10 situações de trabalho, três jeitos de errar e a frase assertiva
São 17h40 de sexta e chega no chat do time: "consegue me ajudar com uma coisinha até segunda?". A coisinha são quatro horas de trabalho, e a sua semana já está cheia. Você tem três respostas automáticas à mão: aceitar e atrasar o resto, responder com irritação ou dizer "claro" e deixar a tarefa parada. A quarta é a comunicação assertiva, a única que resolve o pedido sem criar outro problema.
Em 16 de outubro de 2026 lemos os seis primeiros resultados em português para "comunicação assertiva". Nenhum traz a mesma situação escrita nas quatro versões, o roteiro DESC, um estudo com nome ou um modelo para mensagem escrita.
Como usar a tabela: ache a sua situação, leia as duas versões que você deve evitar e copie a assertiva, trocando o que está entre colchetes pelo seu caso. A quarta forma de errar, a passivo-agressiva, ganhou tabela própria mais abaixo, porque é a mais difícil de perceber em si mesmo.
| Situação | Passivo | Agressivo | Assertivo (a frase pronta) |
|---|---|---|---|
| 1. Pedem uma tarefa extra numa semana cheia | "Tá, eu dou um jeito." (e o resto atrasa) | "De novo? Você acha que eu não tenho o que fazer?" | "Esta semana não consigo pegar isso sem atrasar [o relatório de sexta]. Consigo começar na segunda; se for antes, [o Rafael] está com a agenda mais livre." |
| 2. Você discorda da proposta na reunião | Fica quieto e comenta depois, no privado | "Isso não vai funcionar, já vi esse filme." | "Vejo um risco: [o fornecedor entrega em 30 dias e o lançamento é em 20]. Proponho [testar com um lote menor]. Alguém vê outro caminho?" |
| 3. O colega atrasou a parte dele | "Sem pressa, quando der você me manda." | "Atrasou de novo. Assim fica difícil." | "O [arquivo] ficou de chegar ontem, e eu dependo dele para fechar [o relatório] amanhã às 12h. Consegue me mandar até as 10h? Se travou em algo, me diz o que falta." |
| 4. Você precisa de ajuda ou de recurso | Não pede e vira a noite | "Ninguém ajuda ninguém neste time." | "Para entregar [a campanha] no dia 30, preciso de [mais 6 horas de design]. Você consegue liberar isso até quarta?" |
| 5. Você precisa delegar | "Se puder, quando tiver um tempinho, dá uma olhada nisso?" | "Faz isso aí e não erra desta vez." | "Quero que você assuma [o fechamento do mês]: o resultado é [a planilha conciliada] até [o dia 5]. O jeito de fazer é seu; me chama se travar em [acesso ao sistema]." |
| 6. Chega convite de reunião sem pauta | Aceita todas e trabalha à noite | "Mais uma reunião inútil?" | "Pode me mandar a pauta e o que você precisa de mim? Se for só [o status do projeto], te respondo por escrito hoje e liberamos a hora." |
| 7. Mensagem de trabalho fora do horário | Responde às 23h e fica com raiva | "Isso são horas de mandar mensagem?" | Combinado prévio: "Para nada cair: depois das [19h] eu só atendo ligação. O que puder esperar, respondo a partir das [8h]." |
| 8. O trabalho de alguém voltou com erro | Corrige sozinho e não fala nada | "Está tudo errado. Refaz." | "Nas linhas [12 a 30], o frete foi somado duas vezes e o total ficou [R$ 4 mil] acima. Consegue corrigir até amanhã às 14h? Te mostro onde a fórmula repete." |
| 9. Você quer feedback antes da avaliação | Espera a conversa anual | "Se tem algo errado comigo, fala logo." | "Na apresentação de ontem, o que eu deveria repetir e o que deveria mudar na próxima? Uma coisa de cada já me ajuda." |
| 10. Alguém prometeu prazo em seu nome | Cumpre o prazo que não aceitou | "Você não manda na minha agenda." | "Sobre a sexta que você passou ao cliente: com [as outras duas entregas], eu consigo na terça. Antes de fechar prazo meu, me pergunta? Hoje, você avisa o cliente ou eu aviso?" |
Frases ilustrativas escritas pelo fotoslinkedin para este artigo. Troque o que está entre colchetes pelo seu caso.
Repare no padrão das dez frases da direita: um fato que dá para conferir (o arquivo, a linha 12), o efeito no trabalho e um pedido que o outro consegue cumprir ou recusar. Nenhuma pede desculpa nem julga a pessoa. Esse padrão tem manual de 1976 e aparece duas seções abaixo.
