Aviso prévio: como funciona, prazo e cálculo em 2026

Aviso prévio em 2026: como funciona, a diferença entre trabalhado e indenizado, a tabela proporcional de até 90 dias e como calcular o valor que você tem a receber.

Guia · Publicado em · Atualizado em · 9 min de leitura

Pedro Mota

Fundador, fotoslinkedin.com.br

Ilustração de trabalhador recebendo uma carta de aviso prévio, com calendário ao lado e uma seta que cresce de 30 para 90 dias.

O que é o aviso prévio

O aviso prévio é a comunicação antecipada de que o contrato vai acabar. Quando a empresa demite sem justa causa, ou quando você pede demissão, a parte que encerra o contrato precisa avisar a outra com antecedência mínima de 30 dias, como prevê o art. 487 da CLT. A ideia é simples: dar tempo pra empresa repor a vaga e pro trabalhador se organizar e procurar outro emprego.

Esse período tem valor em dinheiro. Se for trabalhado, são 30 dias de salário normais. Se for indenizado, a empresa paga o equivalente sem você precisar ir trabalhar. Na demissão por justa causa, a empresa não deve aviso prévio, e aí entra outra história, que a gente cobre no guia sobre o que é justa causa e o que você perde.

Trabalhado ou indenizado: a diferença que pesa no bolso

Existem duas formas de cumprir o aviso, e elas mudam bastante o seu dia a dia nas últimas semanas de contrato.

Comparativo entre aviso prévio trabalhado (com redução de 2 horas por dia durante 30 dias) e aviso prévio indenizado (recebe e vai para casa sem trabalhar).

Aviso prévio trabalhado

Você continua indo trabalhar durante o período. Em compensação, quando é a empresa que demite, o art. 488 da CLT garante um alívio na rotina pra você caçar emprego: ou você reduz a jornada em 2 horas por dia, ou falta 7 dias corridos durante o aviso, sem desconto. Você escolhe. Esse direito não vale pra quem pede demissão.

Aviso prévio indenizado

A empresa dispensa você na hora e paga o valor do aviso como indenização. Você vai pra casa no mesmo dia e recebe esses dias junto com o restante da rescisão. Tem um detalhe que pouca gente sabe e que joga a seu favor: o aviso indenizado conta como tempo de serviço. Ou seja, ele entra no cálculo do 13º, das férias e do FGTS proporcionais. Não é dinheiro solto, é tempo de contrato projetado.

Prazo proporcional: de 30 a 90 dias

O aviso prévio começa em 30 dias, mas cresce conforme o tempo de casa. A Lei nº 12.506/2011 dá 3 dias a mais por ano completo trabalhado na mesma empresa, até o teto de 90 dias. Pelo entendimento do TST, o primeiro ano já conta: quem completa 1 ano de casa tem 33 dias, quem completa 2 anos tem 36, e assim por diante. Esse acréscimo é um direito de quem é demitido sem justa causa, não de quem pede demissão.

Na prática, a conta fica assim:

Tabela do aviso prévio proporcional
Tempo de empresaContaDias de aviso
Menos de 1 ano3030 dias
1 ano30 + (3 x 1)33 dias
2 anos30 + (3 x 2)36 dias
5 anos30 + (3 x 5)45 dias
10 anos30 + (3 x 10)60 dias
15 anos30 + (3 x 15)75 dias
20 anos ou mais30 + (3 x 20)90 dias (teto)

Lei nº 12.506/2011, que regula o aviso prévio proporcional ao tempo de serviço, conforme a leitura do TST e da Nota Técnica 184/2012 do Ministério do Trabalho (anos completos na mesma empresa).

Quem pede demissão também dá aviso prévio

Muita gente acha que aviso prévio é só coisa de quem é mandado embora. Não é. Quando você pede demissão, é você que precisa avisar a empresa com 30 dias de antecedência, e em geral cumprir esse período trabalhando.

Se você não quiser ou não puder cumprir, a empresa pode descontar o valor de um salário (o equivalente aos 30 dias) das suas verbas rescisórias, como permite o art. 487, § 2º, da CLT. Em alguns casos dá pra negociar a dispensa do cumprimento, principalmente se você já tem outro emprego com data pra começar. Vale conversar com o RH antes de simplesmente parar de aparecer, porque parar sem avisar pode virar abandono de emprego.

