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O prompt que a IA reescreve antes de gerar: o que entra na foto sem você pedir

Entre o seu texto e o modelo de imagem existe uma camada de reescrita documentada por dois fornecedores. Em 15 execuções medidas em 20/08/2026, um pedido de 4 palavras chegou ao gerador com 53, e as palavras que caíram foram justamente as da linha de identidade.

PM
Pedro Mota
Fundador, fotoslinkedin.com.br
Folha pequena com quatro rabiscos, sob o rótulo o que eu escrevi, deitada sobre uma página muito maior e densa, sob o rótulo o que foi enviado.
IAfotoslinkedin · 2026
Em uma frase

Em várias ferramentas o texto que você digita não é o texto que chega ao modelo de imagem: existe uma camada que reescreve o pedido antes de gerar. Em 15 execuções medidas aqui em 20/08/2026 ela quase nunca apagou o que eu escrevi, e sempre escreveu o que eu não escrevi.

Por que a IA não segue o meu prompt de foto: existe um segundo texto no meio do caminho

Você escreveu "sem sorriso" e voltou um sorriso. Não pediu escritório nenhum e apareceu uma parede de escritório atrás da sua cabeça. Rodou o mesmo texto duas vezes seguidas e vieram duas fotos que não parecem irmãs. A pergunta que sobra é por que a IA não segue o meu prompt de foto, e a resposta que circula em português é quase sempre a mesma: escreva um prompt melhor. Ela parte de uma suposição que não se sustenta em várias superfícies: a de que o texto que você digita é o texto que o modelo de imagem recebe.

Não é. Entre o campo onde você escreve e o modelo que desenha existe, em algumas ferramentas, uma etapa a mais: outro modelo lê o seu pedido, acrescenta detalhe e entrega uma versão expandida para a geração. O Google publica até o nome disso na documentação do Imagen na Vertex AI, o reescritor de comandos baseado em LLM, que existe, nas palavras da própria página, para "gerar imagens de saída de maior qualidade, adicionando mais detalhes ao comando", e o comando base é aprimorado antes de as imagens serem geradas.

Para ver o tamanho dessa camada, escrevi o pedido mais curto que consegui, "Foto profissional para currículo.", quatro palavras, e li o texto que chegou ao gerador: 52, 48 e 53 palavras em três execuções idênticas de 20/08/2026. Quase tudo ali era decisão de outra pessoa.

E aqui está o achado que muda o conselho. Nas 15 execuções que medi, a camada quase nunca apagou o que eu tinha escrito. "Sem sorriso" sobreviveu em 3 de 3, e o braço montado de propósito contra o padrão corporativo (camiseta preta, fundo preto, luz dura de um lado só) atravessou inteiro em 3 de 3, sem nenhuma reescrita trocar a camiseta por blazer nem clarear o fundo. A frase correta, então, não é "a IA ignora o que você escreveu", e sim esta: a IA mantém quase tudo que você escreveu e escreve, sozinha, tudo que você deixou em branco. Escrever é o que reduz a superfície de escrita alheia.

Isso também não é a mesma coisa que aquele prompt salvo em maio e que hoje devolve outra foto: quando a diferença é o tempo, e não a camada, o diagnóstico é outro. A causa deste artigo age na mesma sessão, no mesmo minuto e na mesma versão da ferramenta.

O que cada fornecedor declara, e com que data eu li

Reescrita automática não é comportamento universal nem folclore de fórum. São estados diferentes, superfície por superfície, e cada um tem uma frase publicada ou uma ausência que dá para medir. Fui às quatro páginas abaixo em 20/08/2026, li três (a quarta não abriu) e anotei também o que elas não dizem.

Na documentação de geração de imagem da OpenAI, a declaração é direta: ao usar a ferramenta de imagem na API de Respostas, o modelo principal revisa automaticamente o seu prompt para melhorar o resultado, e o texto revisado pode ser lido no campo revised_prompt da chamada. Esse literal já tinha aparecido neste blog uma única vez, de passagem, numa linha sobre o lado do rosto que talvez não tenha chegado ao gerador. Ele é o ponto de partida deste artigo, não o conteúdo dele.

