Em parte dos geradores a imagem sai pública por padrão e, nas que têm vitrine, o prompt aparece junto. O modo privado costuma ser de plano pago. Antes de subir a selfie, ache três respostas: onde a imagem nasce, se o texto vai junto e o que o padrão concede a outros usuários.
A checagem de 2 minutos antes de subir a sua selfie
Você gerou a foto, gostou do resultado, baixou o arquivo e fechou a aba. A pergunta que quase ninguém faz nesse momento é o que aconteceu com a cópia que ficou dentro da ferramenta. Em parte dos geradores ela não foi para uma pasta sua: ela foi publicada, e o texto que você escreveu para produzi-la foi publicado junto.
Este artigo começa depois da geração. O que o fornecedor faz com o arquivo que você envia é outro assunto e já tem dono aqui no blog: o lado da entrada, quando o arquivo ainda está subindo. Aqui a conversa é sobre a saída, sobre o que fica visível dela e sobre o que você faz quando ela já está no ar.
Antes de qualquer mecanismo, a checagem. São três perguntas, e cada uma tem um lugar específico onde a resposta está escrita.
- Onde essa imagem nasce? Procure na central de ajuda da ferramenta por "private", "visibility", "stealth", "public" ou "galeria", e olhe a tela de criação: existe um seletor de visibilidade ao lado do botão de gerar? Resposta ruim: não existe página sobre isso e não existe seletor.
- O prompt vai junto? Abra a página que descreve a galeria, o feed ou o Explore da ferramenta. Se ela disser que clicar numa imagem revela o criador, o prompt e as configurações, a resposta é sim. Existe um teste de 10 segundos que dispensa a leitura: abra a galeria pública em aba anônima, deslogado, e clique na imagem de outra pessoa. O que você vê da vida dela é o que os outros veem da sua.
- O que o padrão concede a terceiros? Nos termos de uso, busque por "remix", "other users", "license" e "publicly". Resposta ruim: uma licença concedida a outros usuários que só sai do ar quando você assina um plano.
Regra de bolso: se a resposta a qualquer uma das três for "não achei", trate a ferramenta como pública e não suba nela um retrato do seu rosto inteiro. Nas quatro ferramentas que eu abri em 22/08/2026, essas respostas estavam por escrito, em inglês, espalhadas por páginas diferentes da central de ajuda. Nenhuma delas aparece na tela em que você clica no botão de gerar.
As imagens que você gera ficam públicas? Quatro ferramentas, quatro regras
A checagem existe porque não há padrão de mercado. Em 22 de agosto de 2026 eu abri as páginas oficiais de quatro geradores de imagem e comparei uma coisa só: o que acontece com o resultado depois que ele fica pronto. O método é o mesmo que este blog usou para a idade mínima que cada serviço declara para gerar imagem, ou seja, transcrever a regra publicada e datar a leitura. Saíram quatro respostas diferentes, e a quarta coluna da tabela abaixo é a que não apareceu em nenhuma das cinco páginas em inglês que eu medi para este artigo: o que continua público mesmo depois de você ligar a chave.
Duas leituras saem daí. A primeira: em três das quatro, o estado inicial é público, e em nenhuma das três o botão que corrige isso vem no plano de entrada. A segunda: não existe "o comportamento das IAs de imagem", existe a regra de cada casa, escrita numa página que muda sem aviso. Por isso cada linha da tabela carrega a data em que eu li.
A Ideogram é o exemplo mais econômico de como essa informação costuma estar publicada e ninguém lê. A resposta está na FAQ oficial da ferramenta, em uma linha: "Images are public by default unless you choose private generation where it is available." A página sobre gerações privadas completa o par: o recurso começa no plano Plus, e vem com uma nuance a favor do fornecedor, "Private images remain private even after your subscription ends". Preço eu não publico, porque a própria doc de planos pede que não se use tabela estática dela para decisão de compra.
Vale registrar o contraponto com o mesmo rigor. A referência de geração de imagem da OpenAI, aberta em 22/08/2026, tem 13.631 palavras no texto extraído da página, menu de navegação incluído. Dentro delas, "gallery" aparece zero vez, "public feed" zero e "publicly" zero. Isso não diz nada sobre o que o aplicativo de consumidor faz, nem sobre treino: é uma ausência medida numa página de API, com o escopo declarado.
