A capa do podcast não é a sua foto de perfil: é um cartaz quadrado que precisa carregar o nome do programa dentro dos próprios pixels, e é por isso que o rosto sai do centro. A regra publicada é 1.400 a 3.000 px, quadrada, PNG ou JPG, em RGB e sem canal alfa.
O que subir hoje: a regra publicada, loja por loja
Você tem um retrato profissional que funciona bem no perfil e um programa para lançar. Parece a mesma tarefa: pegar o mesmo arquivo e colocar num campo novo. Não é. O campo se chama arte de capa do podcast, o arquivo é obrigatoriamente quadrado, ele precisa exibir o nome do programa dentro da própria imagem e a loja distribui um template com área segura marcada. O retrato que você já tem nasceu centralizado e sem lugar para uma letra sequer. O problema nasce daí, e não da resolução do arquivo.
Se você veio buscar o número para exportar agora, ele é este. Todos os literais abaixo foram lidos nas páginas oficiais em 29/08/2026:
- Quadrado, 1:1, sem exceção nas três lojas deste artigo.
- 3.000 x 3.000 px, ou de 1.400 a 3.000 px quando a arte chega por feed RSS, com a maior sendo a preferida. A página do Apple Podcasts sobre a Show Cover, que é o nome oficial da capa do programa é onde isso está escrito.
- PNG ou JPG, e o mesmo vale para arte de episódio e ícone de canal.
- RGB. A exigência não está na página de especificação: está na de erros. O guia de solução de problemas de arte da Apple publica a mensagem "Colorspace not supported" com a explicação "Apple currently only supports image files that use RGB colorspace".
- Sem transparência e sem canal alfa, com fundo sólido antes de exportar. Um PNG recortado, de fundo vazado, é justamente o arquivo que a validação recusa.
- Com o nome do programa dentro da arte. A Apple pede o título "clear and prominent" e, na sequência, "limit additional text or logos". O título não é enfeite: é requisito do destino.
Do lado do Spotify, o artigo de ajuda que descreve o envio da capa é o oposto: ele ensina o caminho, avisa que "changes to your cover art typically reflect within 24 hours" e lembra que só dá para trocar a arte por lá se o programa estiver hospedado no próprio Spotify. Número, nenhum. Contei em 29/08/2026, nas 1.155 palavras da página: "pixel", "px", "jpg", "png", "resolution", "1400", "3000", "1:1", "RGB" e "minimum" aparecem zero vez. O número do Spotify existe, mas mora em outro endereço: um artigo de recursos sobre a arte do programa recomenda "aim for dimensions between 1400x1400 to 3000x3000 pixels, keeping a ratio of 1:1". Repare no verbo: é recomendação, não requisito.
E falta um número que a internet inteira repete e que nenhuma loja publica: o peso máximo do arquivo. Procurei "KB", "MB" e "file size" em nove páginas da Apple e nas duas do Spotify, em 29/08/2026: zero ocorrência sobre arte, e os únicos limites em megabyte são de áudio. Os 512 KB que aparecem em quase todo tutorial vêm de hospedeira, e estão na página de especificações da Transistor, atualizada em 17/07/2026. É um teto real, só que de quem hospeda o seu feed, e não de quem exibe a sua capa.
Uma última ausência, e essa é a mais incômoda para quem lê em português: nenhuma das duas lojas publica essa regra em pt-BR. O caminho em português da Apple devolve 404 e a lista de idiomas do rodapé não tem português; no Spotify, o endereço brasileiro do mesmo artigo redireciona e entrega "Página não encontrada". Quem procura a regra oficial na própria língua não tem para onde ir.
A capa do podcast identifica o programa, e o rosto entra a serviço disso
Aqui está a diferença que nenhuma das cinco primeiras páginas da busca escreve, e ela explica todo o resto. Uma foto de perfil responde à pergunta "quem é essa pessoa". Uma capa de podcast responde a "que programa é esse". São perguntas diferentes, e o arquivo que responde à segunda precisa conter uma coisa que o retrato não tem: texto.
A prova não é opinião, é literal publicado. A Apple pede que o título do programa seja "clear and prominent" e completa: "your title will appear in various sizes and on different devices, so keep it legible and recognizable at scale". O Spotify, no artigo de recursos, manda o mesmo em outra ordem: "keep your text limited to the title of your show" e, sobre a foto, "use photography with clear subjects on a simple background", porque "you'll want to make sure your text stands out on the photograph". Duas lojas diferentes descrevendo o mesmo conflito: a imagem e a palavra disputam o mesmo quadrado.
