Na entrevista, a pergunta costuma vir assim: "você conhece o ciclo PDCA?". Quase todo mundo recita as quatro letras; pouca gente conta um ciclo que rodou de verdade, com o número de antes, o que esperava e o número de depois. E quase tudo que se encontra sobre o tema ensina o método para a fábrica ou para o estoque, não para a rotina de quem trabalha.
Li em 31/10/2026 as sete páginas mais bem posicionadas no Google para "ciclo pdca o que é": nenhuma cita o livro em que o ciclo aparece pela primeira vez, quatro dão "anos 1920" como data de criação, nenhuma fala em escrever uma previsão antes de testar e todos os exemplos são de empresa. Este guia começa pelo que você vai usar (cada letra, um modelo de uma página e quatro exemplos de pessoa) e depois traz a história com fonte, a diferença para o PDSA e o que uma revisão sistemática achou sobre como o ciclo é aplicado.
O que é o ciclo PDCA e o que significa cada letra
O ciclo PDCA é um método para melhorar alguma coisa testando uma mudança de cada vez: você planeja a mudança, faz em pequena escala, confere o que aconteceu e decide se adota, ajusta ou abandona. Depois recomeça. O nome vem das iniciais em inglês de Plan, Do, Check e Act. O verbete de PDCA do Lean Enterprise Institute descreve o ciclo como um processo de melhoria "based on the scientific method" (baseado no método científico): uma hipótese, um experimento e um teste, repetidos.
Cada letra responde a uma pergunta:
- P de Plan (planejar). O que vou mudar e o que espero que aconteça? Você escolhe uma mudança só e escreve a previsão com número e prazo.
- D de Do (fazer). Fiz o que planejei, do tamanho que planejei? Você executa em pequena escala (um dia, uma tarefa, um cliente) e anota o que saiu diferente do plano.
- C de Check (verificar). O resultado bateu com a previsão, e por quê? É o passo que mais quebra, como você vai ver adiante.
- A de Act (agir). Adoto, ajusto ou abandono? O verbete do LEI resume o Act como "standardize and stabilize the change or begin the cycle again" (padronizar e estabilizar a mudança, ou começar o ciclo de novo).
Você vai encontrar o mesmo método com outros nomes: ciclo de Deming, roda de Deming, ciclo de Shewhart e PDSA. Os três primeiros são homenagens populares, explicadas na linha do tempo mais abaixo. O PDSA tem uma diferença real no terceiro passo e ganhou seção própria.
Modelo de PDCA para copiar (uma página)
O modelo abaixo junta três referências públicas: as três perguntas do Model for Improvement do Institute for Healthcare Improvement (IHI), os campos da planilha oficial de PDSA da AHRQ, agência do Departamento de Saúde dos EUA, e a exigência de previsão escrita no planejamento, que Moen, Nolan e Provost formalizaram em 1991. Copie para uma nota do celular, um documento ou uma planilha. Uma folha por ciclo:
CICLO Nº __ início: __/__ fim previsto: __/__
(curto: de 1 dia a 2 semanas)
ANTES DE COMEÇAR (as 3 perguntas)
O que eu quero alcançar? ______________________________
Como vou saber que a mudança foi uma melhoria? ________
Que mudança vou testar? _______________________________
PROBLEMA (1 frase, com o número de hoje)
ex.: "o relatório semanal sai na terça às 16h; o prazo é segunda às 18h"
PLAN (planejar)
O que vou mudar (UMA coisa só): _______________________
Previsão: "se eu ______, então ______ vai de __ para __ até __/__"
Por que acho isso (minha teoria, 1 linha): ____________
Como vou medir e quantas vezes: _______________________
Tamanho do teste (1 dia, 1 tarefa, 1 cliente): ________
DO (fazer)
O que fiz de fato (e o que saiu diferente do plano): __
Anotações durante o teste: ____________________________
STUDY / CHECK (estudar)
Previsão: ______
O que aconteceu: ______
A diferença e o que ela me ensina: ____________________
ACT (agir) [ ] adotar [ ] ajustar e rodar de novo [ ] abandonar
O que entra no próximo ciclo: _________________________
Se adotar, onde fica o novo padrão (checklist, modelo, agenda)? ____Por que cada linha está ali:
- "UMA coisa só". Se você muda três coisas e o resultado melhora, não sabe qual funcionou. É um dos erros que a revisão de Taylor e colegas, detalhada mais abaixo, mais encontrou.
