Resolução de problemas aparece em quase toda descrição de vaga, em avaliação de desempenho e numa pergunta de entrevista que pouca gente gosta de ouvir: "conte um problema que você resolveu". Mesmo assim, as páginas que aparecem primeiro no Google falam com a empresa e com o RH (como montar um fluxo, qual o papel do gestor) e listam passos sem dizer de onde eles vêm. Em 05/11/2026 abrimos as cinco primeiras páginas de negócio que o Google mostra para "resolução de problemas": nenhuma cita um experimento, e nenhuma menciona a fixação funcional, descrita em laboratório desde os anos 1930.
Este texto é para quem resolve. Você sai com um molde para escrever o problema numa frase, um roteiro de 6 passos, as 3 armadilhas que a psicologia mediu (com o experimento por trás de cada uma), um jeito de contar isso na entrevista e um treino de 10 minutos para fazer sozinho. Uma nota de sentido: na escola, "resolução de problemas" também é um método de ensino de matemática; aqui o assunto é a competência de trabalho.
O que é resolução de problemas (e a diferença para decidir e para pensar criticamente)
Um problema é a distância entre como uma coisa está e como ela deveria estar, quando você não sabe o caminho entre as duas. Se o caminho é conhecido (refazer o cadastro, seguir o procedimento, mandar o boleto de novo), é tarefa, não problema. Resolução de problemas é o trabalho de achar esse caminho e percorrê-lo até a distância sumir.
Três competências costumam vir juntas na mesma frase de vaga, e vale separar. O pensamento crítico julga se uma afirmação se sustenta: o dado é confiável, a conclusão segue das premissas? Isso está detalhado no guia de pensamento crítico no trabalho. A tomada de decisão escolhe entre opções que já existem, e tem método próprio, descrito em como decidir melhor no trabalho. Resolver problemas vem antes das duas: é chegar às opções. Quem resolve define o que está errado, descobre por quê, inventa saídas e testa. Na prática você usa as três no mesmo dia, mas trava em lugares diferentes em cada uma.
As "etapas" que a escola ensina vêm de George Pólya, matemático que publicou How to Solve It em 1945 (no Brasil, A arte de resolver problemas). Segundo um artigo da Revista Cocar, da UEPA, sobre a heurística de Pólya, as quatro fases são compreensão do problema, elaboração de um plano, execução do plano e retrospecto. O roteiro deste artigo parte delas e acrescenta dois passos que a pesquisa posterior mostrou que fazem falta.
No Future of Jobs 2025, do Fórum Econômico Mundial, resolução de problemas nem é item da lista de competências: aparece seis vezes no texto, como aquilo que as competências da lista servem para fazer. O relatório também pediu ao GPT-4o que avaliasse a própria capacidade de substituir pessoas em mais de 2.800 competências, e resolução de problemas complexos ficou entre as de risco baixo. É a IA se avaliando: pista, não prova.
O molde: o problema em uma frase
Antes de qualquer método, escreva o problema. Boa parte das soluções erradas responde a um problema mal escrito. Copie o molde e preencha as seis linhas:
MOLDE: O PROBLEMA EM UMA FRASE
O que acontece: [fato observável, sem culpado e sem solução embutida]
Onde: [processo, sistema, cliente, etapa]
Desde quando: [data ou evento a partir do qual mudou]
Quanto custa: [tempo, dinheiro, retrabalho, cliente: um número]
O que NÃO é: [o que parece, mas você já conferiu que não é]
Onde NÃO acontece: [a exceção: lugar, turno, pessoa em que vai bem]
Teste: alguém que não estava lá lê a frase e diz o mesmo problema
com outras palavras? Se não, reescreva antes de propor qualquer coisa.Por que cada linha está ali:
- O que acontece. Fato observável. "O fechamento atrasa" é fato; "o fulano atrasa o fechamento" já traz um culpado, e "falta um sistema novo" já traz uma solução. Os dois encerram a investigação antes de ela começar.
- Onde e desde quando. Delimitam. Problema que começou numa data tem uma mudança por trás; procure o que mudou naquela data.
- Quanto custa. Um número (horas, reais, clientes, retrabalho). Sem ele você não sabe se o problema merece uma semana ou meia hora, nem consegue dizer depois se a solução funcionou.