E, quando a loja quer mesmo a sua cara, ela pede outro arquivo. O Apple Podcasts distribui template para quatro tipos de arte: capa do programa, arte de episódio, arte de página inteira em PSD e ícone de canal. A descrição desse último é reveladora: "your Channel Icon is like your channel's profile picture", "it appears in a circle format in various sizes" e "center align the icon". Repare que a instrução é o inverso da capa: no ícone você centraliza, porque não há texto competindo. É a própria Apple desenhando a fronteira entre foto de perfil e cartaz.
O contraexemplo mais interessante vem do SoundCloud, que junta os dois objetos num só. A página de ajuda sobre a arte do podcast diz, com todas as letras, "the artwork of your podcast will always be your profile picture on SoundCloud". Ou seja: a plataforma que trata capa e foto de perfil como o mesmo arquivo é justamente a que exige que a sua foto de perfil tenha "at least 1400x1400 pixels and no larger than 3000x3000". Quando os dois papéis colidem, quem manda é a regra do cartaz.
Vale marcar duas fronteiras aqui, porque o nome das coisas confunde. A primeira: se o que você está resolvendo é o círculo que identifica quem publica, e não o programa, o assunto é outro, com outro arquivo e outra régua de tamanho. A segunda: "capa" também é o nome do banner do Linkedin, e ali não há nada em comum além da palavra. Aquele é um retângulo largo de 1.584 x 396 px, com o seu rosto por cima dele; este é um quadrado de 3.000 px que precisa caber um título dentro. Confundir os dois é exportar o arquivo errado duas vezes.
A área segura, medida dentro do template que a Apple distribui
A Apple publica templates em PSD para cada tipo de arte e diz para que servem: o arquivo "helps you place design elements within the art safe area so they won't be cropped or obstructed by user interface elements, like the play button, labels, or subscription offerings". O que ela não publica é o número. Então medi.
O método, em duas frases: baixei os zips oficiais ligados ao guia de artes do Apple Podcasts e abri cada PSD com um leitor de formato escrito para isso, lendo cabeçalho, perfil de cor e registros de camada. Depois decodifiquei a camada de guias e varri linha a linha os limites dos retângulos rotulados "ART SAFE AREA" e "UI AREA", em 29/08/2026, sobre os arquivos servidos naquele dia.
O que apareceu:
- Os três templates que abri têm 3.000 x 3.000 px e 16 bits por canal. Nos dois em que li o perfil de cor, a capa do programa e a arte de episódio, o ICC gravado é "Display P3", assinado pela Apple, com 72 dpi no metadado de resolução, que é só um rótulo do arquivo e não altera um pixel.
- Na capa do programa, a camada de área segura cobre 100% do quadrado, sem máscara nenhuma. A Apple não marca sub-região na Show Cover: o cartaz é livre, e é por isso que ela precisa dizer em texto onde o título deve ficar.
- Na arte de episódio, a área segura cai para 56,70% do quadrado. Toda a faixa abaixo da linha de 2.150 px é território da interface: são 850 px, ou 28,3% da altura, onde nada é seguro.
- Ainda na arte de episódio, há um bloco de interface de 1.720 x 188 px no canto superior direito e outro de 780 x 670 px no canto inferior esquerdo. A margem reservada nas outras três bordas é de 70 px.
- No ícone de canal, a camada se chama "Art Safe Area CIRCLE" e mede 78,62% do quadrado, praticamente o círculo inscrito, cuja área teórica é 78,54%. A diferença é serrilhado e rótulo.

A conta que vira instrução de layout é esta: o maior retângulo que cabe inteiro dentro da área segura da arte de episódio mede 2.080 x 1.892 px, o equivalente a 43,73% do quadrado, e o centro dele fica a 63,0% da largura e 40,1% da altura. Traduzindo: o próprio template da Apple empurra o assunto para cima e para a direita. Se você posicionar o rosto no centro geométrico, ele fica exatamente na fronteira do que a interface pode cobrir.