- A previsão com número e prazo. É o que dá sentido ao terceiro passo; sem ela, verificar vira "achar que melhorou". É também a linha que quase ninguém preenche, como mostra a mesma revisão.
- "Por que acho isso". A teoria em uma linha é o que você corrige quando a previsão erra.
- "Quantas vezes". Medir uma vez, no fim, esconde o que aconteceu no meio.
- Tamanho do teste. O IHI descreve o PDSA como testar a mudança "on a small scale (e.g., one patient, one day)" (em pequena escala, por exemplo um paciente, um dia), no ambiente real. Na rotina de quem trabalha, isso é uma tarefa, um dia ou um cliente.
- Ciclo curto. A planilha da AHRQ pede ciclos "as brief as possible" (tão curtos quanto possível) e diz que alguns duram uma hora. E autoriza parar antes: se o limite era uma semana e em quatro horas ficou claro que não funciona, encerre ali.
- Três saídas no Act. É a formulação de Deming em 1993: adotar a mudança, abandoná-la ou rodar o ciclo de novo.
- Onde fica o novo padrão. É o "padronizar e estabilizar" do LEI: a mudança adotada fica escrita num checklist, modelo ou agenda, e o próximo ciclo parte dela.
Duas coisas o modelo não ensina, porque têm guia próprio no blog: o resultado que você quer alcançar pode ser escrito como uma meta SMART, com número e prazo, e o "como vou medir" pode ser um indicador de desempenho que você já acompanha.
4 exemplos de PDCA na rotina de quem trabalha
Os quatro exemplos abaixo são ilustrativos, escritos para este guia, com números de exemplo, não de casos reais. Em três deles a previsão erra no todo ou em parte, de propósito: é no erro que o terceiro passo mostra para que serve.
1. O relatório que atrasa toda semana (analista)
- Problema: o relatório semanal sai na terça às 16h; o prazo é segunda às 18h.
- Plan: "se eu puxar os dados na sexta à tarde, em vez de segunda de manhã, entrego até segunda às 18h nas próximas duas semanas". Teoria: o atraso vem de começar tarde.
- Do: duas semanas puxando os dados na sexta.
- Study: semana 1 entregue segunda às 17h; semana 2, terça às 11h. A previsão errou na segunda semana porque o dado de vendas de outra área só fecha na segunda às 10h. A teoria estava incompleta: parte do atraso não depende de você.
- Act: ajustar. Pedir à outra área um corte parcial na sexta e rodar o ciclo 2 com essa mudança.
Se o atraso fosse da agenda inteira, e não de um dado, o problema seria outro, e o guia de gestão do tempo no trabalho trata dele.
2. Retrabalho por CNPJ digitado errado (assistente financeiro)
- Problema: 6 notas fiscais devolvidas por mês por CNPJ digitado errado.
- Plan: "se eu colar o CNPJ direto do cadastro em vez de digitar, as devoluções caem para 2 ou menos em 4 semanas". Teoria: o erro é de digitação, não de cadastro.
- Do: 4 semanas copiando e colando, sem exceção, contando as devoluções toda sexta.
- Study: 1 devolução, e por outro motivo (endereço desatualizado no cadastro). A previsão acertou e a teoria se confirmou.
- Act: adotar. O passo "colar o CNPJ do cadastro" entra no checklist de emissão, que é onde o padrão fica. A devolução por endereço vira o problema do próximo ciclo.
3. A reunião que não termina (coordenador)
- Problema: a reunião semanal, marcada para 30 minutos, dura 55.
- Plan: "se eu mandar a pauta com três itens na véspera e encerrar no horário, a reunião cai para 35 minutos". Teoria: ela estoura porque ninguém sabe o que vai ser discutido.
- Do: duas reuniões.
- Study: 40 e 50 minutos. Nas duas, o tempo extra foi para um assunto que não estava na pauta. A pauta ajudou, mas a teoria não explicava tudo.
- Act: ajustar. Reservar os 5 minutos finais para assuntos fora da pauta e rodar mais duas reuniões.
4. A meta de estudo que não sai do papel (quem estuda para uma certificação)
- Problema: o plano é estudar uma hora por dia; foi cumprido em 2 de 7 dias.