- O que não é e onde não acontece. Vêm de duas práticas de reenquadramento descritas na Harvard Business Review: perguntar o que está faltando na descrição e analisar as exceções positivas. O lugar onde o problema não acontece costuma apontar a causa mais rápido que o lugar onde ele acontece.
- O teste final. Se outra pessoa lê a frase e descreve um problema diferente, vocês vão discutir soluções para dois problemas e nenhum dos dois vai sumir.
Roteiro de 6 passos para resolver um problema no trabalho (sem ser gestor)
O roteiro abaixo é editorial: parte das quatro fases de Pólya e acrescenta dois passos que vêm da pesquisa (dizer o tipo do problema e forçar uma saída fora do jeito de sempre). Cada passo termina numa pergunta de saída. Se a resposta for não, o passo ainda não acabou.
- Escreva o problema numa frase. Use o molde acima e mostre a frase a alguém que conhece o processo. Pergunta de saída: outra pessoa confirmou a frase com outras palavras?
- Diga que tipo de problema é. Problema de regra, de diagnóstico, de decisão e dilema pedem métodos diferentes (a tabela está na próxima seção). Pergunta de saída: sei qual método serve aqui?
- Ache a causa, ou confirme que não há uma única. Separe fato de hipótese e teste primeiro a causa mais barata de checar, não a que parece mais provável. Perguntar "por quê" em sequência ajuda, desde que cada resposta seja conferida num dado. Pergunta de saída: tenho um dado que confirma ou derruba a causa?
- Gere pelo menos 3 saídas antes de avaliar qualquer uma. Uma delas tem que ser "o que eu já tenho, usado de outro jeito"; outra, "quem já resolveu algo com a mesma forma em outra área". Escrever as ideias sozinho antes de discutir em grupo é a regra de um brainstorming que gera ideias de verdade. Pergunta de saída: tenho 3 saídas, e pelo menos uma não é a de sempre?
- Faça um teste pequeno, ou leve a quem decide. Quando a solução está no seu alcance, teste em escala pequena, com data e número de antes, como no ciclo PDCA com medição de antes e depois. Quando a decisão não é sua, pedir ajuda é passo do método, não fracasso. Pergunta de saída: o teste tem data e um número de antes?
- Feche contra a frase do passo 1 e guarde a estrutura. Volte ao "quanto custa": o número mudou? Depois anote a estrutura do problema em uma linha, sem o vocabulário da sua área ("recurso parado de um lado, demanda esperando do outro"). Essa nota é o que vai permitir reconhecer o mesmo problema daqui a um ano, com outra roupa. Pergunta de saída: o número mudou, e a estrutura está anotada?
No passo 5, quando a decisão é de outra pessoa, a mensagem que funciona tem três partes:
MENSAGEM PARA QUEM DECIDE (3 linhas)
1. O problema: [a frase do molde, com o número de "quanto custa"]
2. O que já fiz: [o que conferi, o que testei, o que descartei e por quê]
3. O pedido: [uma pergunta fechada: "posso testar X por 4 semanas?"
ou "quem decide sobre Y?"]A terceira linha é a que mais falta. "O que você acha?" devolve o problema inteiro para o gestor; uma pergunta fechada devolve só a decisão, que é a parte que é dele. Se o roteiro travar, a tabela abaixo ajuda a achar qual passo foi pulado.
| Sintoma | Passo que foi pulado | Por que acontece | Correção |
|---|---|---|---|
| A solução foi implantada e o problema voltou em um mês | 3 (causa) | Você atacou o sintoma; a causa continuou produzindo o problema | Volte ao passo 3 e procure o que mudou na data do "desde quando" |
| A reunião discute soluções que não conversam entre si | 1 (frase) | Cada pessoa tem um problema diferente na cabeça | Peça a frase por escrito a cada um antes de discutir |
| Todas as propostas são variações da mesma ideia | 4 (saídas) | Todo mundo usa os recursos só na função de sempre | Exija uma saída com recurso usado de outro jeito e uma vinda de outra área |
| O problema foi "resolvido" e o número não mexeu | 6 (fechamento) | Você resolveu um problema vizinho, mais fácil | Compare a solução com a frase do passo 1 |
| Você mudou três coisas e não sabe qual funcionou | 5 (teste) | Teste grande demais e sem número de antes | Mude uma coisa por vez, com data e medida |
| O gestor devolve com "e aí, o que você sugere?" | 5 (pedido) | A mensagem levou o problema, não um pedido | Termine com uma pergunta fechada |
| Método seguido à risca, resultado nenhum | 2 (tipo) | Método de um tipo de problema aplicado a outro | Reclassifique o problema na tabela de tipos |
Diagnóstico editorial do fotoslinkedin a partir do roteiro de 6 passos; não é medição.