Três limites obrigatórios, porque medição sem limite vira folclore. Primeiro: isto é o que está desenhado dentro do arquivo que a Apple distribui, não um número que ela publica em texto. Segundo: o template da arte de episódio tem data de 2023 e o da capa é de 2025, e a interface pode ter mudado desde então. Terceiro: o perfil Display P3 é do arquivo do template, e ele não contradiz a exigência de "RGB colorspace", porque Display P3 é um espaço RGB. Se essa distinção for nova para você, a diferença entre sRGB e Display P3 cabe em uma frase e tem artigo próprio.
Quanto sobra do rosto e do nome na miniatura
Exportar em 3.000 px é fácil. O problema é que a decisão sobre a sua capa não acontece nesse tamanho. Ela acontece numa lista, e a lista é pequena.
Para saber o quanto, medi as próprias páginas públicas do Apple Podcasts na vitrine brasileira em 29/08/2026: a lista de mais tocados, a página de novidades e uma página de programa. Em cada uma, li o atributo que o site declara como largura de exibição da imagem. Na grade de programas, a capa é desenhada com 150 px de lado em janela de celular e 250 px em janela larga. Na linha de episódio, são 120 px. O menor bloco medido tem 60 px. A capa grande, da página do programa, chega a 530 px, e é o maior slot que encontrei.
Com esses números dá para fazer a conta que ninguém faz. Assumindo o arquivo de 3.000 px, um piso de legibilidade de 11 pt (o mínimo que a própria Apple recomenda para texto de interface em iOS, no guia de tipografia das diretrizes de interface humana, adotado aqui com a premissa de 1 pt equivalendo a 1 px lógico) e a cabeça ocupando 45% da altura da capa, a tabela abaixo mostra o que sobra em cada tamanho de exibição.
Duas frases saem daí e mudam qualquer layout. A primeira: a arte que você exportou com 9.000.000 de pixels é julgada, na linha de episódio, numa miniatura de 14.400 pixels. São 0,16% do arquivo. Todo o resto do trabalho existe para sobreviver a essa redução.
A segunda: para o nome do programa continuar legível na linha de episódio, ele precisa de pelo menos 275 px de altura dentro do arquivo de 3.000 px. Quase um décimo da capa, só para o título. Se você quiser que ele sobreviva também no menor bloco, de 60 px, são 550 px, ou 18,3% da altura. Some a margem de 70 px medida no template e você chega a cerca de 20% da altura comprometidos antes de posicionar qualquer rosto.
É daí que vem a conclusão prática: com perto de 20% da altura reservados a título e margem no cenário mais exigente, a cabeça não cabe centralizada. E aqui aparece uma contradição honesta entre três documentos que o blog já usa. A norma da ICAO para cadastro biométrico de documento de viagem manda centrar o rosto entre 45% e 55% da largura. O padrão de foto de perfil, que é o de quase todo retrato profissional, também põe a cabeça no meio do quadro. E a área segura medida no template da Apple põe o centro útil a 63% da largura. Três referências, três posições, um arquivo só. A da loja vence, porque é ela que desenha a tela.
Vale dizer o óbvio para não sobrar dúvida: uma capa de podcast nunca é arquivo de cadastro. A régua biométrica entra aqui só como escala de comparação, para você ter noção de quanto rosto sobra. Com 16 px entre os olhos na linha de episódio, o que a pessoa reconhece não é você: é uma silhueta com uma cor. Esse é o mesmo raciocínio de quatro verbos que qualquer contêiner executa sobre a sua foto, aplicado a um destino que, diferente da maioria, publica template.
Como transformar o retrato que você já tem em capa
Suponha que você já tem um bom retrato: fundo limpo, luz decente, expressão certa, enquadrado do peito para cima. Ele foi feito para um círculo pequeno, e a régua que este blog publica para foto de perfil põe a cabeça entre 55% e 65% da altura, no meio do quadro. Transformar isso em capa começa por um recorte quadrado feito no maior arquivo que você tiver, antes de posicionar qualquer texto, e segue por duas decisões que o recorte sozinho não resolve.
A cabeça encolhe e sai do meio
No perfil, cabeça grande é qualidade. Na capa, cabeça grande atropela o título. A régua que funciona é a cabeça ocupando cerca de 45% da altura, com o centro dela perto de 63% da largura e 40% da altura. Esse par de números não é regra publicada para a capa do programa: é o centro do maior retângulo seguro que medi dentro do template da arte de episódio, adotado aqui como convenção de layout porque cai exatamente onde o título precisa de espaço. Isso libera o canto inferior esquerdo, que é justamente a região ocupada pela interface na arte de episódio e onde o título respira na capa. A decisão não é estética: é orçamento de espaço.