Aberto por padrão: o que a Midjourney escreve, e o que isso custa
O caso mais documentado é o da Midjourney, e começa com uma frase sem margem. A página Keeping Your Creations Private, que declara atualização em 26/02/2026, diz: "Midjourney thrives as an open-by-default community, which means that every image and video you create can potentially be found on the Explore page on midjourney.com. This includes images made in private Discord servers or direct messages with the Midjourney Bot."
Em português: a Midjourney funciona como uma comunidade aberta por padrão, o que significa que toda imagem e todo vídeo que você cria podem ser encontrados na página Explore do site, incluindo o que foi feito em servidores privados do Discord ou em mensagem direta com o bot. Repare no verbo. A doc escreve "can potentially be found", pode ser encontrada, e não "é publicada na home". A diferença importa: o que está dito é que a sua imagem nasce do lado de dentro da vitrine, não que ela vá ganhar destaque nela.
A segunda metade da frase é a que costuma surpreender. O conselho mais repetido em fórum e em tutorial em português é criar um servidor só seu no Discord, ou falar com o bot em mensagem direta, para gerar em paz. A documentação do fornecedor diz, na mesma linha, que isso não muda a visibilidade no site.
O modo privado tem preço, e ele não é o do plano de entrada
A chave existe e se chama Stealth Mode. A mesma página delimita quem tem acesso: "Available only with our Pro and Mega Plans, Stealth mode keeps your creations hidden from other users on the website." A página de comparação de planos, atualizada em 18/05/2026, publica os valores: Basic US$ 10 por mês, Standard US$ 30, Pro US$ 60 e Mega US$ 120, com os equivalentes anuais em US$ 96, US$ 288, US$ 576 e US$ 1.152. Os valores estão em dólar porque é assim que a página publica, e eu não converto o que o fornecedor não converteu.
O número que interessa é a razão entre eles. Para manter fora da vitrine uma foto do seu próprio rosto, o plano de entrada não serve: a privacidade começa no terceiro degrau, seis vezes o valor do primeiro. E a mesma página lista quatro níveis, todos de assinatura ("All Midjourney plans are subscriptions"), sem descrever nenhuma camada gratuita: o eixo aqui nunca foi grátis contra pago, e sim barato contra caro.
A chave também tem escopo, e as duas páginas oficiais dizem isso com palavras diferentes. A que abre esta seção: "Stealth mode only makes private your creations on midjourney.com. If you generate images and videos in a shared Discord space, other users in those channels will still be able to see them." A página dedicada ao recurso, atualizada em 25/03/2026, repete o aviso numa linha marcada como importante: "Even with Stealth mode turned on, any creations made in public channels on Discord are still visible to others." O modo privado alcança o site; o que foi gerado num canal compartilhado do Discord continua visível para quem está no canal. Nessa mesma página está a nuance a favor do fornecedor, também literal: "If you cancel or downgrade your subscription, any content you've made private will stay that way on the site". Cancelar o plano não republica o que você já tornou privado.
Ainda na mesma página, o fato operacional que vale mais que qualquer conselho genérico: a visibilidade é um parâmetro de prompt. "Just add the --stealth or --public parameter at the end of your prompt", com os comandos /stealth e /public para trocar o padrão da conta. Numa ferramenta com vitrine, quem escreve o prompt escreve também quem vê o resultado, e isso pertence ao texto colável, não a uma dica solta no fim.
Como eu li páginas que devolvem 403
Declaração de método, porque data e origem são o que separa este tipo de texto de boato. O domínio docs.midjourney.com devolve HTTP 403 a leitura automatizada, e devolveu de novo em 22/08/2026. O conteúdo citado aqui veio da API pública da central de ajuda do mesmo domínio, no formato /api/v2/help_center/en-us/articles/<id>.json, que responde 200 com o corpo íntegro do artigo e com a data de atualização que cada um declara. É o mesmo texto público das URLs linkadas acima, servido em outro formato. Foram seis páginas oficiais lidas assim, incluindo os Termos de Serviço e a Política de Privacidade.
"Trashed creations may still be found on the Explore page, in ranking, or by using the job ID or creation URL." Jogar no lixo não é tornar privado: a criação descartada ainda pode ser encontrada pelo identificador do job ou pela URL.
O prompt é texto sobre você, e nas ferramentas com vitrine ele vai junto
Até aqui o assunto foi a imagem. A outra metade do que fica publicado é o texto, e essa é a parte que ninguém escreveu em português.