O que é comunicação assertiva (e o que ela não é)
O dicionário da Associação Americana de Psicologia define assertividade como um estilo de comunicação em que a pessoa expressa sentimentos e necessidades de forma direta, mantendo o respeito pelos outros. As duas metades contam. Direto sem respeito é agressivo; respeito sem dizer o que precisa é passivo. O mesmo verbete lembra que formas mal-adaptadas de assertividade podem virar agressão, o que explica por que tanta gente confunde as duas.
Três confusões aparecem sempre. Assertividade não é ter razão. Você pode ser assertivo e estar errado, e a boa frase assertiva deixa espaço para o outro corrigir o fato. Não é ser grosso. A franqueza está no conteúdo (o que você precisa e até quando), não no volume nem no adjetivo. E não é sempre conseguir o que quer. A pesquisa mostra que até a resposta bem-feita tem custo, como a seção sobre limites detalha.
O treino de assertividade nasceu na terapia comportamental. Conditioned Reflex Therapy, de Andrew Salter, é de 1949, e a nota de Arnold Lazarus sobre comportamento assertivo saiu em 1973 na revista Behavior Therapy. Em 1976, Sharon e Gordon Bower publicaram Asserting Yourself, o livro que deu origem ao roteiro DESC.
Duas fronteiras. Se a dificuldade é a emoção que sobe antes de você abrir a boca, o passo anterior está em o que fazer com a emoção nos primeiros 90 segundos; aqui o tema é a forma da frase depois que você decidiu responder. E se o objetivo é mostrar a habilidade a quem contrata, leia como provar uma soft skill sem usar o adjetivo: escrever "comunicação assertiva" no perfil não demonstra nada, e uma mensagem bem escrita demonstra.
Os 4 estilos de comunicação na mesma frase
A situação 1 da tabela, a tarefa extra, nos quatro estilos:
- Passivo. "Tá, eu dou um jeito." Evita o atrito agora e paga depois: o relatório de sexta atrasa, e quem pediu nem sabe que houve uma troca.
- Agressivo. "De novo? Você acha que eu não tenho o que fazer?" Marca o limite, mas transforma o pedido numa acusação sobre a pessoa. A tarefa talvez saia da sua mesa; a relação piora.
- Passivo-agressivo. "Claro, sem problema nenhum." E a tarefa fica parada. O sim é falso, e o recado chega por omissão.
- Assertivo. "Esta semana não consigo pegar isso sem atrasar o relatório de sexta. Consigo começar na segunda; se for antes, o Rafael está com a agenda mais livre." Fato, efeito e alternativa com data.
O custo de cada estilo foi medido cedo. Num experimento de 1979 com situações encenadas de recusa e de pedido de mudança (Hull e Schroeder, Behavior Therapy), quem respondeu de forma não assertiva foi bem recebido, mas não conseguiu o que queria; a resposta agressiva conseguiu, com reação desagradável; a assertiva conseguiu e foi recebida, no geral, de forma agradável, embora com mais reação negativa do que os autores esperavam. É laboratório, mas resume a troca: o passivo compra simpatia com o próprio objetivo, e o agressivo compra o objetivo com a relação.
O passivo-agressivo é o mais difícil de pegar. O verbete do APA o descreve como um comportamento aparentemente inofensivo, acidental ou neutro que mostra, de forma indireta, um motivo agressivo. A forma parece educada e o recado é hostil. Ele prospera por escrito, onde um "só reforçando..." pode ser lido como lembrete gentil ou como cobrança irônica, e quem escreve raramente percebe qual das duas mandou. A tabela abaixo é o diagnóstico: a versão passivo-agressiva das mesmas 10 situações, o sinal que a denuncia e o conserto.
| Situação | A versão passivo-agressiva | O sinal que entrega | O conserto |
|---|---|---|---|
| 1. Tarefa extra | "Claro, sem problema nenhum." (e a tarefa fica parada) | Sim sem prazo, seguido de silêncio | Diga o não com a alternativa e a data (linha 1) |
| 2. Discordar | "Ótima proposta. Vamos ver no que dá." | Elogio com profecia | Nomeie o risco na reunião, com o dado |
| 3. Atraso do colega | "Só reforçando, caso tenha passado batido..." | "Só reforçando" com reticências | Fato, dependência e novo horário |
| 4. Pedir ajuda | "Tudo bem, eu faço sozinho, como sempre." | "Como sempre" é queixa, não pedido | Pedido com número e prazo |
| 5. Delegar | "Vou passar para você, já que eu não tenho tempo para nada." | Delegar como desabafo | Resultado, prazo e autonomia |
| 6. Reunião sem pauta | Aceita, entra sem câmera e responde e-mail o tempo todo | Presença sem participação | Peça a pauta antes de aceitar |
| 7. Fora do horário | "Bom dia! Só vi agora, porque à noite eu durmo, né." | Ironia no "né" | Combine o horário antes do problema |
| 8. Trabalho com erro | "Interessante essa sua conta..." | Elogio irônico, sem apontar a linha | Aponte a linha e o efeito |
| 9. Feedback | "Imagino que, como sempre, estava tudo ótimo, né?" | Pergunta que já traz a resposta | Pergunte o que repetir e o que mudar |
| 10. Prazo em seu nome | "Que bom saber do meu prazo pelo cliente." | Recado público em vez de conversa | Fale com quem prometeu, a sós, com o prazo real |
Diagnóstico editorial do fotoslinkedin; definição de passivo-agressivo do APA Dictionary of Psychology.