A documentação do Imagen na Vertex AI é a mais detalhada das quatro, e é dela que sai quase todo número desta seção. O parâmetro é booleano, se chama enhancePrompt e o valor padrão é true. A página lista quatro versões de modelo em que o recurso vem ligado por padrão: imagen-3.0-generate-002, imagen-4.0-generate-001, imagen-4.0-fast-generate-001 e imagen-4.0-ultra-generate-001. Vale a etiqueta honesta: esses quatro identificadores aparecem, no aviso do topo da mesma página, na tabela de endpoints em migração, com recomendação de atualizar antes de 30 de junho de 2026 para gemini-2.5-flash-image. O que interessa aqui é o recurso e o que ele faz com o seu texto, não o identificador do modelo.

A página de geração de imagem da API Gemini é o silêncio medido: baixei as 14.805 palavras dela e procurei por reescrita, revisão e expansão do comando, com zero ocorrência em cada termo. O que ela recomenda hoje é ser hiperespecífico, porque quanto mais detalhe você dá, mais controle você tem. Isso é silêncio daquela página, não prova de que nada aconteça por baixo. E a página de ajuda ao consumidor, que seria a mais útil para quem digita num aplicativo em vez de numa API, não abriu: devolveu 403 ao leitor automatizado em 19 e de novo em 20/08/2026. Por isso este artigo não afirma nada sobre o comportamento do aplicativo.

Quatro estados diferentes da mesma camada
Superfície
O que a documentação declara
O texto reescrito volta?
Dá para desligar?
Ferramenta de imagem na API de Respostas da OpenAI
O modelo principal revisa automaticamente o seu prompt para melhorar o resultado
Sim, no campo revised_prompt da chamada
Nenhuma instrução publicada na página lida em 20/08/2026
Endpoint direto de geração de imagem da OpenAI
A página não descreve revisão nesse caminho
Não: na minha chamada de 20/08/2026 voltou só a imagem em base64
Não se aplica: não há campo nem chave documentada
Imagen na Vertex AI, no Google Cloud
Reescritor baseado em LLM que acrescenta detalhe ao comando antes de gerar
Sim, se o comando original tiver menos de 30 palavras
Sim, com enhancePrompt igual a false, e o fornecedor avisa o custo disso
Página de geração de imagem da API Gemini
Silêncio: zero menção a reescrita em 14.805 palavras medidas
Não documentado nessa página
Não documentado nessa página
Aplicativo de consumidor
Não verificável: a página de ajuda devolveu 403 ao leitor automatizado
Não verificado
Não verificado
Leitura própria das páginas de OpenAI e Google Cloud em 20/08/2026, mais duas medições próprias do mesmo dia. Os quatro modelos do Imagen com reescritor padrão estão na tabela de endpoints em migração da própria página.

O que a reescrita fez com cinco pedidos meus, medido

Em 20/08/2026, entre 08h05 e 08h17 no fuso de Brasília, rodei 15 execuções na ferramenta de imagem da API de Respostas da OpenAI, com o modelo principal gpt-5.5 e qualidade baixa: cinco pedidos diferentes, três execuções idênticas de cada um, mesma conta e mesmo minuto por pedido. De cada resposta li o campo do prompt revisado. Não estou medindo a foto que saiu; estou medindo o texto que chegou ao gerador.

O primeiro resultado é uma escala de crescimento. O pedido de 4 palavras voltou com 52, 48 e 53 palavras, quase 13 vezes o tamanho original. Um pedido curto de 12 palavras (retrato, blazer marinho, fundo cinza liso, sem sorriso) voltou com 40, 40 e 39. O pedido de 19 palavras contra o padrão corporativo voltou com 50, 48 e 57. O pedido de 26 palavras com uma selfie anexada voltou com 67, 73 e 77. E o pedido de 93 palavras, com luz, fundo, negativas e uma linha de identidade, voltou com 104, 112 e 101: entre 9% e 20% a mais. A frase que sai daí é simples: quanto menos você escreve, mais outra pessoa escreve por você.