- Plan: "se eu estudar 25 minutos logo depois do almoço, ainda no trabalho, cumpro 5 de 7 dias nas próximas duas semanas". Teoria: uma hora à noite é longa demais para o cansaço do fim do dia.
- Do: duas semanas.
- Study: 6 de 7 dias na primeira semana; 3 de 7 na segunda, que foi semana de fechamento do mês. A mudança funcionou em semana normal e quebrou em semana atípica.
- Act: ajustar. Manter o horário e prever um plano B só para as semanas de fechamento.
Esse ciclo curto é o teste que cabe dentro de um plano maior. Se a certificação faz parte de um plano de desenvolvimento individual (PDI), o PDCA é o jeito de descobrir, semana a semana, o que funciona nele.
De onde veio o PDCA: a linha do tempo com fonte
Se você pesquisar quem criou o PDCA, vai ler "anos 1920", "1930" e "Walter Shewhart", quase sempre sem a obra. A confusão tem uma explicação provável: o que é de 1924 é outra invenção de Shewhart, então engenheiro da Western Electric, o memorando de 16 de maio de 1924 em que propôs o gráfico de controle, registrado pela ASQ. Não encontramos o ciclo em texto de Shewhart anterior ao livro de 1939.
O livro é Statistical Method from the Viewpoint of Quality Control, publicado em 1939 pela Graduate School do Departamento de Agricultura dos EUA, "with the editorial assistance of W. Edwards Deming" (com a assistência editorial de Deming), e a edição original de 1939 está aberta no Internet Archive. Shewhart divide o controle de qualidade em três etapas (especificar, produzir e inspecionar), e na página 44 vem a frase que dá origem ao ciclo: "these three steps must go in a circle instead of in a straight line" (essas três etapas têm de andar em círculo, não em linha reta).
Na página 45, ele mesmo traduz o círculo para a linguagem da ciência: especificar, produzir e inspecionar correspondem a "making a hypothesis, carrying out an experiment, and testing the hypothesis" (formular uma hipótese, fazer um experimento e testar a hipótese). E logo depois sugere desenhar as etapas como "a sort of spiral gradually approaching a circular path" (uma espécie de espiral que se aproxima aos poucos de um círculo), a imagem mais fiel da melhoria contínua, que nenhuma das sete páginas lidas menciona.
O resto da genealogia foi reconstruído por Ronald Moen e Clifford Norman no artigo Circling Back, publicado na revista Quality Progress em novembro de 2010. Moen acompanhou Deming de 1982 a 1993 (auxiliou em 70 dos seus seminários), e o artigo reproduz cartas dele. Os marcos, resumidos na tabela logo abaixo:
- 1950: num seminário de oito dias da JUSE (União Japonesa de Cientistas e Engenheiros), Deming apresenta a "roda de Deming": projetar, produzir, vender e pesquisar.
- 1951: executivos japoneses reescrevem a roda como Plan, Do, Check, Act. A sigla nasce aí, sem autor: segundo Moen e Norman, Masaaki Imai, que registrou a mudança, não disse quais executivos a fizeram, e ninguém reivindicou a autoria. O verbete do LEI confirma o ano: "In 1951, the Japanese Union of Scientists and Engineers (JUSE) altered Deming's framework into the more recognizable PDCA cycle".
- 1959 e 1985: a versão que amplia o planejamento (metas e métodos) e põe educação e treinamento na execução "can be traced back to S. Mizuno of the Tokyo Institute of Technology" (remonta a S. Mizuno, do Instituto de Tecnologia de Tóquio, em 1959). Kaoru Ishikawa a publicou em 1985, em seis caixas, no livro What is Total Quality Control? The Japanese Way.
- 1986 e 1993: Deming volta à raiz de Shewhart e mexe no terceiro passo. Em Out of the Crisis (1986), o ciclo já pede "Study the results" (estude os resultados); em The New Economics (1993), seu último livro, vira PDSA, o "Shewhart Cycle for Learning and Improvement".