Os 4 tipos de problema no trabalho, e por que o método muda
Seguir "7 passos" funciona para uns problemas e falha em outros, e há um motivo. David Jonassen, pesquisador de educação, catalogou em 2000 onze tipos de problema, do quebra-cabeça lógico ao dilema, numa escala que vai do bem estruturado ao mal estruturado. A lista, como resumida pela EduTech Wiki da Universidade de Genebra, vai de problemas lógicos, algorítmicos e de enunciado até diagnóstico de falha, análise de caso, projeto e dilema.
Num problema bem estruturado, o enunciado traz o que você precisa, existe resposta certa e um caminho preferido. No mal estruturado, as metas são vagas, há restrições que ninguém disse, várias soluções possíveis (ou nenhum consenso sobre qual é boa) e você precisa defender a escolha. A distinção está explicada no artigo de Strobel e Cardella apresentado na ASEE em 2008, que registra também um aviso do próprio Jonassen: os tipos são arquétipos que quase nunca aparecem puros. Problema de trabalho costuma misturar dois ou três.
A tabela abaixo é uma seleção e tradução nossa de 4 dos 11 tipos, os que mais aparecem para quem não é gestor.
| Tipo | Como reconhecer (e exemplo) | Método que serve | Erro comum |
|---|---|---|---|
| De regra (bem estruturado) | Existe resposta certa e alguém já sabe qual é. Ex.: a planilha de comissão não fecha com o relatório do sistema | Achar a regra que foi violada e conferir o cálculo passo a passo | Inventar solução criativa para algo que tem resposta certa |
| De diagnóstico de falha | Algo funcionava e parou, ou falha só em certas condições. Ex.: o sistema de agendamento cai às segundas de manhã | Isolar uma variável por vez e comparar com quando funciona | Trocar várias coisas ao mesmo tempo |
| De decisão | As opções já existem e é preciso escolher. Ex.: escolher entre dois fornecedores de entrega | Definir os critérios antes de olhar as opções | Procurar "a causa" de algo que é escolha |
| Dilema (mal estruturado) | Toda saída tem perda, e pessoas diferentes perdem coisas diferentes. Ex.: entregar no prazo com menos qualidade ou atrasar com o cliente esperando | Explicitar o que se perde em cada opção e quem tem autoridade para decidir | Procurar a solução que agrada a todos |
Seleção e tradução editorial de 4 dos 11 tipos de Jonassen (2000), a partir da EduTech Wiki (Univ. de Genebra) e de Strobel e Cardella (ASEE, 2008).
Classificar leva um minuto e evita o erro mais caro: gastar uma semana procurando a causa de um dilema, que não tem causa, ou abrir uma discussão criativa sobre uma planilha que tem resposta certa. Nos problemas de decisão, o método de critérios antes das opções está no guia de decisão linkado acima. E quando nem o problema está claro e é preciso ouvir quem sofre com ele antes de qualquer coisa, o caminho é outro: design thinking, com as etapas e o que a pesquisa mediu.
As 3 armadilhas que a psicologia mediu em laboratório
Os passos 1, 4 e 6 do roteiro não estão lá por estética. Cada um responde a uma armadilha observada em experimento, algumas há quase 100 anos.
1. Usar o que você tem só na função de sempre (fixação funcional)
Em 1931, Norman Maier pendurou duas cordas no teto de uma sala, longe o bastante para que, segurando uma, a pessoa não alcançasse a outra, e pediu que as amarrasse. Na sala havia objetos comuns, como varas, suportes, grampos, alicates e extensões. As soluções fáceis vinham logo; a cada uma, ele pedia outra. Uma delas quase ninguém achava sozinho: amarrar um peso numa das cordas e fazê-la balançar como pêndulo, para pegá-la na volta.