O roteiro DESC: descrever, expressar, especificar, consequência
O DESC vem de Asserting Yourself, de Sharon e Gordon Bower; a página da editora fala em "the celebrated DESC scripts (describe, express, specify, consequences)", ou seja, os roteiros DESC de descrever, expressar, especificar e consequência. Serve para montar a frase difícil antes, em vez de improvisar na hora. Cada letra tem um erro típico:
- D, descrever. O fato, com data, número ou palavra exata. O erro é descrever com adjetivo: "você é desorganizado" é julgamento, e julgamento se discute; "nas últimas três semanas o relatório chegou depois das 15h" é fato.
- E, expressar. O efeito, em primeira pessoa. O erro é o "você" acusatório ("você sempre me atrasa"). No livro, o E é sobre o que você sente; no trabalho, adaptamos para o efeito no trabalho, que é mais fácil de dizer em voz alta e mais difícil de rebater.
- S, especificar. Um pedido concreto, possível e com prazo. O erro é o pedido vago ("precisa melhorar") ou impossível ("nunca mais atrase").
- C, consequência. O que melhora se o pedido der certo. O erro é usar o C como ameaça na primeira conversa ("senão eu levo ao gestor"), o que transforma pedido em ultimato.
O bloco abaixo tem o molde e dois exemplos preenchidos, um falado e um escrito. Copie, troque os colchetes e leia em voz alta antes de usar.
ROTEIRO DESC (troque os colchetes)
D Descrever: o fato, com data, número ou palavra exata. Sem adjetivo.
E Expressar: o efeito no seu trabalho (ou o que você sente), em primeira pessoa.
S Especificar: um pedido concreto, possível e com prazo.
C Consequência: o que melhora se o pedido der certo.
EXEMPLO FALADO (colega que atrasa a parte dele toda semana)
D "Nas últimas três semanas, o relatório chegou depois das 15h."
E "Eu fecho o consolidado às 16h e fico sem tempo de revisar."
S "A partir de segunda, consegue me mandar até as 12h?"
C "Assim o consolidado sai revisado e ninguém precisa refazer número."
EXEMPLO ESCRITO (e-mail para a área que mudou o escopo pelo chat)
Assunto: Escopo do [projeto]: preciso da confirmação até quinta
D "Ontem, no chat, entrou [o módulo de relatórios] no [projeto]."
E "Com ele, a entrega de [30/11] não fecha: são [40 horas] a mais."
S "Pode confirmar por aqui, até quinta, se o módulo entra agora
(e a data vai para [15/12]) ou fica para a segunda fase?"
C "Com isso fechado, eu atualizo o cronograma no mesmo dia."Quando o DESC é demais: pedido simples não precisa das quatro letras. "Consegue me mandar o arquivo até as 10h?" já é assertivo. O roteiro serve para a conversa que você vem adiando, para o pedido que se repete pela terceira vez e para a mensagem que vai ser lida por mais de uma pessoa. Recitado em toda conversa, soa decorado.
Assertivo por escrito: e-mail, WhatsApp, chat do time e Linkedin
Por escrito, a assertividade perde o tom de voz, e você não percebe que perdeu. Num experimento de 2005 da NYU e da Universidade de Chicago, frases sarcásticas ou sérias lidas em voz alta foram decodificadas em quase três quartos dos casos; por e-mail, o acerto ficou no nível do chute (50%), e quem leu estava tão confiante quanto quem ouviu (89% contra 91%). Em outro estudo do mesmo artigo, quem recebeu por e-mail achou que tinha entendido 89% dos tons e acertou 63%. E ser amigo de quem escreveu não mudou o resultado, o que vale para o grupo de WhatsApp do time tanto quanto para o e-mail do cliente.