O segundo resultado responde ao sintoma mais comum. No pedido de quatro palavras, o que voltou nas três execuções foi uma cena inteira que eu nunca pedi: enquadramento (cabeça e ombros, ou busto), roupa (blazer escuro com camisa clara), postura, fundo cinza-claro liso, iluminação suave de estúdio, resolução e até duas negativas, "sem texto, sem logotipos". E, em 3 de 3, uma expressão: "sorriso leve" ou "leve sorriso". Em uma das três apareceu ainda uma proporção de 4:5 dentro de uma chamada que pedia 1.024 x 1.024 px, e em outra uma etiqueta de estilo de rede profissional e currículo. Se você já se perguntou de onde veio o sorriso que não pediu, ele estava escrito, só que não por você.

Repare também no vocabulário que ela devolve sozinha: "alta resolução", "alta definição", "foco nítido". São palavras de desejo, não de meio, e ocupam espaço no texto final sem controlar nada no quadro, o que explica por que "alta resolução" não é instrução.

O terceiro resultado explica um sintoma diferente: duas fotos muito diferentes a partir do mesmo texto, no mesmo minuto. Contando só os termos de conteúdo, as três reescritas de um mesmo pedido não são a mesma coisa entre si. No pedido de quatro palavras, 32 de 59 termos (54%) aparecem numa reescrita e faltam em outra. No pedido contra o padrão, 41 de 66 (62%). No de 93 palavras, a divergência cai para 44%. Duas gerações "do mesmo prompt" podem ter partido de dois textos diferentes, e essa é uma causa distinta do sorteio do próprio modelo de imagem.

Os limites, porque isso é medição e não lei da natureza: um fornecedor, um modelo principal, uma superfície, um dia, qualidade baixa e pedidos escritos em português. As imagens geradas no teste eram personas sintéticas e não foram publicadas.

A linha que mais se perde é a da identidade

Se a camada só preenchesse vaga vazia, o estrago seria pequeno e até útil. O problema aparece numa linha específica, a mais cara de um prompt de foto profissional: a que manda preservar o seu rosto.

No pedido de 93 palavras eu tinha escrito, em português: "Preserve exatamente os traços do rosto, sem rejuvenescer, sem alisar a pele e sem mudar o formato do nariz." Palavra por palavra, isto foi o que sobreviveu às três reescritas: "sem rejuvenescer" atravessou em 3 de 3; "sem alisar a pele", 3 de 3; "sem mudar o formato do nariz", 2 de 3. E as duas palavras que carregavam a força da instrução caíram: "Preserve" não voltou em nenhuma das três (virou "mantendo", "manter" e, numa delas, "preservada" aplicada à textura da pele, não aos traços), e "exatamente" sumiu nas três, sem substituto.

A execução que perdeu a terceira linha é a mais instrutiva. "Sem mudar o formato do nariz" voltou como "formato do nariz realista": a proibição de alterar virou adjetivo de aparência, que é outra instrução, com outro efeito. A saída óbvia seria proibir com verbo ("não alterar" no lugar de "sem mudar"), e antes de recomendar isso eu medi: repeti o mesmo pedido de 93 palavras trocando só a linha de identidade por "não alterar os traços do rosto, não rejuvenescer, não alisar a pele e não alterar o formato do nariz", em três execuções novas de 20/08/2026. O verbo não protegeu: numa das três o nariz voltou como "nariz com formato natural", de novo descrição de aparência no lugar de proibição, e em 3 de 3 a primeira linha reapareceu como "manter" ou "preservar traços faciais realistas", com um adjetivo que eu nunca escrevi colado no meu rosto. A camada troca a forma nos dois sentidos: escrevi "sem" e voltou "não alterar", escrevi "não alterar" e voltou "sem". Onde uma proibição cabe e com que força é assunto do artigo sobre onde a proibição vale mais que um adjetivo. O que estas seis execuções mostram é outra coisa: a forma que você escolher não chega inteira do outro lado.

Tira de papel atravessa por trás de uma cabeça-doodle: entra escrita sem mudar o nariz e sai do outro lado, torta, escrita nariz realista.

O contraste que vira recomendação está no quinto braço, o único com foto anexada. Ali "exatamente" sobreviveu em 3 de 3, em frases como "manter exatamente a identidade e os traços faciais da pessoa da foto de referência". Sem âncora, a exatidão evapora, porque um advérbio sozinho não aponta para nada; com um objeto no pedido, ela vira instrução operacional. É a mesma lógica do bloco que amarra a identidade ao arquivo anexado.

