KPI: o que é, 30 exemplos por cargo e como achar os que medem o seu trabalho

KPI é o indicador-chave de desempenho: os poucos números que dizem se o trabalho vai bem. Veja 30 exemplos por cargo, 3 perguntas para achar os seus e como evitar o número que vira alvo.

Guia · Publicado em · 20 min de leitura

Pedro Mota

Fundador, fotoslinkedin.com.br

Ilustração de uma pessoa sentada à beira de um lago cheio de peixinhos, levantando uma vara de pesca com apenas três peixes presos na linha.

O que é KPI e o que a sigla significa

O que é KPI? É a sigla em inglês de Key Performance Indicator, indicador-chave de desempenho. É um número escolhido, entre os muitos que uma empresa consegue contar, para dizer se um trabalho, uma equipe ou um negócio está indo na direção combinada. A palavra que importa é "chave": KPI não é qualquer número, é o pequeno grupo que alguém olha para decidir alguma coisa.

Daí a regra que resolve metade das dúvidas: todo KPI é uma métrica, mas nem toda métrica é KPI. Uma métrica vira KPI quando está ligada a um objetivo e quando alguém muda o que faz se ela subir ou cair. Pense numa central de atendimento. O sistema registra dezenas de números por atendente: horário de login, pausas, contatos por hora, tempo de espera, transferências, notas, motivos de contato. O supervisor olha três ou quatro deles na reunião de segunda-feira. Esses três ou quatro são os KPIs. O resto é métrica, útil para investigar um problema e invisível no dia a dia.

Existe um detalhe que os guias de gestão tratam como nota de rodapé e que, para quem é medido, é o centro da questão. Em 1992, na Harvard Business Review, Robert Kaplan e David Norton abriram o artigo que apresentou o balanced scorecard com a frase "What you measure is what you get" (o que você mede é o que você obtém) e com a observação de que o sistema de medição de uma organização afeta fortemente o comportamento de gerentes e funcionários. No mesmo texto, eles alertam que medidas financeiras tradicionais, como retorno sobre investimento e lucro por ação, podem dar sinais enganosos para melhoria contínua e inovação. Traduzindo para a sua rotina: o KPI não só descreve o seu trabalho, ele muda o que você faz.

Por isso este guia é escrito do lado de quem é medido. Os guias que aparecem para "kpi o que é" são escritos para quem define o indicador: a empresa, o gestor, o RH. O mais próximo do funcionário, o da Gupy, trata de KPI na avaliação de desempenho, mas fala com o RH. Nos 9 guias que lemos em 20/10/2026 para essa busca, nenhum cita Goodhart ou Campbell, e todos organizam os exemplos por área da empresa, não por cargo. Aqui você encontra 30 exemplos por cargo, 3 perguntas para descobrir os seus, um checklist para separar KPI de número de relatório e um modelo para levar o indicador ao perfil do Linkedin.

KPI, métrica, meta e OKR: o que muda na sua rotina

Essas quatro palavras aparecem misturadas na mesma reunião. Para quem é medido, a diferença é prática: o que cada uma muda no seu dia.

  • Métrica é tudo o que é contado sobre o seu trabalho. Boa parte você nunca vê: o sistema registra, e alguém consulta quando precisa investigar um problema.
  • KPI é o pequeno grupo de métricas que a chefia acompanha num ritmo fixo e que pode aparecer na sua avaliação. É o número que alguém pergunta a você.
  • Meta é o valor que se espera do KPI até uma data, como "tempo médio de atendimento abaixo de 8 minutos até junho". O KPI é a régua; a meta é a marca na régua. Para escrever a sua, veja como montar uma meta que dá para conferir no fim do ciclo.
  • OKR é um projeto de mudança, em geral de um trimestre, com um objetivo e alguns resultados-chave. Um KPI vira resultado-chave quando a empresa decide mexer nele de propósito naquele período; o método inteiro está no guia de OKR com exemplos de objetivos e resultados-chave.