Por isso a mensagem escrita precisa levar no texto o que a voz levaria. Cinco regras:
- O pedido vai no assunto ou na primeira linha. Quem lê no celular decide pela prévia.
- Prazo com dia, e hora quando importa. "Até quinta às 12h", nunca "assim que possível".
- Uma mensagem, um pedido. Com dois pedidos na mesma mensagem, o segundo some.
- Zero ironia e zero "conforme meu último e-mail". Por escrito o tom não chega; o que era leve vira recado, e quem leu nem desconfia que entendeu errado.
- Releia em voz neutra antes de enviar. Corte "desculpa incomodar", "só", "rapidinho" e "acho que" quando não forem verdade. Se a conversa passou de três idas e voltas, troque por uma ligação de 5 minutos e registre o combinado por escrito (regra prática nossa, não número de estudo).
3 mensagens de Linkedin que não são de networking
As mensagens para pedir conversa ou reabrir contato estão nas mensagens prontas de networking para cada etapa, e as de candidatura, nos modelos de mensagem para recrutador. As três abaixo são o outro lado: dizer não, corrigir e recusar sem queimar a relação.
1. DIZER NÃO A UM PEDIDO DE INDICAÇÃO QUE VOCÊ NÃO PODE DAR
"Oi, [nome], obrigado por lembrar de mim. Não vou conseguir te indicar
para a vaga de [cargo]: só indico quem vi trabalhar, e a gente ainda não
trabalhou junto. O que posso fazer é [te avisar se abrir outra vaga no
time / te dizer quem é o gestor da área]. Boa sorte no processo."
2. CORRIGIR, NUM COMENTÁRIO, UMA INFORMAÇÃO ERRADA SOBRE O SEU TRABALHO
"Obrigado pela menção, [nome]. Um ajuste: o [projeto] foi do time de
[área], e a minha parte foi [a análise de dados]. O valor certo é
[18%], e está [no relatório público de março]."
3. RECUSAR UMA REUNIÃO DE VENDA (INMAIL)
"Oi, [nome], obrigado pelo contato. Não temos interesse em [tipo de
ferramenta] agora: fechamos contrato até [2027]. Se isso mudar, eu te
procuro por aqui."Na primeira, o motivo é um critério seu, não um julgamento sobre a pessoa, e a alternativa é real. Na segunda vale a regra do comentário público: agradeça, corrija o fato com a fonte e não discuta a pessoa; se o erro for grave, mande mensagem privada antes. Na terceira, o não vem com motivo e prazo, o que poupa as duas partes de um follow-up.
O silêncio, que parece a saída educada, é a versão passiva do não. Pela Ajuda do Sales Navigator (consultada em 16/10/2026), responder "Não interessado" a um InMail conta como resposta, e, sem resposta, o destinatário recebe um lembrete automático três dias após o envio. O não claro encerra o assunto; o silêncio só o adia.
E há um detalhe que o e-mail não tem. No Linkedin, a mensagem chega com o seu nome, o seu título e a sua foto ao lado, e quem recebe vê a foto antes de ler a primeira linha. Um não bem escrito assinado por uma foto escura, cortada ou de dez anos atrás começa a conversa com ruído. Vale conferir o que a sua foto de perfil diz antes da primeira linha da mensagem.
Assertividade tem limite: o que a pesquisa diz sobre o excesso
Os seis resultados que lemos só tratam da falta. O excesso também custa. Em três estudos publicados em 2007 no Journal of Personality and Social Psychology, Daniel Ames e Francis Flynn acharam uma relação em U invertido: pessoas vistas como muito pouco ou como muito assertivas eram avaliadas como líderes menos eficazes. O excesso cobra nas relações; a falta, nas metas. É a diferença entre liderar e só mandar.
O problema é que a sua percepção não é boa régua. Em negociações estudadas por Ames e Wazlawek (2014), muita gente que o outro lado viu como assertiva na medida certa achou que tinha passado do ponto. Os autores chamaram isso de ilusão de ter cruzado a linha e acharam evidência de que o outro lado muitas vezes encena desconforto como tática, o que alimenta a ilusão. Levado para o trabalho, com a ressalva de que o estudo é de negociação: a sensação de "fui duro demais" logo depois de um não é comum e pode estar errada. Recuar por causa dela ("desculpa, esquece o que eu falei") desfaz uma frase que estava certa. O jeito de checar é perguntar, e o treino a seguir faz isso.
O roteiro também tem limite de uso. Assédio, ameaça e discriminação não se resolvem com DESC entre colegas: nesses casos o caminho é o canal formal da empresa (RH, ouvidoria, canal de denúncia), com registro por escrito. A frase assertiva serve para conflito de trabalho entre pessoas que podem negociar, não para situação de abuso.