Há um segundo achado nesse braço. Em 3 de 3, a reescrita enumerou o rosto: formato do rosto, olhos, nariz, boca, barba, cabelo e óculos, mais as sobrancelhas em duas das três. Uma delas acrescentou "sem alterar idade, etnia ou características do rosto". Conferi a foto de referência que eu tinha anexado: ela tem óculos e tem barba. A camada leu o anexo e o transformou em palavras. Não medi se essa leitura acerta; medi que ela acontece e vira texto. E texto descrevendo a pessoa é exatamente o que compete com a foto anexada na hora de decidir quem aparece na imagem.

Sintoma, causa, o que conferir e o que mudar

Diagnóstico começa pelo que você viu na tela, não pelo mecanismo. A tabela abaixo entra pelo sintoma, atravessa a causa provável e termina na única parte do caminho que está nas suas mãos: o texto do pedido. Ela ordena a investigação, não decreta a causa do seu caso, e nenhuma linha promete foto certa: o que a correção faz é reduzir a superfície de decisão alheia.

Quando a correção diz "escreva a variável", é ocupar a vaga antes que a camada ocupe. As cinco que mais apareceram sozinhas nas reescritas do pedido mínimo (roupa, fundo, luz, enquadramento e expressão) são as mesmas que o guia que descreve cada componente antes de a camada preencher nomeia uma a uma, com exemplos de valor.

Diagnóstico: o que o sintoma diz sobre a camada de reescrita
Sintoma
Causa provável
O que conferir primeiro
O que mudar no pedido
Pedi uma coisa simples e voltou uma cena inteira montada
Pedido curto: o que você não escreveu foi escrito pela camada (4 palavras viraram até 53 em 3 de 3 execuções)
Se o seu texto nomeia roupa, fundo, luz, enquadramento e expressão
Escrever as cinco variáveis, mesmo que com valores óbvios
Apareceu um sorriso que eu não pedi
Expressão em branco: nas três reescritas do pedido mínimo entrou "sorriso leve"
Se existe uma linha de expressão no seu texto
Declarar a expressão pretendida, sem depender só de uma negativa solta
Apareceu fundo de estúdio, blazer ou proporção que eu não escolhi
A camada preenche cena e figurino com o padrão corporativo médio
Se fundo e roupa estão escritos com valor, e não com adjetivo
Trocar "fundo neutro" por um cinza descrito e nomear a peça de roupa
O mesmo texto deu duas fotos muito diferentes, no mesmo minuto
Duas reescritas diferentes do mesmo pedido: até 62% dos termos aparecem numa e não na outra
Se a superfície devolve o texto reescrito, e se ele mudou entre as rodadas
Aumentar o que está escrito: no pedido de 93 palavras a divergência cai para 44%
Pedi para preservar exatamente o meu rosto e o resultado suavizou tudo
"Preserve" e "exatamente" não sobreviveram a nenhuma das três reescritas sem foto anexada
Se existe uma foto anexada para a instrução se referir a algo concreto
Anexar a referência: com ela, "exatamente" sobreviveu em 3 de 3
Uma proibição minha virou elogio ("nariz realista")
Negativa reescrita como adjetivo de aparência
Se a imagem obedeceu: a forma da proibição mudou no caminho nas duas versões que testei
Trocar "sem mudar" por "não alterar" não resolveu. Julgar pela saída e ancorar a proibição na foto anexada
Tabela do fotoslinkedin: testes próprios de 20/08/2026 (15 execuções em cinco pedidos, mais 3 sobre a forma da proibição) e documentação de OpenAI e Google Cloud lida na mesma data. Recorte: um fornecedor, um modelo, qualidade baixa, pedidos em pt-BR.

Onde dá para ver o texto reescrito, e o que fazer quando não dá

Ler o prompt revisado muda a conversa de lugar: em vez de culpar o modelo por ter "inventado" um fundo de escritório, você lê a linha em que o fundo de escritório foi escrito. Essa leitura depende de onde você digita.