Um atalho de tradução: quando o gestor diz "você precisa bater o KPI", ele quase sempre está falando da meta sobre o KPI. Vale perguntar qual é o número e qual é a marca, porque são duas conversas diferentes. A primeira é sobre o que conta como trabalho bem feito; a segunda, sobre quanto se espera de você e até quando.

30 exemplos de KPI por cargo (e como cada um engana)

Os guias de KPI costumam organizar os exemplos por área da empresa: financeiro, comercial, marketing. Só que ninguém trabalha "na área financeira" de forma abstrata. Você ocupa um cargo, e o seu cargo é medido por poucos números concretos. A tabela abaixo traz 10 cargos comuns com 3 KPIs cada. A última coluna antecipa o assunto da seção sobre indicador que vira alvo: é o jeito mais comum de o número melhorar sem o trabalho melhorar.

30 KPIs por cargo: o que medem e como enganam
CargoKPIO que mede de verdadeComo engana (sintoma de KPI virando alvo)
AtendimentoTempo médio de atendimento (TMA)Quanto dura cada contatoEncerrar rápido e o cliente voltar no dia seguinte
AtendimentoResolução no primeiro contatoCasos resolvidos sem o cliente precisar voltarRegistrar o retorno como assunto novo
AtendimentoSatisfação (CSAT) ou NPSQuanto o cliente aprovou ou recomendariaPedir a nota só a quem saiu satisfeito
VendasReceita vendida sobre a metaQuanto entrou no períodoAntecipar pedido do mês seguinte ou dar desconto fora da política
VendasTaxa de conversãoPropostas que viram vendaSó registrar a oportunidade que já vai fechar
VendasProdutos por cliente (venda cruzada)Quanto a carteira compra além do primeiro produtoIncluir produto que o cliente não pediu (o caso Wells Fargo)
Auxiliar administrativoSolicitações atendidas no prazo (SLA)Se a fila anda no tempo combinadoPausar o relógio ou fechar e reabrir a solicitação
Auxiliar administrativoTaxa de erro ou retrabalhoLançamentos que voltam para correçãoCorrigir sem registrar a correção
Auxiliar administrativoTempo de ciclo de uma rotinaQuanto leva uma rotina do início ao fimPular a conferência
Analista financeiroPrazo de fechamento mensalEm quantos dias úteis o mês fechaFechar com lançamento provisório e ajustar depois
Analista financeiroAcurácia da previsão de caixaDistância entre o previsto e o realizadoPrever sempre por baixo
Analista financeiroInadimplênciaQuanto da receita está em atrasoRenegociar e reclassificar o atraso como dívida nova
RHTempo para preencher a vagaDias entre a abertura e o aceiteFechar com quem sai no período de experiência
RHTurnover (rotatividade)Quantos saem da empresa no períodoAdiar o desligamento para depois do fechamento
RHAbsenteísmoHoras ou dias de ausênciaA pressão sobre o número fazer a falta deixar de ser registrada
MarketingCusto por leadQuanto custa cada contato interessadoComprar lead barato que vendas não aproveita
MarketingLead que vira oportunidadeQuanto do volume chega a vendas com chance realAfrouxar o critério de "qualificado"
MarketingRetorno da campanha (ROI ou ROAS)Receita atribuída sobre o investimentoAtribuir à campanha a venda que viria de qualquer jeito
LogísticaEntregas no prazoPedidos entregues na data prometidaRenegociar a data prometida antes de vencer
LogísticaAcurácia de inventárioSistema e prateleira batendoAjustar o estoque no sistema antes da contagem
LogísticaCusto de frete por pedidoQuanto custa levar cada pedidoTrocar por transportadora mais barata que atrasa
TI / suporteTempo de resolução de chamadoQuanto o usuário espera pela soluçãoFechar e pedir para abrir outro chamado
TI / suporteFrequência de deploy (DORA)Quantas vezes o time coloca mudança em produçãoQuebrar a entrega em pedaços sem valor
TI / suporteTaxa de falha de mudança (DORA)Quantos deploys exigem correção imediataNão registrar o incidente pequeno
ProfessorFrequência dos alunosQuem está em aulaChamada registrada sem presença
ProfessorTaxa de aprovaçãoQuem passa de anoAprovar sem aprendizagem (é o que o Ideb tenta pegar)
ProfessorResultado em avaliação externa ou simuladoO que a turma acerta numa prova comumEnsinar só os itens da prova (o exemplo de Campbell)
Enfermagem / saúdeAdesão à higiene das mãosSe o procedimento é seguido nos momentos certosSó cumprir quando há observação avisada
Enfermagem / saúdeQuedas de pacienteEventos de queda na unidadeO evento deixar de ser notificado
Enfermagem / saúdeTempo de resposta ao chamadoQuanto o paciente esperaRegistrar o atendimento antes de ele acontecer