Autoteste de 8 frases e um treino de 4 semanas
Marque cada frase com 0 (quase nunca), 1 (às vezes) ou 2 (quase sempre), pensando nas últimas quatro semanas de trabalho.
- Quando digo não, ofereço uma alternativa com data.
- Meus pedidos têm prazo com dia (e hora, quando importa).
- Discordo na reunião, e não só depois, no privado.
- Começo mensagem difícil pelo fato, não por um pedido de desculpa.
- Não uso ironia por escrito ("só reforçando...", "conforme meu último e-mail").
- Peço ajuda antes de o prazo estourar.
- Quando alguém erra no meu trabalho, falo com a pessoa antes de corrigir sozinho.
- Depois de uma conversa difícil, pergunto se pressionei de menos, na medida ou demais.
0 a 6: tendência passiva; comece pelas linhas 1, 4 e 6 da tabela. 7 a 11: assertivo em parte; treine os itens que deram 0. 12 a 16: assertivo na maior parte, e o risco passa a ser o excesso, por isso o item 8 é o que mais importa. As faixas são critério nosso. O autoteste é editorial, não escala validada; a mais conhecida da área, a escala de Spencer Rathus (1973), tem 30 itens e é usada em pesquisa.
O treino: ensaiar antes de usar
Assertividade se treina, e há base para isso. Uma revisão de 2018 chama o treino de assertividade de "tratamento baseado em evidência esquecido": a pesquisa é extensa, mas o tema saiu de moda na psicoterapia. O método central, segundo o verbete do APA sobre treino de assertividade, é o ensaio: role play ou ensaio de comportamento antes da situação real. A versão de trabalho, fora da clínica, cabe em quatro semanas:
- Semana 1, pedir. Linhas 4 ou 9 da tabela: pedir recurso ou pedir feedback.
- Semana 2, combinar limite. Linhas 6 ou 7: a reunião sem pauta ou a mensagem fora do horário. O contexto de quanto custa a reunião chamada sem convite ajuda a justificar o pedido de pauta.
- Semana 3, dizer não ou discordar. Linhas 1 ou 2.
- Semana 4, corrigir alguém. Linhas 8 ou 10.
Toda semana o ciclo é o mesmo: escolha uma linha, ensaie a frase em voz alta três vezes com os seus colchetes, use uma vez de verdade e, depois, pergunte a quem ouviu: "eu fui de menos, na medida ou demais?". A pergunta vem do desenho de Ames e Wazlawek e troca a sua sensação pela resposta de quem ouviu. A ordem das semanas é sugestão nossa, do que costuma custar menos ao que custa mais.
Sinal de progresso: na semana 5, refaça o autoteste e conte quantas mensagens de trabalho da última semana tinham pedido com prazo. A meta, também critério nosso, é que a maioria tenha.
Perguntas frequentes
O que é comunicação assertiva?
Quais são os 4 estilos de comunicação?
Qual a diferença entre comunicação assertiva e comunicação não violenta?
Como ter uma comunicação assertiva no trabalho?
Ser assertivo é ser direto demais ou grosso?
No Linkedin, a pessoa vê a sua foto antes de ler a sua resposta
A recusa ao InMail chega com a sua foto ao lado do nome. No /comecar, a câmera guia as selfies e a prévia da foto profissional sai sem custo, com marca d'água. Sem a marca, R$ 2,50 no Pix, ou planos desde R$ 7,90.
Resumo e próximos passos
- Comunicação assertiva: fato, efeito e pedido com prazo, sem se apagar nem atropelar o outro.
- Duas tabelas: a frase pronta para 10 situações e o passivo-agressivo escondido em cada uma.
- Para a conversa difícil, use o DESC: descrever, expressar, especificar, consequência.
- Por escrito o tom não chega (50% de acerto no experimento de 2005): pedido na primeira linha, sem ironia.
- O excesso também custa, e a sua sensação de ter passado do ponto costuma errar. Pergunte a quem ouviu.
Próximo passo: escolha hoje a linha da tabela que mais te custa e reescreva a próxima mensagem com ela. Se essa mensagem vai pelo Linkedin, confira também o retrato que chega junto, com o guia de foto para Linkedin que trata da imagem ao lado de cada mensagem.
Pedro Mota
Fundador, fotoslinkedin.com.br
Pedro Mota é fundador da fotoslinkedin.com.br, ferramenta de IA que transforma uma selfie em foto profissional pronta pro Linkedin em 60 segundos. Antes, atuou com design e produto digital. Hoje vê centenas de fotos por semana e escreve sobre o que funciona pra carreira no Brasil em 2026.



