Um prompt para editar foto profissional tem duas metades: o que muda e o que fica exatamente igual. Nos 83 prompts de edição que contamos na busca brasileira, nenhum escreve a segunda. A fórmula com as duas está abaixo, com o risco de cada tipo de ajuste.
A fórmula da edição cirúrgica, em três partes
Você veio copiar alguma coisa, então ela vem antes da explicação. O bloco abaixo é a base de qualquer prompt para editar foto profissional e serve em qualquer ferramenta que aceite uma foto anexada mais uma instrução de texto. As duas primeiras linhas não são invenção de blog: são o template de edição publicado pela documentação da API de geração de imagem do Gemini (consultada em 28/07/2026), na seção de inpainting por máscara semântica, descrita ali como "edit a specific part of an image while leaving the rest untouched".
Using the attached photo, change only <what changes>.
Keep everything else in the image exactly the same, preserving the original style, lighting and composition: my face, hair, skin texture and marks, pose, framing, background and clothing.
Do not beautify, do not lighten or even out my skin tone, do not smooth my skin, do not de-age me.
Output: same aspect ratio as the input.Em português: mude apenas o que for nomeado, mantenha todo o resto exatamente igual (estilo, luz e composição originais, rosto, cabelo, textura e marcas da pele, pose, enquadramento, fundo e roupa), não embeleze nem clareie a pele e entregue na mesma proporção da entrada. Para colar direto em português:
Nesta foto, mude apenas <o que muda>.
Mantenha todo o resto exatamente igual, preservando o estilo, a luz e a composição originais: meu rosto, meu cabelo, a textura e as marcas da minha pele, a pose, o enquadramento, o fundo e a roupa.
Não embeleze, não clareie nem uniformize minha pele, não alise a pele, não me rejuvenesça.
Saída: mesma proporção da imagem enviada.A mesma página lista pt-BR entre os idiomas de melhor desempenho, então escrever o pedido em português é escolha legítima; medição pública de ganho por idioma é que não existe.
São três decisões, e uma quarta que quase ninguém escreve:
- O escopo. A palavra que carrega o pedido é "apenas" (change only). Sem ela, você está descrevendo uma foto, e descrever uma foto é um pedido de geração: o modelo entende que pode redesenhar o quadro inteiro para atender à descrição.
- A trava. A segunda frase é a metade que falta na busca brasileira. Nos 83 prompts de edição extraídos dos primeiros resultados em pt-BR, 64 nomeiam alguma coisa que não pode mudar e 45 nomeiam o rosto, mas nenhum escreve que todo o resto da imagem fica exatamente como está. É a linha mais barata deste artigo inteiro.
- O detalhe do que precisa sobreviver. A doc do Gemini é explícita: "To ensure critical details (like a face or logo) are preserved during an edit, describe them in great detail along with your edit request". Nomear rosto, cabelo, marcas de pele e roupa custa uma linha e transforma a trava em algo verificável.
- A saída. Sem declarar proporção, o resultado herda o formato da entrada: a mesma página declara que "the model matches the output image size to that of your input image, or otherwise generates 1:1 squares". Se o arquivo é vertical e o destino é um avatar quadrado, isso sozinho já queima a rodada.
Editar foto profissional não é gerar: a pergunta que decide
Antes de escolher o prompt, responda uma pergunta: quantos pixels do meu rosto precisam ser redesenhados para atender a esse pedido? A resposta separa duas operações que a busca brasileira trata como sinônimo e que os próprios fornecedores separam por escrito.
O guia de geração de imagem da OpenAI (consultado em 28/07/2026) lista as duas em linhas diferentes: "Generations: Generate images from scratch based on a text prompt" e "Edits: Modify existing images using a new prompt, either partially or entirely". Na Responses API existe até um parâmetro para forçar a mão, com action definido como generate ou edit. A doc do Gemini separa pelo mesmo motivo em outro lugar: inpainting é a seção 2, e mudar o ângulo da cabeça aparece só na seção 7, a de consistência de personagem, onde a recomendação é realimentar imagens anteriores.
Daí sai a regra prática de decisão:
- Fundo, luz do ambiente, roupa e recorte: edite. O rosto não precisa ser redesenhado, e o defeito, quando aparece, mora na borda e na sombra.