A resposta honesta para "quem criou o PDCA" é, portanto: ninguém sozinho. Shewhart desenhou o círculo de três etapas, Deming o levou ao Japão como uma roda de quatro, e a sigla PDCA foi escrita por executivos japoneses que nunca assinaram a mudança.
| Ano | Marco | Quem | Onde está registrado |
|---|---|---|---|
| 1939 | Três etapas (especificar, produzir, inspecionar) em círculo | Walter Shewhart, com edição de Deming | Livro de 1939, p. 44-45 |
| 1950 | Roda de quatro etapas: projetar, produzir, vender, pesquisar | W. Edwards Deming, seminário da JUSE | Moen e Norman (2010) |
| 1951 | A roda vira Plan, Do, Check, Act | Executivos japoneses, sem autoria reivindicada | Moen e Norman (2010); LEI |
| 1959 | Planejamento com metas e métodos; treinamento no Do | S. Mizuno, Instituto de Tecnologia de Tóquio | Moen e Norman (2010) |
| 1985 | Versão de seis caixas publicada em livro | Kaoru Ishikawa | Moen e Norman (2010) |
| 1993 | PDSA: o terceiro passo vira estudar | W. Edwards Deming, The New Economics | Moen e Norman (2010) |
Shewhart, Statistical Method from the Viewpoint of Quality Control (1939); Moen e Norman, Circling Back, Quality Progress (nov/2010); Lean Enterprise Institute.
PDCA ou PDSA: a diferença que muda o terceiro passo
Deming não gostava da sigla que o mundo adotou. Segundo Moen e Norman, ele avisava ao público dos seminários que a versão PDCA era "frequently inaccurate because the English word 'check' means 'to hold back'" (frequentemente imprecisa, porque em inglês "check" também quer dizer "conter"). Numa mesa-redonda do GAO, o órgão de auditoria do governo dos EUA, em 1980, comparando o ciclo dos círculos de controle de qualidade japoneses com o seu, disse que os dois "bear no relation to each other" (não têm relação um com o outro). E numa carta de 17 de novembro de 1990 a Ronald Moen, comentando um manuscrito, escreveu: "Be sure to call it PDSA, not the corruption PDCA" (chame de PDSA, não da corruptela PDCA).
A troca parece cosmética, mas muda o que você faz. Verificar é conferir se deu certo: o número melhorou, sim ou não. Estudar é comparar o resultado com a previsão que você escreveu no planejamento e explicar a diferença. Em 1991, Moen, Nolan e Provost tornaram isso regra: o planejamento precisa de uma previsão e de uma teoria, e o estudo compara os dados observados com essa previsão.
No exemplo do relatório, quem verifica olha a semana 2, vê o atraso e conclui "não funcionou". Quem estuda pega a previsão ("entrego até segunda às 18h"), vê que a semana 1 bateu e a 2 não, e pergunta o que mudou entre elas. A resposta, o dado da outra área que só fecha na segunda, é uma causa que você não conhecia, e é ela que o ciclo 2 vai testar.

Há quem explique a diferença como prazo (PDCA longo, PDSA curto); a história documentada aponta para o terceiro passo. Dá para continuar usando as letras que você conhece, desde que o seu C funcione como um S: compare com a previsão, não só com o número de antes.
Um dado sugere que a palavra pesa. Na revisão de Taylor e colegas, entre os projetos que chamavam o método de PDCA, 3 de 22 (13,6%) rodaram ciclos em sequência; entre os que chamavam de PDSA, 11 de 25 (44%). É uma associação em poucos estudos, de uma área só, e não prova que trocar a palavra muda o resultado. Sugere, no máximo, que quem pensa em estudar tende a voltar e rodar de novo.
Por que o PDCA falha na prática (e como não cair nisso)
Em 2013, uma equipe do Imperial College London (Taylor, McNicholas, Nicolay, Darzi, Bell e Reed) publicou uma revisão sistemática sobre como o ciclo PDSA é aplicado em projetos de saúde na revista BMJ Quality & Safety, com edição impressa em 2014. Partiram de 409 artigos, incluíram 73 que diziam usar o ciclo e analisaram em detalhe os 47 que descreviam o suficiente. A pergunta não era se o ciclo funciona, e sim se os projetos seguiram o ciclo. A maioria não seguiu:
- Menos de 20% (14 de 73) documentaram uma sequência de ciclos repetidos. Dos 33 projetos sem repetição, 29 rodaram um ciclo só.
- Só 9% (4 de 47) registraram uma previsão explícita do resultado.
- Só 15% (7 de 47) usaram dados quantitativos com frequência mensal ou maior.