Um prompt de foto profissional não descreve uma paisagem: descreve uma pessoa. Sem foto anexada, é a descrição escrita que define quem aparece, e ela desce ao detalhe: gênero, faixa de idade, tom de pele, tipo de cabelo. Com foto anexada, a regra que este blog publica sobre descrever a pessoa no prompt manda o contrário, e é melhor deixar isso claro desde já: descrever gênero, idade ou etnia só faz sentido quando não existe referência, porque qualquer descrição que contradiga a imagem aumenta o risco de trocar o rosto. Só que o texto que as pessoas escrevem raramente para na aparência. Ele leva junto o contexto do cargo e, às vezes, a cidade, porque é isso que faz cenário e roupa saírem coerentes. O resultado é uma linha assim (persona sintética, montada só para o exemplo): "homem brasileiro, 34 anos, pardo, cabelo preto curto, advogado tributarista, escritório em Curitiba". Isso não é descrição de arte. É uma ficha.
Que essa ficha é publicada junto com a imagem não é dedução minha. A página que descreve o site da Midjourney, atualizada em 11/06/2026, escreve: "Clicking on any image or video reveals details about its creator, prompt, and settings." Clicar em qualquer imagem revela o criador, o prompt e as configurações. A frase seguinte diz que passar o mouse oferece atalhos para reusar a imagem e o texto do prompt no seu próprio prompt: o texto não está só visível, está pronto para ser copiado.
O segundo fornecedor diz o mesmo por outro caminho. A licença descrita na página do Leonardo.Ai sobre imagens públicas e privadas, de 18/02/2026, cobre "text prompts and images you input into the services": prompts de texto e imagens, no mesmo item da mesma cláusula. E os próprios Termos da Midjourney classificam esse texto ao listar, entre as informações pessoais que você fornece, "favorites, outputs, and text prompts that You enter". O prompt está no mesmo balde do seu e-mail e dos seus dados de cobrança.
Vale medir o que a concorrência já diz, para não inventar ineditismo. Das cinco páginas em inglês que eu abri e contei para este artigo, 7.265 palavras somadas, três afirmam que o prompt fica visível, com frases como "Other users can see your prompts and outputs". O passo que nenhuma delas dá é o seguinte: nas mesmas 7.265 palavras, as palavras face, rosto e selfie aparecem zero vez, e as palavras license e licença, também zero. O prompt é tratado ali como conceito de artista sendo copiado, nunca como descrição de uma pessoa ficando legível embaixo do rosto dela.
Separe identidade visual de identidade civil
A correção é de redação, não de configuração, e ela cabe em uma regra. A identidade visual é o que muda pixel: a foto de referência anexada, o enquadramento, a luz, a roupa, os óculos, a barba. A identidade civil é o que não muda pixel nenhum: nome próprio, empresa, cargo específico, cidade e idade exata. Trocar "advogado tributarista em Curitiba" por "profissional de escritório jurídico" não altera a foto, porque o que preserva o seu rosto é a imagem de referência anexada, e não o adjetivo demográfico. É o mesmo achado do artigo sobre quando o texto do prompt e a selfie disputam o rosto.
O bloco abaixo é a versão já limpa, pronta para colar. A última linha só existe na Midjourney e só funciona se o seu plano tiver Stealth; nas outras ferramentas, a visibilidade é um seletor de tela, não uma linha de texto.
Use the attached photo as the only identity reference.
Preserve face shape, skin tone, hair and natural asymmetries.
Outfit: navy blazer over a white shirt, no tie.
Setting: plain neutral office background, no logos, no name tags, no screens.
Lighting: soft window daylight from camera left, gentle fill, realistic shadows.
Framing: chest-up, eye-level camera, 85mm portrait perspective.
Do not add text, captions or watermark.
--stealthEm português, linha a linha, e por que cada uma está aí. A primeira manda usar a foto anexada como única referência de identidade, e é ela que carrega o seu rosto. A segunda pede preservação de formato de rosto, tom de pele, cabelo e assimetrias naturais, que é o bloco anti-embelezamento. Onde outros prompts colocam a ficha demográfica, este não coloca nada, e a ausência é deliberada: com referência anexada, descrever a pessoa compete com a imagem em vez de ajudar. A terceira e a quarta resolvem roupa e cenário, e a quarta ainda proíbe logotipo, crachá e tela, que são o que costuma vazar informação de empresa dentro da própria imagem. A quinta e a sexta são luz e enquadramento. A sétima impede legenda e marca-d'água desenhadas pelo modelo. A oitava é o parâmetro de visibilidade da Midjourney, e ela vale para aquela geração; para trocar o padrão da conta, o comando é /stealth.