Exemplos ilustrativos montados pelo fotoslinkedin; nomes e cálculos variam por empresa. Definição de NPS: Bain. Métricas de software: DORA. Linhas de saúde não são orientação clínica.

Leia a coluna da direita de cima a baixo e aparece um padrão com três movimentos. Fechar sem resolver (o chamado encerrado que volta como chamado novo), registrar menos (a queixa que não entra no sistema, a queda que não é notificada) e empurrar o que não foi pedido (o produto incluído sem o cliente querer). Nenhum desses movimentos exige má-fé. Muitas vezes é a saída que sobra quando a pressão está num número só.

Dois indicadores da tabela têm dono e definição pública. O NPS, comum em atendimento, segue a definição da Bain, dona da marca: uma pergunta de 0 a 10 sobre a probabilidade de recomendar a empresa, em que notas 9 e 10 são promotores, 0 a 6 são detratores e 7 e 8 são passivos. O NPS é a porcentagem de promotores menos a de detratores. Os KPIs de TI vêm do programa de pesquisa DORA sobre entrega de software, que mede o trabalho em dois grupos: vazão (tempo entre a mudança entrar no controle de versão e chegar à produção, frequência de deploy e tempo de recuperação de deploy com falha) e instabilidade (taxa de falha de mudança e taxa de retrabalho de deploy).

A ressalva vale para todo o resto: nome e cálculo mudam de empresa para empresa. "Resolução no primeiro contato" pode considerar uma janela de 24 horas numa empresa e de 7 dias em outra. O que vale para você é o número que a sua empresa calcula, do jeito que ela calcula. A próxima seção mostra como descobrir qual é.

Como descobrir quais KPIs medem o seu cargo

Muita gente só descobre o próprio KPI no dia da avaliação, quando ele aparece num formulário com uma nota ao lado. Dá para antecipar com uma conversa de dez minutos com o gestor. As três perguntas abaixo foram escritas para revelar três versões do seu indicador, que nem sempre coincidem. Copie e adapte:

1. "O que você olha para saber se a minha semana foi boa?"
2. "Que número a sua chefia cobra de você que depende do meu trabalho?"
3. "O que vai aparecer na minha avaliação, e com que peso?"

Seguimento, para cada número que aparecer:
"Onde eu vejo esse número, de quanto em quanto tempo, e qual é a referência
 (meta, média do time ou mês anterior)?"

A primeira pergunta revela o KPI que o gestor usa de fato, que às vezes não é o oficial: há supervisor que olha a fila de pendências antes de abrir qualquer painel. A segunda revela o KPI do próprio gestor, aquele que o seu trabalho alimenta e pelo qual ele é cobrado; entender isso explica por que certas tarefas viram urgentes no fim do mês. A terceira revela o KPI formal, o que vai para o papel. O seguimento transforma cada resposta num número que você consegue acompanhar sozinho, sem esperar alguém mostrar.

