelo menos 3 liderados, em 4 itens com escala de 5 pontos, dentro de uma avaliação 360°; o desempenho foi avaliado pelo chefe do gestor, em 3 itens. Quem dá uma nota não é quem dá a outra.
O achado: empatia está positivamente relacionada ao desempenho. A relação foi mais forte nos países que o documento classifica como de alta distância de poder, onde a hierarquia pesa mais: China, Egito, Hong Kong, Malásia, Nova Zelândia, Polônia, Singapura e Taiwan. O Brasil entrou com 94 gestores e foi classificado como país de baixa distância de poder.
Agora, o que o documento não mostra. Primeiro, é um white paper baseado num pôster apresentado em abril de 2007 num congresso de psicologia organizacional (SIOP), em Nova York, e não um artigo revisado por pares. Segundo, ele não publica coeficiente nenhum: dá para dizer "relação positiva", não "forte" nem "X% a mais". Terceiro, é correlação, e o próprio texto diz que as razões da relação não foram avaliadas; nada ali mostra que treinar empatia aumenta desempenho. Quarto, 74% da amostra era de homens. Use o dado como sinal, não como prova.
Os percentuais grandes que circulam sobre o tema (de CEOs, de profissionais, de clientes) costumam vir de pesquisas de fornecedores sem método aberto; sem o relatório original, ficaram fora deste texto.
Empatia é, em parte, escolha
Se a empatia cansa e nem sempre acerta, faz sentido escolher onde gastá-la. O psicólogo Jamil Zaki defende, numa revisão de 2014 no Psychological Bulletin, que a empatia tem uma parte automática e outra motivada: as pessoas a evitam por três motivos (o sofrimento que ela traz, o custo de ajudar e a competição) e a buscam por outros três (afeto positivo, aproximação e vontade de ser bem visto).
Na prática, você não precisa sentir junto em toda conversa. Precisa escolher em quais vai entender a fundo e cuidar, sem que isso fique só com as pessoas mais próximas de você, que é o problema central de quem lidera.
Liderança empática em uma página
Para quem lidera, a parte útil do estudo do CCL não é o resultado, é a régua. Os 4 comportamentos que os liderados avaliaram para medir a empatia do gestor viram uma lista de verificação, aqui reescrita em forma de pergunta:
- Você percebe quando alguém do time está sobrecarregado antes de a pessoa reclamar?
- Sabe o que cada pessoa quer da carreira, e não só o que ela entrega?
- O time sabe que pode contar com você num problema pessoal que está afetando o trabalho?
- Quando alguém conta uma perda, você responde com cuidado antes de falar da agenda?
O risco de quem lidera com empatia é o que Paul Bloom descreve como holofote. Num ensaio de 2017 na Trends in Cognitive Sciences, o psicólogo argumenta que a empatia afetiva é estreita: ilumina uma pessoa e deixa as outras no escuro, lida mal com números, é sujeita a viés e pode levar ao esgotamento. Para ele, a compaixão orienta melhor a decisão. A tese é sobre a empatia afetiva como critério de decisão, não um argumento contra entender as pessoas, e Bloom escreve como crítico, não como consenso da área.
No time, o holofote tem cara conhecida: o liderado mais parecido com você, ou o que fala mais alto, recebe mais atenção e mais exceções. A regra prática é fazer a mesma pergunta para todos na mesma semana e anotar quando foi a última conversa individual com cada um. A revisão brasileira de 2026 lembra o outro lado: empatia cognitiva sem cuidado vira manipulação, e o time percebe quando o "como você está?" é só a preparação para a cobrança.
Os estilos de liderança e como provar que você lidera estão no guia de liderança, com os estilos e como mostrar cada um; aqui fica só o recorte da empatia.
Como mostrar empatia no Linkedin e na entrevista sem escrever "sou empático"
"Empático" é a palavra que não convence ninguém no perfil, porque qualquer pessoa escreve. A prova de empatia é a mesma do resto deste texto: o que você perguntou e o que mudou por causa da resposta. O bloco abaixo traz três linhas de experiência e um molde de resposta para entrevista.