O que saiu do prompt original: nome, empresa, cargo específico, cidade e idade exata. Nenhuma dessas cinco coisas muda um pixel do resultado, e as cinco juntas são exatamente a ficha que ficaria legível embaixo da sua foto se a geração nascesse pública.

A configuração e a licença são duas coisas, e o mesmo plano pode decidir as duas
Ler só a chave de privacidade é o erro central deste tema. Privacidade responde "quem vê". Licença responde "quem pode usar". São perguntas diferentes, moram em documentos diferentes, e em pelo menos dois fornecedores é o mesmo plano que decide as duas de uma vez.
Do lado da Midjourney, os Termos de Serviço, com data de vigência declarada em 27 de maio de 2026 e lidos por mim em 22/08/2026, trazem a frase mais direta do assunto: "Midjourney is an open community which allows others to use and remix Your Content whenever they are posted in a public setting. By default, Your Content is publicly viewable and remixable." Por padrão, o seu conteúdo é publicamente visível e remixável, com todas as letras.
O mesmo parágrafo descreve a licença que você concede à empresa: perpétua, mundial, não exclusiva, sublicenciável, gratuita e irrevogável, sobre o conteúdo que você insere e sobre os ativos que produz. E fecha com "This license survives termination of this Agreement by any party, for any reason", ou seja, ela sobrevive ao fim do contrato, inclusive quando quem encerra é você.
Isso não significa que a empresa virou dona da sua foto, e confundir os dois é o alarmismo padrão da internet sobre o tema. O mesmo documento diz "You own all Assets You create with the Services to the fullest extent possible under applicable law", com exceções declaradas para empresa com mais de US$ 1.000.000 de receita anual, que precisa de plano Pro ou Mega para ter a propriedade dos ativos. Propriedade e licença são coisas separadas: você continua dono, e ao mesmo tempo concedeu um direito de uso. Quem quiser o recorte completo, e não só a consequência da configuração, encontra em o que você pode fazer com uma imagem que a IA gerou do seu rosto.
Uma nuance a mais, e ela é sobre a força da promessa. Ainda nos Termos, sobre o modo privado: "we agree to make best efforts not to publish any Assets You make in any situation where you have engaged stealth mode". Melhores esforços, não garantia.
A licença que o outro fornecedor concede a terceiros
No Leonardo.Ai a cláusula tem um destinatário a mais. A página sobre uso comercial, de 15/02/2026, diz: "Additionally, other users are granted a worldwide, non-exclusive, royalty-free license to access these publicly available assets through the service and to use those assets only as enabled by a feature of the service." Outros usuários recebem licença mundial, não exclusiva e gratuita sobre os ativos públicos, com um limite literal que precisa vir junto: apenas dentro do que o produto permite fazer.
A própria empresa explica a assimetria com um exemplo dela, usando um usuário fictício: ele pode copiar e reusar o prompt de outra imagem do feed público, e todos os conceitos criados por ele também ficam visíveis para os outros copiarem e remixarem, exatamente como ele fez. É a descrição honesta de um feed público, publicada por quem opera o feed. E o outro lado também está escrito: "when generating privately using a paid subscription, users retain full ownership, copyright, and all other intellectual property rights to their images".
A cláusula que todo mundo cita e que não está mais lá
Aqui entra a correção que motivou boa parte desta pesquisa. Circula, em artigo e em fórum, a informação de que quem usa a Midjourney sem assinatura paga recebe os ativos sob uma licença Creative Commons não comercial. Eu procurei essa redação no texto integral dos Termos vigentes, 3.491 palavras, com data de vigência de 27 de maio de 2026, lidos em 22/08/2026: "Creative Commons" aparece zero vez, "Noncommercial" aparece zero vez e "non-commercial" aparece zero vez.
Isso é uma medição, não uma teoria. Eu não afirmo quando essa cláusula saiu, nem por que, nem se ela já esteve lá em alguma versão anterior. Afirmo o que li, na data em que li. E é justamente por isso que toda citação de termo neste artigo vem com duas datas: a de vigência que a página declara e a da minha leitura. Sem elas, uma citação de contrato envelhece em silêncio e vira boato com aparência de fato.