Na ferramenta de imagem da API de Respostas, o texto revisado volta num campo próprio da chamada, e é a primeira coisa que vale abrir. No endpoint direto de geração de imagem, não volta: medi uma chamada em 20/08/2026 com um pedido de 12 palavras e a resposta veio com status 200 e apenas a imagem codificada, sem campo nenhum de prompt revisado. O contraste mais informativo entre os dois caminhos é de tamanho: o mesmo texto de 12 palavras entrou como 27 tokens de texto no endpoint direto e como 1.685, 1.690 e 1.689 tokens de entrada nas três chamadas com a ferramenta na API de Respostas. Não medi o conteúdo dessa diferença; medi o tamanho dela. Parte da explicação está na própria documentação: as requisições da API de Respostas incluem o uso de tokens do modelo principal, além do custo da imagem.

O limiar das 30 palavras

Na Vertex AI, o comando reescrito só volta na resposta da API se o comando original tiver menos de 30 palavras. A consequência é desconfortável: quanto mais detalhado o seu pedido, menos você enxerga do que foi enviado. Regra desse fornecedor, lida em 20/08/2026.

Esse limiar é regra de um fornecedor e não vale como lei geral: no meu teste, um pedido de 93 palavras voltou com o texto revisado normalmente na API de Respostas da OpenAI. A mesma página da Vertex também cita uma opção de escrita assistida no console do Google Cloud, chamada "Me ajude a escrever", e recomenda evitá-la num caso específico, que aparece na próxima seção.

E quando não existe campo nenhum, que é a situação de quem usa um aplicativo comum? Aí sobra um protocolo de quatro minutos, que não abre a camada mas mostra o rastro dela. Rode o mesmo pedido curto três vezes seguidas, na mesma ferramenta, no mesmo minuto. Liste, para cada imagem, tudo que apareceu e não estava escrito por você: peça de roupa, cor de fundo, direção de luz, expressão, objeto no quadro. O que aparecer em 3 de 3 é padrão, não acaso; o que aparecer em 1 de 3 é sorteio. O que esse protocolo prova: que existem elementos regulares que ninguém pediu. O que ele não prova: qual etapa do caminho colocou cada um deles ali.

Dá para desligar a reescrita?

Num dos fornecedores, sim, e está publicado. No Imagen da Vertex AI o parâmetro enhancePrompt aceita false no corpo da requisição, e isso desliga o reescritor. Só que a própria documentação avisa o custo, e o aviso é contraintuitivo: se você desativar o reescritor de comandos, a qualidade das imagens e a semelhança da saída com o comando fornecido poderão ser afetadas. Ou seja, desligar a reescrita pode afastar o resultado do seu próprio texto, não aproximar.

A mesma página traz o único caso em que ela recomenda desligar, e ele é nominal: o modelo imagen-4.0-fast-generate-001 pode gerar resultados indesejáveis se o comando for complexo e você usar comandos aprimorados, e a correção sugerida é definir o parâmetro como falso. Um modelo nomeado, não a família inteira.

No outro fornecedor, a resposta honesta é que não achei instrução publicada. Procurei por "disable", "turn off", "opt out", "verbatim" e "unchanged" numa página que passa das 11 mil palavras: zero ocorrência em cada termo. Depois testei por outro caminho e mandei três sondas de API com nomes plausíveis de parâmetro, revise_prompt, enhance_prompt e prompt_revision. As três voltaram com erro 400 e a mensagem de parâmetro desconhecido, recusadas antes de gerar qualquer imagem. Isso prova que esses três nomes não existem, não que nenhuma chave exista.

Circula em fórum a receita de escrever "use este prompt literalmente, sem alterar" no começo do pedido. Não medi isso, então não publico como solução: seria trocar documentação por superstição. O que o teste sustenta é o assunto da próxima seção: o que você escreve sobrevive melhor do que o que você deixa em branco.

Cinco regras para escrever um prompt que sobrevive à reescrita

Nenhuma das cinco regras abaixo é preferência de estilo: cada uma sai de um número medido em 20/08/2026, com o recorte de teste já declarado. Elas valem para quem digita num aplicativo e para quem chama uma API, porque agem no único lugar que continua sendo seu: o texto.