LINHA DE EXPERIÊNCIA (troque pelos seus fatos e números)
Suporte: "Passei a ligar para o cliente antes de responder chamados
reabertos, para perguntar o que faltou; os reabertos caíram
de [X] para [Y] por mês."
Gestão: "Criei uma conversa mensal de 15 minutos sem pauta com cada
pessoa do time; duas mudanças de escala saíram dessas
conversas."
Projeto: "Antes de propor o novo fluxo, entrevistei as 4 áreas que
usariam o sistema; o desenho final incluiu 3 pedidos delas."
ENTREVISTA: "Conte de uma vez em que você ajudou alguém da equipe
num momento difícil" (cerca de 1 minuto, 3 partes)
1. O QUE EU PRESUMI (1 frase): a conclusão que você tirou sozinho.
2. O QUE EU PERGUNTEI (1 a 2 frases): a pergunta e o que a pessoa
respondeu de diferente do que você esperava.
3. O QUE MUDOU (1 a 2 frases): o que você fez com a resposta e o
resultado concreto.Os números das linhas são exemplos de formato; use os seus, ou descreva a mudança sem número se não tiver medição. O molde de 3 partes da entrevista é nosso, montado a partir do achado de Eyal e colegas (o momento em que você trocou uma suposição por uma pergunta), e não foi validado com recrutadores. Se preferir o formato clássico de situação, tarefa, ação e resultado, o artigo sobre entrevista comportamental pelo método STAR mostra como montar.
Duas funções do Linkedin ajudam. Segundo a Central de Ajuda (consultada em 02/11/2026), dá para vincular uma competência a cada experiência do perfil; ligar "Empatia" à experiência em que a linha acima aconteceu dá contexto à palavra. E a recomendação só pode vir de uma conexão de 1º grau: a mais útil aqui é a de quem foi ajudado, contando o episódio com as palavras dele. Para escolher quais competências comportamentais destacar e como comprovar cada uma, veja o guia de soft skills.
No Linkedin, a foto costuma ser a primeira coisa que aparece de você, antes de qualquer conversa. Ela não prova empatia, mas atrapalha a leitura se estiver escura, cortada ou com cara de outra década. O que observar em cada detalhe está no guia completo da foto para Linkedin.
Perguntas frequentes
O que é empatia no trabalho?
Quais são os tipos de empatia?
Como desenvolver empatia no trabalho?
O que é fadiga por compaixão?
Líderes empáticos têm melhor desempenho?
A sua foto parece você? Pergunte a quem trabalha com você
Em /comecar, a câmera guia as selfies e a prévia da foto profissional sai com marca d'água, sem custo. Mostre a um colega antes de decidir; a versão limpa custa R$ 2,50 no Pix.
Resumo e próximos passos
- Empatia no trabalho é entender e responder. Os 3 tipos dos guias vêm de três das quatro partes do questionário de Davis (1983).
- Imaginar o lugar do outro não aumentou o acerto em 25 experimentos (Eyal, Steffel e Epley, 2018); perguntar e ouvir aumentou.
- Sentir junto cansa; cuidar cansou menos no laboratório. No experimento de 2014, o treino de compaixão desfez o mal-estar que o treino de empatia tinha criado.
- A relação entre empatia e desempenho aparece no levantamento do CCL com 6.731 gestores, mas é correlação.
- No perfil e na entrevista, mostre o que você perguntou e o que mudou, sem escrever a palavra.
Nesta semana, escolha uma das 5 situações e troque uma suposição por uma pergunta. Depois, reescreva uma linha de experiência no formato "perguntei, mudou". E, se o perfil vai ser lido por gente nova, confira a foto com o passo a passo da foto profissional para Linkedin.
Pedro Mota
Fundador, fotoslinkedin.com.br
Pedro Mota é fundador da fotoslinkedin.com.br, ferramenta de IA que transforma uma selfie em foto profissional pronta pro Linkedin em 60 segundos. Antes, atuou com design e produto digital. Hoje vê centenas de fotos por semana e escreve sobre o que funciona pra carreira no Brasil em 2026.