O fundo vira uma cor, não um lugar
Fundo com cenário compete com o texto e some na miniatura. Cor chapada resolve três problemas de uma vez: garante contraste para as letras, obedece à proibição de transparência e evita que a cabeça funda com o fundo em tamanho pequeno. A Apple ainda acrescenta um detalhe que quase ninguém repete: se o seu fundo for preto ou branco, "consider using a slightly different color value so your Show Cover doesn't blend into the app background". É recomendação, não requisito, e é o tipo de coisa que só se descobre depois de publicar.
Um aviso de direito, porque a própria loja escreve: as políticas de arte do Apple Podcasts pedem "only include images that you have the rights to use" e citam explicitamente direito de imagem e marca. Rosto de convidado na arte, logotipo de empresa que não é sua e imagem de banco sem licença comercial são os três casos que caem nessa linha. A mesma página avisa que a Apple "may reject or remove artwork that does not adhere to our policies".
O prompt que gera o retrato feito para virar capa
Se o retrato ainda vai ser gerado, dá para pedir a composição certa desde o começo, em vez de consertar no recorte. O bloco abaixo é o mesmo esqueleto de um prompt de retrato profissional, com quatro linhas que só existem por causa deste destino.
Use the attached photo as the only identity reference. Preserve face shape,
skin tone, age, hair texture and natural asymmetries. Do not beautify,
do not de-age, do not slim my jaw or neck.
Framing: square 1:1, head and shoulders. My head occupies about 45% of the
frame height. Place the centre of my head at roughly 63% of the width and
40% of the height, so the lower left area stays empty: that space is
reserved for the show title, which is added later in a design tool.
Background: one flat solid colour, no gradient, no room, no props. The
background luminance must be clearly different from my hair, with a subtle
rim light separating my hair and shoulders from it. Keep the four corners
empty.
Wardrobe and mood: navy blazer over a light-blue shirt, no tie. Confident
and approachable, subtle natural smile.
Rendering: realistic editorial portrait photography, 85mm perspective, soft
window daylight from camera-left, visible pores and flyaway hairs, no beauty
retouching.
Negatives: no text, no letters, no numbers, no logos, no watermark. Do not
produce a transparent background; the image must be fully opaque.
Output: square 1:1.Em português, resumido: a foto anexada é a única referência de identidade, com rosto, pele, idade, cabelo e assimetrias preservados e proibição de embelezar, rejuvenescer ou afinar mandíbula e pescoço; enquadramento quadrado de cabeça e ombros, cabeça a 45% da altura e centro da cabeça a 63% da largura e 40% da altura, deixando o canto inferior esquerdo vazio para o nome do programa; fundo de uma cor chapada, sem cenário e sem objetos, com luminância diferente do cabelo e luz de contorno discreta; blazer azul-marinho, camisa azul-clara, sem gravata, expressão confiante com sorriso discreto; renderização realista de 85 mm com luz de janela pela esquerda, poros e fios soltos, sem retoque; nada de texto, logotipo ou marca d'água; nada de fundo transparente; saída quadrada 1:1.
As quatro linhas que não estariam ali se o destino fosse outro:
- "Place the centre of my head at roughly 63% of the width and 40% of the height" sai da medição que fiz no template da arte de episódio. É a linha que impede o reaproveitamento cego de um retrato de perfil, que nasce centralizado e chega aqui com o rosto onde o título deveria estar.
- "That space is reserved for the show title" existe porque o espaço vazio não é estética, é requisito: as duas lojas mandam o nome do programa aparecer na arte, e ele precisa de um lugar. O vazio é orçamento de layout.
- As linhas "one flat solid colour, no gradient, no room, no props" e "the background luminance must be clearly different from my hair" resolvem três exigências ao mesmo tempo: a proibição de transparência, a recomendação de não fundir com o fundo do aplicativo e o conselho do próprio Spotify de usar foto com assunto claro sobre fundo simples, para o texto se destacar.
- "No text, no letters, no numbers, no logos" existe porque o título vai na camada de design, e não nos pixels gerados. Não é que o modelo não saiba desenhar letra: a OpenAI declara limitação de posicionamento e nitidez de texto e, no mesmo fôlego, publica receita para gerar texto. O argumento é prático: texto gerado não é editável, e qualquer recorte posterior desloca a tipografia que o modelo escolheu. Logotipo inventado, esse sim, é motivo publicado de recusa nas políticas de arte.