Se a conversa não for possível agora, o indicador deixa rastros em cinco lugares:

  1. A descrição da vaga do seu cargo, nas partes de responsabilidades e requisitos. Procure palavras como indicadores, metas, SLA, prazo, "acompanhamento de KPIs" e "foco em resultado". Leia também vagas de outras empresas para o mesmo cargo: o que se repete em várias é o KPI típico da função.
  2. O formulário ou os critérios da avaliação. Quando a empresa avalia por resultados, os KPIs estão escritos ali, muitas vezes com peso. O guia sobre avaliação de desempenho e seus métodos mostra como ler cada formato.
  3. O painel ou a planilha da reunião semanal. O que aparece na primeira tela é o que a equipe acompanha; o que fica na aba escondida é métrica.
  4. As regras de bônus ou de comissão, quando existirem. Dinheiro atrelado a um número é o sinal mais claro de que ele é chave.
  5. O seu PDI. No modelo de PDI com ações e indicadores, o KPI do cargo costuma virar a coluna de indicador de cada ação.

Se as respostas não batem entre si (o gestor diz que olha qualidade, a avaliação mede volume), essa divergência é a conversa a ter, de preferência antes do fechamento do ciclo. Para conduzir esse tipo de conversa sem soar como cobrança, o roteiro para pedir e dar feedback no trabalho ajuda a escolher as palavras.

Quando o KPI vira alvo: Campbell, Goodhart e Strathern

A coluna "como engana" da tabela não é invenção recente. O psicólogo social Donald T. Campbell descreveu o mecanismo num texto de 1976, publicado em revista em 1979, hoje aberto numa reimpressão do Journal of MultiDisciplinary Evaluation. A formulação ficou conhecida como lei de Campbell: quanto mais um indicador quantitativo é usado para tomar decisões, mais ele fica sujeito a pressões de corrupção e mais tende a distorcer o processo que deveria acompanhar.

Campbell dá dois exemplos que parecem tirados de uma empresa de hoje. No primeiro, departamentos de polícia avaliados pela taxa de esclarecimento, a proporção de crimes resolvidos, deixavam de registrar todas as queixas ou adiavam o registro até o caso ser resolvido. É o mesmo mecanismo do chamado fechado antes da solução. No segundo, empresas contratadas para dar aulas eram pagas pelo ganho de nota de cada aluno e acabaram ensinando as respostas de itens específicos da prova. A conclusão dele: quando a nota vira o objetivo do ensino, ela perde o valor de indicador e distorce o próprio ensino.

O próprio autor tomou dois cuidados que vale repetir. Ele chama essas formulações de leis pessimistas e admite que a evidência é predominantemente anedótica. E ele não diz que prova não serve: escreve que testes de desempenho podem ser bons indicadores em condições normais de ensino. O problema aparece quando o número passa a decidir tudo sozinho.

A frase que circula como lei de Goodhart tem uma origem mais torta do que parece. "When a measure becomes a target, it ceases to be a good measure" (quando uma medida vira meta, deixa de ser uma boa medida) foi escrita pela antropóloga Marilyn Strathern em 1997, num artigo da European Review sobre auditoria nas universidades britânicas. Ela credita o nome a Keith Hoskin, que pegou a ideia de uma observação do economista Charles Goodhart sobre política monetária. Goodhart fez a observação original numa conferência do banco central australiano em Sydney, em julho de 1975, publicada em 1976: o instrumento escolhido para controlar a economia deixa de se comportar como antes quando passa a ser usado para controle. O exemplo de Strathern é a nota de graduação britânica: quanto mais a nota alta vira expectativa, pior ela separa um aluno do outro.

Um caso documentado mostra o custo quando o mecanismo ganha escala. Em 8 de setembro de 2016, o órgão de proteção ao consumidor financeiro dos Estados Unidos (CFPB) multou a Wells Fargo em US$ 100 milhões. Segundo o órgão, funcionários estimulados por metas de venda e incentivos de remuneração abriram cerca de 1,5 milhão de contas de depósito e pediram cerca de 565 mil cartões de crédito que podem não ter sido autorizados pelos clientes. O mesmo comunicado registra multa de US$ 35 milhões do OCC, outro regulador americano, e de US$ 50 milhões da cidade e do condado de Los Angeles. É a linha "produtos por cliente" da tabela, levada ao limite.