Quando a pessoa travava, Maier passava e, como quem não quer nada, punha uma das cordas para balançar. Em geral, em menos de 45 segundos ela amarrava um peso na corda e fazia um pêndulo. O detalhe mais curioso veio depois: pouco menos de um terço mencionou a dica, e só depois de muita pergunta. A maioria disse que a ideia "simplesmente veio". O experimento é descrito em detalhe por Nisbett e Wilson, na Psychological Review de 1977.

No experimento de Karl Duncker, publicado em inglês em 1945, a pessoa recebia velas, percevejos e caixinhas do tamanho de uma caixa de fósforos, misturados a outros objetos, e precisava fixar as velas numa porta, na altura dos olhos. A saída é prender a caixa na porta e usá-la de prateleira. Quem recebia as caixas cheias, servindo de recipiente, tinha mais dificuldade de enxergá-las como suporte. Duncker chamava a tarefa de "problema da caixa"; a montagem original está descrita no ensaio de Behrens sobre Duncker na revista Gestalt Theory.
A psicologia chama isso de fixação funcional: deixar de usar um objeto de outro jeito porque você já o vê na função de sempre. E ela não é de nascença. Um estudo de 2000 com crianças achou a fixação aos 6 e 7 anos e não aos 5: ela vem com a experiência. Quanto mais você conhece a ferramenta, mais preso fica ao uso dela.
No trabalho, a caixa cheia é a planilha que "só serve para o relatório do mês", o colega que é "o do financeiro", o grupo de WhatsApp que "só confirma consulta". A contramedida é mecânica: liste o que está na mesa (ferramentas, pessoas, dados, canais) e escreva, para cada item, uma função que ele não tem hoje. A maioria das linhas será inútil; basta uma.
2. Não usar a solução que você já conhece (falha de transferência)
Duncker também criou o problema da radiação: um paciente tem um tumor inoperável; um raio forte destrói o tumor, mas também o tecido sadio no caminho; um raio fraco não destrói nada. Como tratar? A solução é usar vários raios fracos vindos de direções diferentes, que só somam força no tumor.
Em 1980, Mary Gick e Keith Holyoak deram antes, para parte das pessoas, uma história com a mesma estrutura: um general precisa tomar uma fortaleza, as estradas estão minadas para explodir sob um exército grande, e ele divide as tropas em grupos pequenos que chegam ao mesmo tempo por várias estradas. Pelo resumo dos experimentos num livro-texto aberto de psicologia cognitiva, cerca de 1 em 10 resolve sozinho; ler antes a história do general leva a 2 ou 3 em 10; quando alguém diz "use a história", passa de 3 em 4. Os números variam de experimento para experimento, por isso a faixa.
Ou seja: a solução estava na cabeça da pessoa, lida minutos antes, e a maioria não a usou até alguém apontar a ligação. No estudo seguinte, de 1983, comparar duas histórias diferentes com a mesma estrutura subiu a transferência espontânea para cerca de metade (52%, segundo o resumo da professora Althea Bauernschmidt no The Learning Scientists).
Isso muda um conselho comum. Uma das páginas mais completas da busca manda "procurar problemas análogos em outros domínios", como se fosse algo que a gente faz naturalmente. O experimento mostra que quase ninguém faz isso sozinho. Por isso, no roteiro, a analogia é uma linha obrigatória do passo 4, não uma dica. A contramedida tem duas partes: descrever o problema sem o vocabulário da sua área ("um recurso forte que estraga o caminho até o alvo") e perguntar quem, em outro ramo, tem um problema com essa forma.
3. Resolver o problema errado
A terceira armadilha é a mais cara e a menos visível: resolver bem um problema que não era o problema. Numa pesquisa com 106 executivos de 91 empresas em 17 países, relatada por Thomas Wedell-Wedellsborg na Harvard Business Review em 2017, 85% concordaram que a própria empresa diagnostica mal os problemas, e 87% concordaram que isso tem custo significativo. É opinião de quem está no topo, não medição, mas aponta para o mesmo lugar dos experimentos: o tropeço costuma estar antes da solução.
Entre as práticas que o autor propõe, duas cabem em qualquer cargo: pegar a definição das pessoas por escrito (cada uma escreve a sua, e as diferenças aparecem na hora) e analisar as exceções positivas, os lugares onde o problema não acontece. As duas já estão no molde do começo deste artigo.
Checklist anti-armadilha: 6 perguntas antes de apresentar a solução
- Escrevi o problema numa frase que outra pessoa confirmou?