O resto do bloco é o esqueleto comum de qualquer pedido de retrato: identidade, enquadramento, fundo, roupa, luz, textura e saída. Se algum desses componentes for novo para você, o texto-base do blog sobre como se pede um retrato a uma IA abre cada um deles com exemplos. E se a sua primeira reação foi exportar um PNG recortado, de fundo vazado, o artigo que trata do canal alfa formato por formato explica o que você ganha e o que perde.
Oito passos antes de exportar, nesta ordem
A ordem importa mais que os passos. Quase todo retrabalho de capa vem de escrever o título antes de fechar o recorte quadrado.
- Recorte quadrado primeiro. Faça o 1:1 no arquivo maior que existir, antes de posicionar qualquer elemento.
- Rosto fora do centro. Cabeça em torno de 45% da altura, centro perto de 63% da largura e 40% da altura, canto inferior esquerdo livre.
- Fundo sólido, sem canal alfa. Achate a transparência agora, não na exportação, para conferir o contraste com a cor real.
- Título com altura mínima. Pelo menos 275 px no arquivo de 3.000 px se você quiser legibilidade na linha de episódio, e 550 px se quiser sobreviver ao menor bloco.
- Contraste entre texto e foto. Quando a imagem for movimentada, o próprio Spotify sugere "using a block of color behind the text to separate it from the image".
- Teste da miniatura. Reduza a arte para 120 px e depois para 60 px e olhe de longe. O que sumiu, sumiu, e nenhum ajuste de nitidez traz de volta.
- Exportação. PNG ou JPG, em RGB, quadrado, entre 1.400 e 3.000 px, com 3.000 px sendo o preferido. Confira o teto de peso da sua hospedeira antes de subir.
- Upload com nome de arquivo novo, e 24 horas de paciência antes de concluir que deu errado.
O passo 8 é o que salva mais gente, e ele quase não aparece em tutorial. A página de solução de problemas da Apple lista, entre os requisitos da imagem nova, que ela "has a different filename than the previous one", e explica: "Apple Podcasts might not update the image if it checks your feed and the new image URL is exactly the same as the current image URL". Ou seja, exportar por cima do arquivo antigo com o mesmo nome é o jeito mais eficiente de trocar a capa e não ver troca nenhuma.
No Spotify, a arte de episódio é uma decisão sem desfazer: "once you've added custom artwork to an episode, you can't remove it completely". Dá para substituir pela arte principal do programa, não para voltar ao estado anterior. E ela segue a regra oposta sobre texto.
Arte de episódio: mesma dimensão, regra contrária e, no Spotify, sem desfazer
Aqui está o achado mais estranho desta pesquisa, e ele vem de duas páginas da mesma casa. A capa do programa manda o título ser claro e proeminente. A página da arte de episódio do Apple Podcasts manda o contrário: "avoid using your podcast logo or any text in the artwork". Mesmo arquivo quadrado, mesma faixa de 1.400 a 3.000 px, mesma proibição de canal alfa, e instruções opostas sobre a coisa mais visível da imagem.
A causa está publicada na frase seguinte: "the episode title, podcast title, and other episode information will be displayed beneath the Episode Art in the user interface". Na arte de episódio, quem escreve o texto é a interface. Na capa do programa, quem escreve é você. Não é contradição de gosto, é divisão de trabalho entre o seu arquivo e a tela. E é também a razão pela qual só a arte de episódio tem área de interface desenhada no template: as duas páginas declaram onde cada arte aparece, e a capa do programa aparece "everywhere", enquanto a arte de episódio aparece em telas específicas, como a de reprodução, a tela bloqueada e a central de controle.
Três consequências práticas. A primeira: se você não enviar arte de episódio, "Apple Podcasts will display your Show Cover artwork", o que na maioria dos casos é a decisão certa. A segunda: nem toda plataforma mostra arte de episódio, e o próprio Spotify avisa que "not all platforms display individual episode artwork; some always use your show's main artwork". A terceira, e a mais cara: no Spotify a arte de episódio não sai, só é substituída, e a troca só é possível pela versão web do painel de criadores.
A régua de risco, portanto, é assimétrica: a arte do programa é reversível em até 24 horas, a do episódio não é.
Quando alguma coisa der errado, a tabela abaixo cobre os oito casos mais comuns.