Já está lá: o que a retirada alcança e o que não alcança
Se você chegou aqui porque a foto já está no ar, o roteiro é este, em quatro passos. Os nomes de tela são os que as páginas oficiais usavam em 22/08/2026. Se algum mudou, procure pelo mesmo conceito na central de ajuda da ferramenta.
- Faça o inventário. Na Midjourney, a doc manda abrir a página Organize e usar as caixas de filtro para selecionar Published images. No Leonardo.Ai, a visibilidade é alterada item a item na sua biblioteca. Na Ideogram, o par de estados chama Published e Unpublished, e existe uma aba Published que mostra tudo o que está visível para a comunidade. Só depois de ver o tamanho da lista você decide o que fazer.
- Entenda o que o botão faz. Mudar o padrão da conta não retroage: "Changing your default mode will apply to all your future prompts but won't affect your existing images." A doc reforça que assinar um plano com Stealth ou defini-lo como padrão não torna privadas as criações públicas antigas, e que isso precisa ser feito manualmente. Somar as duas frases dá o passo mais esquecido do tema: ligar a chave e não voltar para trocar o que já existe deixa tudo como estava.
- Não confunda lixeira com privacidade. A mesma página é explícita: descartar não é tornar privado, e a criação descartada ainda pode ser encontrada no Explore, no ranking ou por meio do job ID e da URL da criação. Se o objetivo é sumir da vitrine, o comando é tornar privado, não jogar fora.
- Quando o botão não basta, escreva. A Política de Privacidade da Midjourney publica o caminho para exercer direitos sobre dados no capítulo dirigido a quem está no Espaço Econômico Europeu, na Suíça e no Reino Unido: visitar www.midjourney.com/account e seguir as instruções listadas no rodapé da página. O mesmo capítulo lista sete pedidos possíveis: acesso, correção, atualização, exclusão, objeção ao tratamento, restrição e portabilidade. Esse capítulo não foi escrito para quem está no Brasil, e é por isso que o modelo da próxima seção pede o prazo publicado na política em vez de citar artigo de lei.
O texto pronto do pedido
Os campos abaixo não são invenção minha: saem da exigência publicada na própria política, no capítulo da lei da Califórnia, que pede um pedido verificável, com informação suficiente para confirmar que você é a pessoa sobre quem os dados foram coletados e com descrição detalhada o bastante para que o pedido possa ser avaliado. Copie, preencha os colchetes e envie pelo canal de dados pessoais da ferramenta.
Assunto: Solicitação de retirada e exclusão de dados pessoais (imagem publicada)
Sou [nome completo], titular da conta [e-mail cadastrado], e a pessoa retratada
nas imagens listadas abaixo.
1. Identificação do material: [URL de cada imagem ou o identificador da criação],
geradas em [data].
2. Pedido: (a) retirar essas imagens de qualquer área pública do serviço, incluindo
galeria, perfil e busca interna; (b) excluir as imagens e os prompts associados;
(c) confirmar por escrito o que foi feito em cada item.
3. Base do pedido: as imagens retratam o meu rosto e o texto publicado junto
descreve características pessoais minhas.
4. Prazo: solicito resposta por escrito dentro do prazo publicado na sua política
de privacidade.
5. Verificação: informe qual comprovação de identidade é necessária e eu envio
no mesmo dia.Duas observações sobre o canal, e elas são o motivo de este bloco não ser um modelo de notificação de direito autoral. Os Termos da Midjourney publicam um endereço de takedown, [email protected], com sete itens obrigatórios, endereço físico em South San Francisco e declaração sob pena de perjúrio. Esse canal é de direito autoral e marca. "Esse rosto é o meu" não é uma reivindicação de direito autoral, e usar o canal errado atrasa o pedido em vez de acelerá-lo.
Sobre prazo, o que dá para dizer é o que a política publica: resposta em até 45 dias, prorrogáveis por mais 45 até 90, com aviso por escrito, e no máximo dois pedidos de acesso ou portabilidade a cada 12 meses. Esses números estão no capítulo da lei da Califórnia da própria política, e é assim que eles precisam ser lidos. Qual base legal brasileira se aplica, para onde os dados foram e a quem perguntar é outro recorte, e ele está no artigo que traz o roteiro de dez perguntas para mandar ao encarregado de dados.