- Escrevi onde ele não acontece?
- Para cada coisa na mesa, pensei num uso que ela não tem hoje?
- Descrevi o problema sem os termos da minha área e procurei quem já resolveu algo com essa forma?
- Tenho pelo menos 3 saídas, e uma delas não é a de sempre?
- A solução escolhida responde à frase do passo 1, ou a um problema vizinho mais fácil?
As perguntas 1, 2 e 6 protegem contra o problema errado; a 3, contra a fixação funcional; a 4 e a 5, contra a falha de transferência. Se alguma resposta for não, volte ao passo correspondente do roteiro antes de levar a proposta adiante.
Exemplo completo: as faltas na agenda da clínica
Exemplo ilustrativo, com pessoa e números inventados para mostrar a conta. Carla é recepcionista de uma clínica de fisioterapia com quatro profissionais. Há alguns meses a agenda tem buracos, e a coordenação pediu que ela "melhore as confirmações". Ela passa pelos 6 passos:
- A frase. "Desde março, 1 em cada 5 sessões de segunda e terça fica vazia sem aviso; custo: cerca de 12 horas de fisioterapeuta paradas por semana. Não é falta de confirmação: todas são confirmadas por mensagem na véspera. Não acontece com quem agenda na mesma semana." A terceira frase já descarta a solução que a coordenação pediu.
- O tipo. Diagnóstico de falha: algo que funcionava piorou a partir de uma data. Então o método é isolar uma variável por vez e comparar com onde funciona.
- A causa. Carla filtra a agenda dos últimos dois meses e testa a hipótese mais barata de checar: as faltas se concentram nas sessões marcadas com mais de 3 semanas de antecedência. A data bate: em março a clínica lançou um pacote mensal, em que o paciente marca o mês inteiro de uma vez.
- Três saídas. A de sempre: mais um lembrete, duas horas antes. A do recurso usado de outro jeito: a lista de espera da clínica, que só servia de cadastro, vira lista de encaixe de última hora, avisada pelo mesmo WhatsApp que confirma consulta. A de outra área: restaurantes confirmam a reserva no dia e liberam a mesa se não há resposta; na clínica, sessão marcada há mais de 3 semanas pede resposta até as 18h da véspera, e sem resposta o horário vai para a lista de encaixe.
- Teste ou pedido. A terceira saída mexe na política da clínica, então não é decisão da Carla. Ela manda a mensagem de 3 linhas, com o problema, o que conferiu e o pedido fechado: "posso testar a resposta obrigatória e a lista de encaixe só às segundas, por 4 semanas?"
- Fechamento. Depois de 4 semanas, ela compara as horas paradas das segundas com as das terças, que ficaram como antes, e anota a estrutura: "compromisso marcado longe do dia, sem custo para desistir, vira vaga ociosa; resposta: confirmar perto do dia e ter fila para reaproveitar".
Repare no que mudou em relação ao pedido original. "Melhorar as confirmações" teria gerado mais mensagens para quem já confirmava, e o número não teria mexido; a diferença veio da linha "o que não é" no passo 1. O exemplo não tem resultado porque é inventado: o que importa é que, ao fim das 4 semanas, Carla terá um número para comparar, e não uma impressão.
Como mostrar resolução de problemas na entrevista e no Linkedin
Na entrevista, a pergunta costuma vir como "conte um problema difícil que você resolveu". A estrutura de situação, tarefa, ação e resultado já está explicada no guia da entrevista comportamental com o método STAR; aqui entra o que quase toda resposta deixa de fora: a armadilha que você evitou. "Resolvi o problema das faltas" diz pouco. "O pedido era melhorar a confirmação, mas as confirmações estavam em dia; o problema era outro" mostra como você pensa, que é o que a pergunta quer saber.
RESPOSTA EM 4 FRASES ("conte um problema que você resolveu")
1. O problema: "O problema era ___ (a frase do molde, com o número)."
2. A armadilha: "O jeito de sempre seria ___, e não resolveria porque ___."
3. A virada: "O que destravou foi ___ (um recurso usado de outro
jeito, ou uma solução trazida de outra área)."