Ilustração de uma pessoa de cachecol e gorro, tremendo de frio sob a neve, soprando a base de um termômetro cuja coluna sobe até o topo.

No dia a dia de quem é medido, o mecanismo raramente tem esse tamanho. Ele aparece em sinais pequenos:

  • O número melhora e o cliente ou o colega reclama igual.
  • Surge um jeito "criativo" de registrar, que todo mundo da equipe conhece e ninguém escreve.
  • O trabalho que não é contado para de acontecer: ninguém mais documenta, treina o novato ou revisa o que o outro fez.
  • Você começa a escolher tarefa pelo efeito no indicador, e não pelo que o trabalho pede.

A lição desses textos não é parar de medir. É não medir com um número só. Indicador sozinho é fácil de empurrar; indicador acompanhado de outro que mostra o custo da melhora fica muito mais difícil de maquiar. É o assunto da próxima seção.

Este número é um KPI? Checklist de 5 perguntas

Use quando alguém apresentar um indicador novo, quando você for escolher o que acompanhar no seu cargo ou quando for decidir que número colocar no perfil.

  1. Liga a um objetivo? Dá para dizer em uma frase que objetivo ele acompanha.
  2. Tem dono? Alguém, de preferência você, consegue mexer nele com o próprio trabalho.
  3. Tem frequência? Ele é olhado num ritmo fixo: dia, semana ou mês.
  4. Tem referência? Existe uma meta, um histórico ou uma média do time para comparar. Sem isso, 82% não quer dizer nada; uma meta com número e prazo é o que dá a referência.
  5. Alguém decide algo com ele? Se ele subir ou cair, alguma coisa muda: escala, prioridade, treinamento, contratação.

A regra de leitura é nossa, não de norma: cinco respostas "sim" indicam um KPI; três ou quatro, uma métrica útil, mas não chave; duas ou menos, um número de relatório, do tipo que ninguém sente falta se sumir.

O par: o segundo número que impede a maquiagem

Falta um item que os checklists de gestão costumam deixar de fora e que sai direto da seção anterior: todo KPI que você consegue mexer sozinho precisa de um segundo número que mostre o custo da melhora. O melhor exemplo público brasileiro é o Ideb. O INEP explica que o índice, criado em 2007 numa escala de 0 a 10, junta a aprovação e o desempenho no Saeb para que um não seja maquiado à custa do outro: se a rede segura alunos para subir a nota da prova, o fluxo cai; se apressa a aprovação sem qualidade, a nota cai. O DORA faz o mesmo com software ao pôr vazão e instabilidade lado a lado.

No seu cargo, o par fica óbvio quando você pergunta "como eu melhoraria este número fazendo um trabalho pior?". A resposta aponta o indicador que precisa andar junto. Três exemplos:

  • Tempo médio de atendimento e resolução no primeiro contato: atender rápido não pode fazer o cliente voltar.
  • Receita vendida e cancelamento em 30 dias: vender o que o cliente não quer aparece no mês seguinte.
  • Prazo e retrabalho: entregar antes não pode significar devolver depois.

Do KPI ao perfil do Linkedin: a linha com o número e o seu par

Quem lê um perfil desconfia de número solto. "Reduzi o tempo de atendimento em 36%" levanta a pergunta imediata: e a qualidade? A linha que já traz o par responde antes da pergunta e mostra que você entende como o seu trabalho é medido. O modelo e três reescritas:

MODELO
<verbo no passado> <o que você mudou>: <KPI> de <x> para <y> em <período>,
com <KPI par> em <z>.

1) ATENDIMENTO
Antes: Responsável pelo atendimento ao cliente por chat.
Linha: Reduzi o tempo médio de atendimento por chat de 11 para 7 minutos em
       6 meses, com a resolução no primeiro contato estável em 82%, criando
       12 respostas padrão para dúvidas de entrega.