  1. Escreva as cinco variáveis que a camada preenche sozinha: roupa, fundo, luz, enquadramento e expressão. Foram exatamente essas cinco que apareceram em 3 de 3 reescritas do pedido de quatro palavras.
  2. Ancore a identidade num objeto, não num advérbio: "preserve exatamente" sumiu em 3 de 3 sem foto anexada e sobreviveu em 3 de 3 com foto anexada.
  3. Não confie na forma da proibição: confira a saída: testei as duas formas na mesma linha do nariz, "sem mudar" e "não alterar", três execuções de cada. Em uma das três de cada braço a proibição voltou como descrição de aparência ("formato do nariz realista", "nariz com formato natural"). Escreva a proibição assim mesmo, porque "sem rejuvenescer" e "sem alisar a pele" atravessaram em 6 de 6, mas julgue pela imagem, não pelo texto.
  4. Escreva uma cláusula por elemento, em vez de deixar o elemento de fora: os dois pedidos de 93 palavras, escritos em cláusulas completas, foram os que menos cresceram (nunca mais de 21% a mais) e os que menos divergiram entre execuções (44% e 43%), contra 62% do pedido de 19 palavras. O que o teste isola é a quantidade escrita: não comparei prosa contra lista de palavras com o mesmo conteúdo.
  5. Leia o texto devolvido quando ele existir, e confira a saída quando não existir: onde há campo de prompt revisado, ele é a primeira coisa a abrir antes de culpar o modelo.

O bloco abaixo é o único prompt deste artigo, e não é uma biblioteca: é uma cena escrita por inteiro, de propósito, para deixar pouco espaço vazio. Está em inglês porque foi assim que testei a estrutura, mas a lógica funciona igual em português.

Reference: the attached photo is me. Keep my facial features unchanged: do not
reshape the nose, do not smooth the skin, do not change my age.
Scene: chest-up professional portrait, subject facing the camera.
Wardrobe: navy blazer over a plain white shirt, no tie.
Background: plain light grey studio wall, no furniture, no office, no window.
Light: soft key light from the left, soft shadow on the right side of the face,
no blown highlights on the forehead.
Framing: head and shoulders, small margin above the hair.
Expression: calm and closed mouth, no smile.
Do not add props, text, logos or accessories that are not described above.

Tradução em pt-BR: a foto anexada sou eu, e os traços do rosto não devem mudar (não remodelar o nariz, não alisar a pele, não alterar a idade). Retrato profissional do peito para cima, de frente para a câmera. Blazer azul-marinho sobre camisa branca lisa, sem gravata. Parede de estúdio cinza-clara lisa, sem móveis, escritório ou janela. Luz principal suave vindo da esquerda, sombra macia do lado direito do rosto, sem estouro na testa. Cabeça e ombros, com pequena margem acima do cabelo. Expressão calma, boca fechada, sem sorriso. E nada de adereços, texto, logotipos ou acessórios que não estejam descritos acima.

Por que cada linha existe: as primeiras ocupam, uma a uma, as vagas que a camada preencheu sozinha no meu teste (identidade, cena, roupa, fundo, luz, enquadramento e expressão), e cada uma traz um valor no lugar de um adjetivo. Essa parte não é achado deste artigo: o custo do adjetivo já tinha sido medido do lado do sorteio, onde a variável não escrita não é reescrita por ninguém, apenas sorteada. O bloco começa pelo anexo porque foi com a foto anexada que a instrução de identidade sobreviveu inteira. E a última linha é a única negativa genérica: ela existe porque, nas reescritas do pedido mínimo, a própria camada escreveu negativas parecidas por conta própria. Se essa vaga vai ser preenchida de qualquer jeito, melhor que seja por você.

O que a reescrita não explica

Camada de reescrita virou uma explicação boa demais, e é honesto delimitar onde ela não serve. Ela não explica recusa: quando o pedido volta com mensagem de política e nenhuma imagem, o que aconteceu foi um bloqueio, não uma edição do seu texto, e o conserto é de outra natureza. Quem chegou aqui com "violou as diretrizes" na tela deveria estar lendo quando o pedido para antes de virar imagem.

Ela também não explica a deriva de identidade que acontece dentro da geração, com o texto preservado: rosto parecido demais com uma média, pele alisada apesar da proibição, traços que fogem da selfie. Isso se resolve na forma do bloco de prompt e na qualidade da referência. E ela não explica o prompt que funcionava em maio e hoje devolve outra coisa: ali as variáveis mudam em escala de semanas, e misturar as duas causas leva a consertar o texto quando o problema estava no calendário.