Limites honestos: o que este artigo não conseguiu confirmar
O teto de peso, medido lá em cima, continua sendo o buraco mais incômodo: nenhuma loja publica um, e o número que você vai obedecer é o da sua hospedeira.
As larguras de exibição vêm da web do Apple Podcasts, não do aplicativo nativo, e o número que li é largura de layout: em tela de alta densidade o aparelho pede o dobro disso em pixels de arquivo. Melhora a nitidez, não muda a composição, porque o tamanho aparente para o olho continua o mesmo.
O piso de 11 pt vem das diretrizes de interface da Apple para texto de interface, não para texto dentro de arte. Adotei como referência por ser o único piso publicado pela mesma empresa que desenha a tela, com a premissa de 1 pt equivalendo a 1 px lógico escrita junto. Se você tem um título curto e uma fonte pesada, provavelmente sobrevive abaixo disso. Se tem quatro palavras e uma fonte fina, nem 275 px salvam.
E há um limite do lado da ferramenta que vale dizer sem rodeio. Se você gerar o retrato aqui, a saída quadrada sai com 1.024 px de lado. Isso é retrato, e retrato bom, mas fica abaixo do mínimo de 1.400 px que o Apple Podcasts aceita por feed RSS. Na prática: o arquivo gerado é a camada de rosto, e a capa final é montada num editor, onde entram título, cor de fundo, ampliação do arquivo e exportação no tamanho certo. Ampliar depois é possível, mas o preço de aumentar um arquivo que nasceu pequeno aparece primeiro na pele e no cabelo, e vale saber disso antes de decidir.
Por fim, uma ausência que é conclusão e não desculpa: das cinco primeiras páginas que abri sobre o assunto, somando 8.782 palavras, nenhuma menciona área segura, nenhuma publica o tamanho em que a capa é exibida e nenhuma trata do rosto de quem apresenta. Uma delas, inclusive, publica a régua de 640 a 10.000 px como se fosse do podcast: o número é oficial, mas é da página de capa de lançamento musical do Spotify, que é outra superfície e outro produto. Quando um número parece bom demais para ser específico, vale abrir a página de onde ele veio.
Perguntas frequentes
01Qual é o tamanho da capa de podcast em 2026?+
02Posso usar a minha foto profissional como capa do podcast?+
03A capa pode ter fundo transparente?+
04Por que a minha capa não atualizou no aplicativo?+
05A arte do episódio é a mesma coisa que a arte do programa?+
Gere o retrato; a arte vem depois
Aqui você gera o retrato quadrado em 1.024 x 1.024 px, escolhendo estilo, enquadramento e roupa. Título, layout e exportação da capa vêm depois, num editor. A primeira imagem é grátis nos parâmetros padrão.
Resumo e próximos passos
- A capa é um cartaz quadrado que identifica o programa, não um retrato que identifica você. Por exigência da loja, ela carrega o nome do programa, e é o texto que empurra o rosto para fora do centro.
- A regra publicada é quadrada, de 1.400 a 3.000 px, em PNG ou JPG, em RGB e sem canal alfa. Peso máximo não é publicado por loja nenhuma: o teto real é o da sua hospedeira.
- Medido dentro do template oficial: área segura de 100% do quadro na capa e de 56,70% na arte de episódio, com o centro do maior retângulo seguro a 63% da largura e 40% da altura.
- A decisão acontece entre 60 px e 250 px de exibição, não em 3.000 px. Para o título sobreviver na linha de episódio, ele precisa de 275 px de altura dentro do arquivo.
- A capa do programa é reversível em 24 horas, desde que o nome do arquivo mude. A arte de episódio, no Spotify, não é removível: só substituível.
Se a próxima superfície da sua lista for um convite de palestra, o dono do layout muda e a régua está em a foto que segue para a arte de um evento. Se for uma vitrine de serviço, onde o slot é ainda menor e o rosto disputa espaço com um logotipo, o texto é o perfil que um cliente encontra numa busca de prestador. E a altura de cabeça que este artigo encolheu para 45% saiu do pilar em que ele se pendura, onde a mesma cabeça precisa ocupar mais quadro, e não menos.
Pedro Mota
Pedro Mota é fundador da fotoslinkedin.com.br, ferramenta de IA que transforma uma selfie em foto profissional pronta pro Linkedin em 60 segundos. Antes, atuou com design e produto digital. Hoje vê centenas de fotos por semana e escreve sobre o que funciona pra carreira no Brasil em 2026.