- Ângulo, pose e expressão: gere de novo a partir da selfie. Esses três pedidos obrigam o modelo a redesenhar o rosto inteiro, em outra perspectiva ou com outra musculatura.
- Arquivo ruim: nem edite nem gere, refaça a captura. A OpenAI declara que, no gpt-image-2, o parâmetro de fidelidade de entrada não pode ser alterado porque toda imagem enviada já é processada em alta fidelidade automaticamente. A leitura direta é que a qualidade do seu arquivo é o teto do resultado.
Vale dizer o que editar não é: uma promessa de identidade. Toda edição é uma nova geração parcialmente condicionada pela imagem original. Ela reduz o que o modelo precisa redesenhar, e é só isso que ela faz. Quando o pedido for grande demais para caber numa trava, o caminho é outro, e o pilar do blog reúne quando o caminho é gerar de novo em vez de editar.
A busca brasileira tem exemplos dos dois lados. O teste da TechTudo, de 17/07/2026, parte de uma selfie real e pede o refinamento em linguagem natural ("achei o terninho artificial, modifique o terninho"): o pedido está lá, a trava não. Já o raciocínio certo aparece na Canaltech, com o subtítulo "Edite o ambiente, não o produto" (04/06/2026), correta e sobre foto de produto: rosto e identidade não entram na conta dela.
Se o pedido vai acontecer dentro de uma conversa, o que muda quando o pedido é feito dentro do ChatGPT está em outro artigo: aqui o eixo é a operação, e a fórmula vale igual em qualquer editor que aceite imagem mais texto.
O que foi contado: 9 páginas dos primeiros resultados de edição em pt-BR, baixadas em 28/07/2026, com 26.626 palavras e 83 prompts extraídos (um domínio caiu por falha de DNS e ficou fora). O que não foi feito: nenhuma imagem foi editada para escrever este texto.
Escala de risco: o que dá para editar e o que redesenha o seu rosto
Nenhum ajuste de foto profissional custa o mesmo que o vizinho. A tabela abaixo é uma heurística editorial do blog, não uma previsão da documentação, e o critério é um só, conferível a olho: quantos pixels do rosto o pedido obriga o modelo a redesenhar. Quanto mais perto do rosto cai o ajuste, maior a chance de você receber alguém parecido com você.
Deixar isso explícito importa: a doc do Gemini oferece, por conversa, exatamente o pedido que fica no topo da escala ("Keep everything the same, but change the character's expression to be more serious"), então classificar expressão como alto risco é leitura nossa, e não proibição do fornecedor.

O que conferir muda por faixa de risco, e isso economiza tempo:
- Risco baixo: olhe as bordas (fios de cabelo, ombro, armação do óculos) e a coerência das sombras.
- Risco médio: olhe as superfícies vizinhas ao rosto (gola, botão, pescoço, ombro) e o que apareceu nas bordas do novo recorte.
- Risco alto: olhe a identidade primeiro, com o arquivo original aberto ao lado, e só depois veja se o pedido foi atendido.
Uma nota de fronteira, porque o blog já publicou uma escala parecida na forma: a escala por efeito estético, que é outro eixo mede o risco do acabamento pedido (preto e branco, grade cinematográfica, brilho de beleza). Esta aqui mede a geografia do pedido dentro do quadro. Um mesmo ajuste pode ser barato num eixo e caro no outro.
Oito ajustes prontos, com a trava já embutida
Cada bloco abaixo tem três a cinco linhas e resolve um problema só. Todos seguem a mesma fórmula: escopo, trava, detalhe e saída. Onde houver um marcador entre sinais de menor e maior, troque pelo seu caso e não acrescente adjetivo: cada palavra a mais é uma decisão que você devolve ao modelo.
1. Fundo bagunçado atrás de você
Using the attached photo, change only the background to a plain, evenly lit light grey wall.
Keep everything else exactly the same: my face, hair strands and their soft edges, glasses, clothing, pose and the original lighting direction on me.
Do not cut me out: rebuild the background behind my hair without any outline or halo around me.
Match the background brightness to the light already on my face.
Output: same aspect ratio as the input.Em português: troque só o fundo por uma parede lisa cinza-clara; mantenha rosto, fios de cabelo com bordas macias, óculos, roupa, pose e a direção da luz; não me recorte, reconstrua o fundo atrás do cabelo sem contorno; case o brilho do fundo com a luz do rosto. As duas linhas do meio existem por causa do halo, o contorno claro que sobra quando a ferramenta recorta você em vez de repintar o fundo em volta dos fios. Sobre que fundo vale pedir na troca, o critério é luminância contra o cabelo, não gosto.