Por fim, o limite do que eu medi, repetido de propósito: 18 execuções ao todo (cinco pedidos, mais a conferência da linha de identidade), um fornecedor, um modelo principal, uma superfície, um dia, qualidade baixa. É suficiente para mostrar que a camada existe, que ela cresce quando você escreve pouco e que ela mexe na sua linha de identidade. Não é suficiente para virar porcentagem sobre o mercado, nem para descrever o aplicativo que você tem no celular.

Perguntas frequentes

01A IA muda o meu prompt antes de gerar a imagem?+
Em algumas superfícies, sim, e está documentado. A OpenAI declara que o modelo principal revisa automaticamente o prompt na ferramenta de imagem da API de Respostas, e o Google documenta um reescritor de comandos ligado por padrão no Imagen da Vertex AI, que acrescenta detalhe ao comando antes de a imagem ser gerada. Nas duas, a alteração acontece antes de existir imagem. Já a página de geração de imagem da API Gemini não menciona nada disso, e a página de ajuda ao consumidor não abriu para leitura em 19 e 20/08/2026.
02Dá para ver o prompt que a IA realmente usou?+
Depende de onde você digita. Na ferramenta de imagem da API de Respostas o texto revisado volta num campo próprio da chamada. No endpoint direto de geração de imagem eu medi a resposta em 20/08/2026 e esse campo não existe: voltou só a imagem. Na Vertex AI, o comando reescrito é entregue pela resposta da API somente se o comando original tiver menos de 30 palavras. Num aplicativo comum, sem campo nenhum, o que resta é rodar o mesmo pedido três vezes e listar o que apareceu sem ter sido escrito.
03Dá para desligar essa reescrita?+
Na Vertex AI, sim: o parâmetro enhancePrompt aceita false, e o próprio fornecedor avisa que desligar pode afetar a qualidade das imagens e a semelhança da saída com o comando fornecido. Na documentação da OpenAI que li em 20/08/2026 não há instrução para desligar, e três nomes plausíveis de parâmetro que testei foram recusados pela API com erro de parâmetro desconhecido, antes de gerar qualquer imagem. Isso prova que esses três nomes não existem, não que nenhuma chave exista.
04Isso é a mesma coisa que a IA recusar gerar a minha foto?+
Não. Recusa é o pedido barrado antes de existir qualquer imagem, normalmente com uma mensagem sobre política de uso na tela, e o conserto passa por entender o que foi barrado. Reescrita é o oposto: a imagem sai, só que a partir de um texto que não é exatamente o seu. Se o que você viu foi uma mensagem de política, o diagnóstico certo está no artigo sobre recusa da ferramenta.
↘ Em vez de brigar com o texto do meio

Um fluxo em que as cinco variáveis já vêm escritas

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Resumo e próximos passos

Três frases para levar. Existe, em várias ferramentas, uma camada documentada que reescreve o seu pedido antes de gerar a imagem, e ela vem ligada por padrão onde o fornecedor publica o parâmetro. Ela raramente apaga o que você escreveu: escreve, no seu lugar, o que você deixou em branco, inclusive expressão, roupa e fundo. E mexe na linha mais cara do prompt, a da identidade, a menos que exista uma foto anexada para essa instrução se agarrar.

O próximo passo é curto: pegue o seu prompt salvo e marque quais das cinco variáveis (roupa, fundo, luz, enquadramento, expressão) não estão escritas com valor. Cada vaga em branco é uma decisão que outra pessoa vai tomar por você. Para preencher cada uma com repertório em vez de palpite, o pilar que dá valor de exemplo para cada uma dessas vagas abre componente por componente, com blocos prontos para adaptar.

PM
Autor · Fundador, fotoslinkedin.com.br

Pedro Mota

Pedro Mota é fundador da fotoslinkedin.com.br, ferramenta de IA que transforma uma selfie em foto profissional pronta pro Linkedin em 60 segundos. Antes, atuou com design e produto digital. Hoje vê centenas de fotos por semana e escreve sobre o que funciona pra carreira no Brasil em 2026.

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