4. O resultado: "O número foi de ___ para ___ em ___ semanas."
Sem número? Diga o que você mediu e o que ainda não sabe.A frase 2 é a que separa quem executou de quem resolveu. Se você não tem uma armadilha evitada para contar, escolha outro exemplo. Na frase 4, se o número não existe, não invente: dizer o que você mediu e o que ainda está em aberto é honesto e aguenta a pergunta seguinte, coisa que um percentual sem base não aguenta.
No Linkedin vale a mesma lógica. Escrever "resolução de problemas" na lista de competências não prova nada, porque quase todo mundo escreve. Uma linha numa experiência, com o problema e o número, prova mais: "Reorganizei a lista de encaixe da agenda e reduzi as horas paradas de X para Y por semana". Junto com isso, o perfil precisa estar completo para quem chega nele: título, seção Sobre e uma foto em que você é reconhecível. O guia completo de foto para Linkedin cobre o que a foto precisa ter e como ela conversa com o resto do perfil.
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Como treinar sozinho: o treino de 10 minutos da sexta-feira
Resolver problemas não melhora lendo sobre resolver problemas. O treino abaixo leva 10 minutos, uma vez por semana, no fim da sexta-feira, e cada bloco ataca uma das armadilhas.
TREINO DE 10 MINUTOS (sexta-feira, sozinho, papel)
Min 0-2 Um problema da semana, resolvido ou não, numa frase (molde).
Min 2-5 Liste 3 coisas que estavam na mesa (ferramenta, pessoa,
planilha, canal). Para cada uma, um uso que ela não teve.
Min 5-8 Reescreva o problema sem nenhuma palavra da sua área.
Quem, em outro ramo, tem um problema com essa forma?
Min 8-10 Guarde numa nota: a estrutura em uma linha + a solução.
Na próxima vez, leia a nota ANTES de começar (é a dica
que, no experimento, fazia a diferença).Por que cada bloco existe:
- Minutos 0 a 2, a frase. Treina o passo que mais se pula; com as semanas, a frase sai antes da reunião, não depois.
- Minutos 2 a 5, os usos que não tiveram. É o exercício direto contra a fixação funcional: a caixa de Duncker estava na mesa o tempo todo; faltava vê-la como outra coisa.
- Minutos 5 a 8, sem as palavras da área. Sem o vocabulário, sobra a estrutura, e é ela que liga o seu problema a outro de outro ramo.
- Minutos 8 a 10, a nota. No experimento de Gick e Holyoak, o que destravava era alguém dizer "use a história"; a nota relida antes do próximo problema faz esse papel. E, como duas histórias com a mesma estrutura ajudaram mais que uma, a coleção fica mais útil com o tempo.
Uma regra para o treino funcionar: use problemas reais e pequenos. Problema inventado não tem a caixa cheia na mesa; problema grande demais não cabe em 10 minutos e vira desabafo.
Perguntas frequentes
O que é resolução de problemas?
Quais são as etapas da resolução de problemas?
Qual a diferença entre resolução de problemas e tomada de decisão?
O que é fixação funcional?
Como responder "conte um problema que você resolveu" na entrevista?
Resumo e próximos passos
- Escreva o problema numa frase, com o que ele não é e onde não acontece, antes de propor qualquer coisa.
- Diga o tipo antes de escolher o método: regra, diagnóstico, decisão e dilema pedem caminhos diferentes.
- Gere pelo menos 3 saídas, uma com um recurso usado de outro jeito e uma trazida de outra área, porque sozinho quase ninguém faz isso.
- Feche contra a frase inicial e guarde a estrutura do problema numa nota.
- Na entrevista e no Linkedin, conte a armadilha que você evitou e o número de antes e depois.
Quando o problema volta sozinho, mesmo depois de resolvido, o mais provável é que não haja uma causa única, e sim uma estrutura que o produz de novo: aí o caminho é a visão sistêmica aplicada ao trabalho. E se o próximo passo é deixar o perfil pronto para quem vai ler a sua história, comece pelo guia de foto para Linkedin em 2026, que trata da foto e do restante do perfil.
Pedro Mota
Fundador, fotoslinkedin.com.br
Pedro Mota é fundador da fotoslinkedin.com.br, ferramenta de IA que transforma uma selfie em foto profissional pronta pro Linkedin em 60 segundos. Antes, atuou com design e produto digital. Hoje vê centenas de fotos por semana e escreve sobre o que funciona pra carreira no Brasil em 2026.