- 22 dos 47 testaram mais de uma mudança no mesmo ciclo, e aí fica difícil saber qual delas fez efeito.
- Um ciclo isolado durou de 2 semanas a 5 anos, com média de 11,91 meses.
Compare o último número com a planilha da AHRQ, que fala em ciclos de uma hora. Um ciclo de quase um ano não é um ciclo de aprendizado; é um projeto com um relatório no fim. O padrão da revisão não é escolher a mudança errada: é pular a previsão, medir pouco e parar na primeira volta.
O limite: são 47 relatos publicados de uma área só, a saúde, e a revisão mede o que foi documentado, não tudo o que foi feito. Ainda assim, os erros são os mesmos de quem roda um PDCA sozinho. A tabela organiza cada etapa com o erro e a correção.
| Etapa | Pergunta que responde | Erro mais comum | Como evitar |
|---|---|---|---|
| Plan | O que vou mudar e o que espero que aconteça? | Plano sem previsão (só 4 de 47 projetos tinham) | Escrever "se eu X, então Y vai de A para B até a data D" |
| Do | Fiz o que planejei, do tamanho certo? | Mudar tudo de uma vez (22 de 47 testaram várias mudanças juntas) | Uma mudança por ciclo; teste de 1 dia, 1 tarefa ou 1 cliente |
| Check ou Study | O resultado bateu com a previsão? Por quê? | Verificar sem ter o que comparar; medir uma vez só (7 de 47 mediram ao menos por mês) | Comparar previsão e resultado; medir várias vezes durante o teste |
| Act | Adoto, ajusto ou abandono? | Parar na primeira volta (29 de 33 projetos sem repetição rodaram 1 ciclo) | Decidir por escrito e marcar a data do ciclo 2; se adotar, registrar o padrão |
Números de Taylor et al., BMJ Quality & Safety 23(4):290-298, 2014 (47 projetos de saúde analisados em detalhe). Correções: IHI e AHRQ.
Reed e Card, no BMJ Quality & Safety de 2016, resumiram o problema numa frase: "While the PDSA method is conceptually simple, simple does not mean easy" (o método é conceitualmente simples, mas simples não quer dizer fácil). E fizeram a ressalva que vale para qualquer pessoa que adote o ciclo: "A well-conducted PDSA promises learning. But it does not, and cannot, promise that users will achieve their desired outcomes" (um PDSA bem conduzido promete aprendizado, mas não promete, nem pode prometer, que você vai chegar ao resultado desejado).
Há também casos em que o ciclo não é a ferramenta certa, e eles saem da própria definição: o IHI fala em testar a mudança em pequena escala, no ambiente real, e a AHRQ em ciclos curtos que você pode encerrar a qualquer momento. Na nossa leitura, isso deixa de fora a decisão única e difícil de desfazer (aceitar uma proposta de emprego não cabe num teste pequeno), o problema que você não consegue medir nem de forma simples (contar, cronometrar, marcar sim ou não) e a mudança que depende inteiramente de outra pessoa, que funciona como ciclo de equipe, mas não como teste individual.
PDCA, kaizen e melhoria contínua: como se encaixam
Kaizen é uma palavra japonesa que, segundo o verbete de kaizen do Lean Enterprise Institute, significa "continuous improvement" (melhoria contínua) e descreve a busca de "small, incremental improvements" (melhorias pequenas e incrementais). O mesmo verbete afirma que "the kaizen process is based on the PDCA (Plan-Do-Check-Act) cycles" e atribui a Masaaki Imai, em 1986, a apresentação da filosofia ao mundo. Moen e Norman contam o lado japonês da mesma história: o PDCA, junto com as sete ferramentas da qualidade, virou a base do kaizen no Japão.
As três ideias se encaixam assim: kaizen é a atitude (melhorar sempre, em passos pequenos); o PDCA é o método que executa cada passo; e a melhoria contínua é o que aparece quando você olha vários ciclos em sequência, a espiral de Shewhart subindo aos poucos.
Por isso não faz sentido a ideia, que circula em algumas páginas, de que o PDCA não serve para mudanças pequenas. Ele foi pensado para elas (um paciente e um dia, no IHI; uma hora, na AHRQ). Mudança grande demais para um teste curto precisa ser quebrada em várias.