2) VENDAS
Antes: Vendedor com foco em resultados.
Linha: Entreguei 112% da meta de receita de 2025 numa carteira de 140 clientes
       do varejo, com cancelamento em 30 dias abaixo de 3%.

3) AUXILIAR ADMINISTRATIVO
Antes: Auxiliar administrativo, rotinas de contas a pagar.
Linha: Com uma checklist de conferência antes do envio, os pagamentos lançados
       no prazo subiram de 78% para 96% em 3 meses, sem aumentar o
       retrabalho (2 correções por mês).

Os três exemplos são ilustrativos, com números fictícios. O modelo pede o verbo no passado, o que você mudou, o KPI com ponto de partida, ponto de chegada e período, e no fim o indicador par que prova que a melhora não saiu de outro lugar. As expressões "estável em", "abaixo de" e "sem aumentar" são as que fazem esse trabalho.

Duas regras antes de publicar. Primeira: só número que a empresa permite divulgar, e nunca dado sigiloso; quando o valor absoluto é interno (receita, tamanho de carteira), use percentual ou ordem de grandeza. Segunda: nunca use um número que você sabe que foi maquiado, pelas razões da seção sobre Campbell.

Para outras formas de provar competência com número, o guia de hard skills e de como comprová-las traz uma escala de provas. A melhor das suas linhas costuma virar a frase de prova da seção Sobre, e o modelo de resumo do Linkedin com exemplos mostra onde ela entra. Como a linha nova fica na mesma página que a sua foto, vale revisar o conjunto com o guia de foto para Linkedin, do enquadramento ao fundo.

Perguntas frequentes

O que é KPI?
É a sigla de Key Performance Indicator, indicador-chave de desempenho: um dos poucos números usados para decidir se um trabalho, uma equipe ou uma empresa vai bem. O que torna o número chave é estar ligado a um objetivo e ser usado para decidir alguma coisa.
Qual a diferença entre KPI e métrica?
Toda métrica conta alguma coisa; KPI é a métrica escolhida porque está ligada a um objetivo e alguém muda o que faz quando ela sobe ou cai. Um sistema registra dezenas de métricas, e a chefia acompanha poucas delas como KPI.
O que é KPI individual?
É o indicador ligado ao trabalho de uma pessoa, quase sempre um recorte do KPI do time, como o tempo médio de atendimento de cada atendente. Se ninguém disse qual é o seu, as três perguntas da seção sobre como descobrir os KPIs do cargo resolvem em uma conversa.
Quais são exemplos de KPI de RH?
Os mais comuns são tempo para preencher a vaga, turnover (rotatividade) e absenteísmo. A tabela de 30 KPIs por cargo mostra o que cada um mede de verdade e como cada um pode enganar quando vira alvo.
Quantos KPIs devo acompanhar?
Não existe número oficial. Um guia de análise de dados da Hashtag Treinamentos sugere de 3 a 7 por área. Para o seu cargo, a nossa orientação é menor: de 2 a 4 números que você consegue citar de cabeça, cada um com o seu par.

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Resumo e próximos passos

  • KPI é o pequeno grupo de números que alguém usa para decidir se o trabalho vai bem; métrica é todo o resto.
  • Descubra os 2 a 4 KPIs do seu cargo com as 3 perguntas e confira na vaga, na avaliação e no painel da reunião.
  • Indicador perseguido a qualquer custo deixa de medir (Campbell, 1976; Strathern, 1997): junte cada KPI a um par.
  • Escreva a linha de experiência com o KPI, o período e o par, e revise o resto do perfil com o pilar sobre foto e perfil profissional no Linkedin.

Pedro Mota

Fundador, fotoslinkedin.com.br

Pedro Mota é fundador da fotoslinkedin.com.br, ferramenta de IA que transforma uma selfie em foto profissional pronta pro Linkedin em 60 segundos. Antes, atuou com design e produto digital. Hoje vê centenas de fotos por semana e escreve sobre o que funciona pra carreira no Brasil em 2026.

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