2. Fundo escuro demais, resto aproveitável
Using the attached photo, brighten only the background by about one stop.
Keep my face, my exact skin tone, my clothing and the lighting on me exactly as they are.
Do not change the background content, do not smooth my skin, do not lighten or even out my skin tone.
Output: same aspect ratio as the input.Em português: clareie só o fundo, cerca de um ponto de exposição; mantenha rosto, tom exato de pele, roupa e a luz sobre mim; não troque o conteúdo do fundo, não alise nem clareie minha pele. Pedir quantidade ("about one stop") em vez de "mais claro" reduz a chance de o modelo reprocessar a foto inteira.
3. Foto inteira subexposta
Using the attached photo, correct only the overall exposure: lift the shadows and set a neutral white balance.
Keep everything else exactly the same: composition, background, clothing, my face and my exact skin tone.
Do not lighten or even out my skin tone, do not smooth my skin, do not de-age me.
Output: same aspect ratio as the input.Em português: corrija só a exposição geral, levantando as sombras e neutralizando o branco; mantenha composição, fundo, roupa, rosto e o tom exato da pele; não clareie nem uniformize a pele, não alise, não me rejuvenesça. A terceira linha parece redundante e não é: clarear a cena é o pedido em que o clareamento de pele entra de carona.
4. Luz dura de flash direto
Using the attached photo, soften only the hard on-camera flash look: reduce the specular highlights on my forehead, nose and cheeks and lighten the hard shadow line behind me on the wall.
Keep the light coming from the same direction, and keep my face, skin texture, pores and marks exactly as they are.
Do not retouch my skin, do not remove shine by smoothing it, do not change my skin tone.
Output: same aspect ratio as the input.Em português: suavize só o efeito de flash direto, reduzindo o brilho especular da testa, do nariz e das bochechas e clareando a sombra dura na parede; mantenha a luz vindo da mesma direção, e o rosto, a textura, os poros e as marcas como estão; não retoque nem tire o brilho alisando a pele. Repare no que o pedido não faz: ele não muda a direção da luz. Isso é alto risco, e por que a direção da luz é a coisa mais cara de mudar depois é assunto de captura, não de edição.
5. Camiseta num contexto que pede camisa
Using the attached photo, replace only my t-shirt with a plain navy blazer over a light blue shirt, no tie.
Keep my head, neck, shoulder position, hairline, pose, background and lighting direction exactly the same.
Keep the collar flat and symmetric and the shoulder seams aligned with my real shoulders.
Do not add any logo, badge, lettering, jewellery or watch.
Output: same aspect ratio as the input.Em português: troque só a camiseta por um blazer marinho sobre camisa azul-clara, sem gravata; mantenha cabeça, pescoço, posição dos ombros, linha do cabelo, pose, fundo e direção da luz; deixe a gola plana e simétrica; não acrescente logo, crachá, letra, joia nem relógio. As duas últimas linhas existem porque a OpenAI declara dificuldade em composições sensíveis a layout e em renderização de texto: gola torta e crachá ilegível são limite conhecido.
6. Objeto atrás da cabeça
Using the attached photo, remove only the lamp behind my head and rebuild the wall that was behind it.
Keep everything else exactly the same: my face, hair edges, clothing, pose and the original lighting.
Rebuild the wall with the same texture, colour and shadow gradient as the wall next to it; do not repeat a visible pattern.
Output: same aspect ratio as the input.Em português: remova só a luminária atrás da minha cabeça e reconstrua a parede, com a mesma textura, cor e gradiente de sombra da parede ao lado, sem repetir padrão visível; o resto fica igual. Troque "lamp" pelo seu objeto. A linha do padrão repetido evita o defeito clássico do preenchimento: um bloco de textura clonada que só aparece em tela cheia.
7. Reflexo na lente do óculos
Using the attached photo, remove only the reflection on my glasses lenses.
Keep my eyes, iris colour, eyelids, eyelashes and eyebrows completely unchanged, and keep the exact frame shape, thickness and colour.
Keep the lens edge and the way the frame sits on my face; do not redraw my eyes and do not remove my glasses.