O PDCA também não substitui o plano de ação. Se a mudança do P envolve várias tarefas, com responsáveis e prazos, esse plano pode ser escrito num 5W2H, com uma ação por bloco; o ciclo é o que diz, depois, se aquilo funcionou.
Como contar um PDCA na entrevista e no Linkedin
Quando alguém pergunta "você já usou PDCA?", quer saber se você trabalha com método, não ouvir as quatro letras. A resposta que mostra isso tem quatro movimentos: o problema com o número de antes, a previsão que você fez, o que mediu e o que mudou depois. Um modelo a partir do exemplo 2, para adaptar ao seu caso:
"Na minha área, voltavam umas 6 notas fiscais por mês por CNPJ digitado
errado. Eu apostei que, se copiasse o CNPJ direto do cadastro em vez de
digitar, isso cairia para 2 ou menos em um mês. Testei por 4 semanas,
contando as devoluções toda sexta: voltou 1, e por outro motivo. O passo
entrou no checklist da equipe, e a devolução por endereço desatualizado
virou o meu ciclo seguinte."A versão em que a previsão erra também serve, porque mostra método em vez de sorte: "eu previa entregar até segunda, a segunda semana atrasou, descobri que o dado de outra área só fechava na segunda às 10h e negociei um corte parcial na sexta". Se a entrevista for por competências, os mesmos movimentos cabem no formato situação, tarefa, ação e resultado: o problema é a situação, a previsão e o teste são a tarefa e a ação, e o número final é o resultado. O guia do método STAR para entrevista comportamental detalha essa estrutura.
No Linkedin, o ciclo vira uma linha na seção Experiência. Duas formas, com números de exemplo:
- "Testei por 4 semanas a cópia do CNPJ direto do cadastro na emissão de notas: as devoluções por erro de digitação foram de 6 para 1 por mês, e o passo virou item do checklist da equipe."
- "Reduzi a reunião semanal de coordenação de 55 para 35 minutos em três ciclos curtos de ajuste (pauta na véspera, encerramento no horário, 5 minutos finais para assuntos fora da pauta)."
Três cuidados ao escrever: use o número real, sem arredondar para cima; não exponha dado sigiloso da empresa (troque o valor absoluto por proporção, se for o caso); e diga o que foi seu, não do time inteiro. Nada disso garante entrevista. Mostra como você pensa.
Essa linha é lida junto com o resto do perfil: a foto, o título e o Sobre. O guia completo do perfil do Linkedin, da foto ao resumo mostra como as peças se encaixam, e o modelo de resumo para o Linkedin ajuda a transformar um ciclo desses numa frase de prova no Sobre.
Perguntas frequentes
O que é o ciclo PDCA?
Quem criou o ciclo PDCA?
Qual a diferença entre PDCA e PDSA?
Qual a diferença entre PDCA e kaizen?
Dá para usar o PDCA na vida pessoal?
Teste a foto do perfil antes de decidir
Dá para tratar a foto como um PDCA: em /comecar a câmera guia as selfies, a prévia sai com marca d'água e sem custo, e você só paga R$ 2,50 no Pix se aprovar o resultado.
Resumo e próximos passos
- PDCA é testar uma mudança pequena por vez, com a previsão escrita antes, em ciclos de um dia a duas semanas.
- O terceiro passo é onde o ciclo quebra: estude o resultado contra a previsão (é a diferença do PDSA).
- A história com fonte é 1939 (Shewhart), 1950 (roda de Deming), 1951 (sigla PDCA no Japão) e 1993 (PDSA); 1924 é o gráfico de controle, não o ciclo.
- Rode de novo. Na revisão de Taylor e colegas, só 14 de 73 projetos documentaram ciclos em sequência.
- Conte o ciclo na entrevista e no perfil com o número de antes, a previsão e o que mudou.
Para o resto do perfil, volte ao guia do perfil do Linkedin em 2026, que conecta foto, título, Sobre e experiência.
Pedro Mota
Fundador, fotoslinkedin.com.br
Pedro Mota é fundador da fotoslinkedin.com.br, ferramenta de IA que transforma uma selfie em foto profissional pronta pro Linkedin em 60 segundos. Antes, atuou com design e produto digital. Hoje vê centenas de fotos por semana e escreve sobre o que funciona pra carreira no Brasil em 2026.