O que o pedido não alcança
Nenhum pedido desfaz cópia. O que já foi baixado por outra pessoa continua no computador dela; o que já foi republicado fora da plataforma sai de outra caixa; e o que algum sistema de terceiros tenha guardado não está sob o controle da ferramenta. Também não vou afirmar que a sua foto está no Google: eu não testei indexação para este artigo, e a doc de perfis da Midjourney diz que perfis são visíveis apenas para membros logados, o que é diferente de estar em buscador. Quando não dá para medir, o certo é dizer que não foi medido.
Sintoma, causa provável e correção
Os quatro casos abaixo são os que aparecem em pergunta de usuário nas centrais de ajuda que eu li. A quarta coluna existe porque quase toda correção deste tema resolve o futuro e não desfaz o passado, e esconder isso seria o mesmo erro dos tutoriais.
Os limites desta leitura
O que este artigo é: a leitura de páginas publicadas, com data. O que ele não é: auditoria de produto, denúncia ou conselho jurídico. Cinco limites, ditos por escrito.
- O que eu li. Doze páginas oficiais, todas em 22/08/2026: seis da Midjourney, pelo caminho de leitura declarado lá na seção dela, duas do Leonardo.Ai, três da Ideogram e uma da OpenAI.
- O que eu não fiz. Não abri conta em nenhuma das três ferramentas com galeria para conferir a tela. O que está aqui é o que está publicado, e nome de menu muda mais rápido que política. Também não testei indexação em buscador.
- Publicar não é treinar. Uma imagem aparecer no feed é vitrine. Um modelo aprender com o seu rosto é outro mecanismo, e ele está em o que sobra depois que um app treina um modelo com o seu rosto e em o treino que acontece dentro da rede onde a sua foto já está.
- Publicação por padrão não é compartilhamento voluntário. Mandar o link de uma conversa é ato seu, com outra superfície e outro risco: o que cada assistente declara incluir no link de uma conversa.
- Aqui também tem limite. No fotoslinkedin não existe vitrine pública: a galeria fica atrás de login e lista as gerações da sua própria conta. Em compensação, a imagem de uma geração avulsa fica guardada para depuração e, hoje, sem expiração automática. Isso já estava declarado no artigo sobre segurança do envio e continua valendo.
Uma última, sobre o próprio texto: regra publicada muda. A cláusula que eu procurei e não encontrei nos Termos vigentes é a prova prática disso, e é por isso que cada afirmação aqui carrega a data em que foi lida. Se você estiver lendo isto meses depois, a checagem de três perguntas da primeira seção continua valendo. A tabela, talvez não.
Perguntas frequentes
01As fotos que eu crio com IA ficam públicas?+
02O meu prompt fica visível junto com a imagem?+
03Dá para escolher quem vê as imagens que eu gero?+
04Liguei o modo privado. As imagens antigas ficam privadas também?+
05Dá para tirar do ar uma imagem que já foi publicada?+
Gerar sem passar por uma vitrine
O fotoslinkedin gera a foto a partir de 1 a 5 fotos suas com o gpt-image-2. Não existe feed da comunidade: a galeria fica atrás de login e mostra as suas gerações. A primeira imagem é grátis, sem cartão.
Resumo e próximos passos
Três frases para levar. Em parte dos geradores a imagem nasce pública, e o botão que corrige isso mora no plano caro, não no de entrada. O que fica exposto não é só o rosto: o prompt vai junto, e num retrato profissional ele costuma trazer idade, cargo e cidade. E quase toda correção age no futuro: ligar a chave hoje não muda a imagem de ontem, que precisa ser trocada uma a uma.
O próximo passo prático é o mais barato: rode a checagem de três perguntas na ferramenta que você já usa, antes da próxima geração. Se ela tiver galeria, abra o feed em aba anônima e clique numa imagem qualquer para ver quanto se enxerga da vida de quem a criou. Depois disso, reescreva o seu prompt separando identidade visual de identidade civil.
Para escolher a rota de geração com critério de resultado, e não só de visibilidade, o pilar reúne os oito prompts master testados e o fluxo inteiro, e o teste lado a lado das rotas está em as três rotas comparadas na mesma pessoa. E se a sua dúvida for a outra ponta, o que a ferramenta faz com o arquivo antes de existir qualquer vitrine, o artigo da entrada está linkado no primeiro parágrafo desta página.
Pedro Mota
Pedro Mota é fundador da fotoslinkedin.com.br, ferramenta de IA que transforma uma selfie em foto profissional pronta pro Linkedin em 60 segundos. Antes, atuou com design e produto digital. Hoje vê centenas de fotos por semana e escreve sobre o que funciona pra carreira no Brasil em 2026.