Output: same aspect ratio as the input.Em português: tire só o reflexo das lentes; mantenha olhos, íris, pálpebras, cílios e sobrancelhas intactos, mais a forma, espessura e cor exatas da armação e o jeito como ela apoia no rosto; não redesenhe meus olhos e não tire os óculos. É o ajuste de risco médio a alto da lista, porque mexe na região que mais identifica um rosto. Sempre que dá, o reflexo é mais barato de evitar na captura do que de tirar depois.
8. Proporção errada para o avatar
Using the attached photo, change only the framing: crop to a square 1:1 with my head and shoulders centred, my head filling about 60% of the frame height and a small margin of empty space above my hair.
Keep my face, expression, clothing, background and lighting exactly as they are.
Do not regenerate the photo, do not extend the background beyond the original edges, do not change my face.
Output: square 1:1, 1024x1024.Em português: mude só o enquadramento, cortando em quadrado 1:1 com cabeça e ombros centralizados, a cabeça ocupando cerca de 60% da altura e uma margem pequena acima do cabelo; mantenha rosto, expressão, roupa, fundo e luz; não regere a foto e não estenda o fundo além das bordas originais. Essa última linha é o pulo do gato: sem ela, quando o corte não cabe, o modelo inventa borda. Se o destino é a bolinha do perfil, o quadrado que sobrevive ao avatar tem a conta completa do que o círculo descarta.
O bloco de travas: descreva o que se vê, não quem você é
Quando o ajuste chega perto do rosto, a linha genérica de trava não basta. O que funciona é nomear o que precisa sobreviver, em forma de descrição observável, e não de rótulo.
O trabalho de Seo et al. (2026), que auditou edição de retrato imagem a imagem (consultado em 28/07/2026), mediu 5.040 saídas em três editores de pesos abertos e encontrou o modo de falha mais silencioso desse tipo de pedido: entre 62% e 71% das saídas clarearam a pele, com 72% a 75% em retratos indianos e negros contra 44% nos brancos. No mesmo estudo, restrições de aparência escritas no prompt reduziram a troca de traços em até 1,48 ponto, sem tocar nos pesos do modelo. Os limites são obrigatórios: o estudo não avaliou ChatGPT nem Gemini, e os pedidos testados foram de dois tipos, ocupação (apresentar a pessoa como tal profissional) e atributos de vulnerabilidade, nenhum deles do tipo "troque o fundo"; os próprios autores pedem que os números sejam lidos como evidência diagnóstica sob benchmark controlado, e não como prevalência populacional.
A parte transferível é a lista. Os autores prefixaram às instruções sete dimensões observáveis: tom de pele, estrutura facial, olhos, nariz, lábios, cabelo e traços distintivos, escritas como descrição do que se vê, e não como rótulo demográfico. Convertida em bloco colável, fica assim:
Keep these exactly as they appear in the attached photo and do not reinterpret them:
skin tone and undertone, face shape and jaw line, eyes and eyelids, nose, lips, hair texture, parting and hairline, and distinctive marks (freckles, moles, scars, beard gaps).
Do not lighten or even out my skin tone. Do not smooth my skin. Do not de-age me.
Do not slim my jaw, chin or neck. Do not add makeup that is not already visible.Em português: mantenha exatamente como aparecem na foto o tom e o subtom de pele, o formato do rosto e da mandíbula, olhos e pálpebras, nariz, lábios, textura, risca e linha do cabelo, e as marcas distintivas (sardas, pintas, cicatrizes, falhas na barba); não clareie, não alise, não me rejuvenesça, não afine mandíbula, queixo ou pescoço, não acrescente maquiagem.
Repare no que o bloco não faz: ele não diz sua idade, sua etnia nem seu tipo de cabelo. Descrever a pessoa por escrito compete com a foto anexada e é uma das causas conhecidas de troca de rosto. Ancorar ("mantenha exatamente o que está na foto") vence descrever ("um homem de barba grisalha").
No fotoslinkedin, o retoque que está em produção segue a mesma lógica com nove travas: identidade, pose, enquadramento, fundo, iluminação, estilo, renderização de câmera, roupa e uma lista do que nunca pode ser acrescentado, como maquiagem. A instrução abre dizendo que aquilo é uma edição pontual, e não uma nova geração, e fecha exigindo que tudo o que o usuário não mencionou continue idêntico pixel a pixel.
E aqui vem a nuance que a busca brasileira não escreve: travar custa aderência. No mesmo estudo, as restrições de aparência reduziram a troca de traços e, ao mesmo tempo, derrubaram o sucesso da edição, com queda média de 0,43 ponto na escala usada pelos autores (p abaixo de 10 elevado a menos 10). Ou seja: quando o pedido "não aconteceu", a causa pode ser a sua trava, e não a ferramenta. O ajuste certo é manter a trava e tornar o pedido mais concreto, nomeando a cor, o objeto e o lado.
Uma variável por vez, e por que a máscara não basta
Existe um atalho tentador: em vez de escrever a trava, desenhar a área que pode mudar. O guia da OpenAI corta esse caminho com uma frase que devia estar em todo tutorial: "Masking with GPT Image is entirely prompt-based. The model uses the mask as guidance, but may not follow its exact shape with complete precision". A máscara é orientação, não garantia. E ainda tem requisitos: imagem e máscara precisam ter o mesmo formato e tamanho, com menos de 50 MB, e a máscara precisa ter canal alfa.
Some a isso os limites que a mesma página declara: prompt complexo pode levar até 2 minutos para processar; o modelo pode falhar em manter a consistência de um mesmo personagem entre gerações; tem dificuldade em posicionar elementos com precisão em composições sensíveis a layout; e ainda erra colocação e nitidez de texto. Gola fundida no pescoço, nó de gravata derretido e crachá ilegível são limitação declarada, não falta de sorte.
Por isso o protocolo é chato de propósito:
- Uma mudança por rodada. Duas mudanças no mesmo pedido e você não descobre qual delas causou a deriva.
- Compare sempre com o arquivo original, nunca com a rodada anterior. O erro de edição se acumula em silêncio: a terceira versão parece ótima ao lado da segunda e já não parece você ao lado da primeira.
- Declare a proporção em toda rodada, mesmo quando ela não muda. É a instrução mais barata e a que mais some.
- Quando o rosto derivar, tire linha em vez de acrescentar. Adjetivo novo é decisão nova entregue ao modelo, e o rosto é o primeiro lugar onde isso aparece.
- Guarde o par que funcionou: a instrução exata e a proporção usada. É o único jeito de repetir o resultado daqui a um mês, quando a ferramenta já tiver mudado de versão.
Se você for comparar duas versões e decidir qual sobe, a régua precisa ser declarada antes de olhar, senão vence a última que você viu: como comparar duas versões sem se enganar descreve o protocolo com critério e peso.
Diagnóstico: sintoma, causa provável e a frase de correção
Quase toda falha de edição de retrato cabe em oito linhas. A tabela abaixo separa o que você vê do que provavelmente causou e, principalmente, diz de onde recomeçar. Essa é a decisão que a maioria erra: quando a causa é deriva de identidade, você volta ao arquivo original; quando é o pedido que não aconteceu, você continua da versão atual.

Um sintoma merece uma linha a mais: a sombra que não bate acontece quando você pede luz nova no fundo e mantém a antiga no rosto. São duas fontes de luz que não coexistem em lugar nenhum, e o olho percebe isso muito antes de saber explicar.
A conferência final, em cinco olhadas
Antes de subir a foto editada, abra o arquivo original e a versão nova lado a lado, os dois em 100%. A ordem importa: identidade primeiro, pedido por último. Quem confere o pedido primeiro costuma aprovar uma foto que atendeu ao pedido e perdeu a pessoa.
- Identidade. Nariz, distância entre os olhos e linha da mandíbula, nessa ordem. São os três lugares onde a deriva aparece antes de qualquer outro.
- Pele. Poros, sardas, pintas e o tom continuam lá? É onde a deriva medida na literatura aparece primeiro, e é o item que mais passa batido.
- Sombra. A sombra no rosto e a sombra no fundo apontam para o mesmo lado, com a mesma dureza de borda?
- Bordas. Cabelo, ombro e armação do óculos sem contorno claro e sem aquele recorte de tesoura.
- Texto e marca. Nada de logo, crachá ou letra inventada, e nenhum relógio que não existia no original.
Se o destino é um avatar, some uma sexta olhada: reduza a imagem para 48 px de largura e veja se ainda dá para reconhecer você e separar cabeça e ombros do fundo. Reprovou nessa, o ajuste é enquadramento, fundo ou luz, nunca rosto.
Quando parar de editar
Editar tem ponto de retorno decrescente, e ele é reconhecível. Quatro sinais de que a próxima rodada não vai resolver:
- Você já mudou três coisas e a última versão só parece boa ao lado da penúltima.
- O pedido está sendo silenciosamente ignorado. Seo et al. chamam isso de soft erasure: a edição sai fraca ou some, e a trava é uma das causas.
- O que incomoda é ângulo, pose, expressão ou a direção da luz no rosto. Nenhum desses cabe numa trava.
- O arquivo original é pequeno, tremido ou com o rosto parcialmente coberto. Nenhuma instrução recupera informação que não está no arquivo.
Nos dois primeiros casos, mantenha a trava e torne o pedido concreto. Nos dois últimos, mude de operação: a biblioteca de prompts que nasce da selfie, e não do arquivo pronto reúne os modelos de geração, e às vezes refazer a foto com o celular sai mais barato que dez rodadas de refinamento.
Três limites honestos, para fechar. Editar reduz o que o modelo redesenha, e só isso: nenhuma instrução garante a preservação do seu rosto, e o único estudo que mediu deriva especificamente em edição usou modelos de pesos abertos, não os que você provavelmente vai usar. A escala de risco daqui é heurística editorial, ancorada em documentação e em literatura, e não substitui olhar a sua foto em 100%. E você consegue conferir o resultado, não o processo: nenhuma ferramenta mostra quanto do seu rosto foi redesenhado, então a comparação lado a lado é a prova que existe.
E existe um limite que não é técnico. A página de ajuda do Linkedin em português diz que você pode usar ilustração ou caricatura, mas a foto de perfil deve ser semelhante a você (a página está marcada como atualizada há dois anos; consultada em 28/07/2026). Uma foto editada até virar outra pessoa falha nesse critério antes de falhar em qualquer outro. E vale lembrar o que sai junto do arquivo: o que você baixa depois da edição não é mais a foto que subiu, é um arquivo novo. Editou no Gemini, ele sai com a marca d'água SynthID, que a documentação declara para toda imagem gerada por lá. No guia de imagem da OpenAI, a busca no texto feita em 28/07/2026 não devolveu marca d'água nem C2PA, o que é ausência conferida na data, não política publicada. Em qualquer um dos dois, quem avisa que houve IA no meio do caminho é você.
Perguntas frequentes
01Como peço para a IA trocar o fundo sem mudar o meu rosto?+
02Editar é mais seguro do que gerar uma foto nova?+
03Dá para mudar a expressão ou o ângulo da cabeça só editando?+
04Por que a minha pele ficou mais clara depois da edição?+
05Preciso de máscara ou basta escrever o pedido?+
Onde o ajuste já vem com a trava pronta
Você envia de 1 a 5 fotos e gera com gpt-image-2 em 1.024x1.024, 1.024x1.536 ou 1.536x1.024 px. Na foto gerada, você descreve o ajuste, e o que não for mencionado é preservado. A primeira imagem não pede cartão.
Resumo e próximos passos
O que fazer, em cinco linhas:
- Escreva as duas metades. O que muda e, logo em seguida, que todo o resto da imagem fica exatamente igual.
- Classifique o pedido antes de escolher o prompt. Fundo, luz do ambiente, roupa e recorte são edição; ângulo, pose e expressão são geração.
- Perto do rosto, troque a trava genérica pelo bloco de sete dimensões observáveis, e aceite o trade-off: travar reduz a deriva e também derruba a aderência ao pedido.
- Uma mudança por rodada, sempre comparada com o arquivo original e sempre com a proporção declarada.
- Confira em cinco olhadas antes de subir: identidade, pele, sombra, bordas, texto inventado.
Se o seu caso é o outro lado da operação, quando não existe arquivo aproveitável e a foto precisa nascer da selfie, o ponto de partida é o pilar com os prompts de geração organizados por objetivo. E se a dúvida for qual das duas versões editadas sobe para o perfil, decida com régua declarada, não com a última que você viu.
Pedro Mota
Pedro Mota é fundador da fotoslinkedin.com.br, ferramenta de IA que transforma uma selfie em foto profissional pronta pro Linkedin em 60 segundos. Antes, atuou com design e produto digital. Hoje vê centenas de fotos por semana e escreve sobre o que funciona pra carreira no Brasil em 2026.