Uma diferença que importa: quem pede demissão não tem direito ao proporcional (os 3 dias por ano) nem à redução de jornada. Esses dois benefícios são só pra quem é demitido sem justa causa.

Como calcular o valor do aviso prévio

O cálculo parte do seu salário mensal. Você divide o salário por 30 pra achar o valor do dia, e multiplica pela quantidade de dias de aviso a que tem direito.

Um exemplo com o salário mínimo de 2026, que é de R$ 1.621: o dia vale cerca de R$ 54. Quem tem 5 anos completos de casa e é demitido sem justa causa tem direito a 45 dias de aviso, o que dá em torno de R$ 2.430 só de aviso prévio indenizado. Quem ganha R$ 3.000 e está há 5 anos teria o dia a R$ 100 e 45 dias, ou seja, cerca de R$ 4.500.

Lembre que o aviso é uma das verbas da rescisão, não a única. Ele entra junto com saldo de salário, 13º proporcional, férias proporcionais e a multa de 40% do FGTS (no caso de demissão sem justa causa). E a empresa tem um prazo curto pra pagar tudo: 10 dias corridos após o fim do contrato, pelo art. 477 da CLT. Atrasou, cabe multa a seu favor, no valor de um salário.

No aviso? Aproveite pra preparar a volta ao mercado

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O que fazer depois

O aviso prévio é, na real, uma janela. São pelo menos 30 dias em que você ainda tem renda e já sabe que vai sair. Quem usa esse tempo pra começar a busca chega no desemprego com vantagem em vez de começar do zero.

Aproveite a redução de jornada (se o aviso for trabalhado) ou o tempo livre (se for indenizado) pra resolver o básico: atualizar o currículo, caprichar na foto profissional do currículo. Se a sua saída não foi tranquila e você desconfia que virou justa causa, vale entender como reverter uma justa causa antes de assinar qualquer coisa.

Perguntas frequentes

Quantos dias de aviso prévio eu tenho direito?
São 30 dias na base, mais 3 dias por ano completo trabalhado na mesma empresa, até o teto de 90 dias. Pelo entendimento do TST, o primeiro ano já conta: 1 ano completo dá 33 dias. Esse acréscimo proporcional vale para quem é demitido sem justa causa. Quem pede demissão cumpre os 30 dias.
Qual a diferença entre aviso prévio trabalhado e indenizado?
No trabalhado, você continua indo ao trabalho durante o período e, quando é demitido, tem direito a reduzir 2 horas por dia ou faltar 7 dias corridos. No indenizado, a empresa dispensa você na hora e paga o valor do aviso sem que você precise comparecer.
O aviso prévio proporcional vale para quem pede demissão?
Não. Os 3 dias por ano e a redução de jornada são direitos de quem é demitido sem justa causa. Quem pede demissão deve cumprir os 30 dias de aviso, sem o acréscimo proporcional.
Como calcular o valor do aviso prévio?
Divida o salário mensal por 30 para achar o valor do dia e multiplique pela quantidade de dias de aviso a que você tem direito. Com salário de R$ 3.000 e 45 dias de aviso, por exemplo, o valor fica em torno de R$ 4.500.
Posso ser dispensado de cumprir o aviso prévio?
Sim, isso pode ser negociado. Se você pediu demissão e não quer cumprir, a empresa pode dispensar o cumprimento ou descontar um salário das verbas. Combine com o RH antes de parar de comparecer, porque abandonar o posto pode ser tratado como abandono de emprego.
O aviso prévio indenizado conta como tempo de serviço?
Sim. O período do aviso indenizado é projetado no contrato e entra no cálculo do 13º, das férias e do FGTS proporcionais. Não é apenas um pagamento isolado, é tempo de serviço somado.
Em quanto tempo a empresa precisa pagar a rescisão?
A empresa tem 10 dias corridos após o fim do contrato para pagar todas as verbas rescisórias, incluindo o aviso prévio. Se atrasar, cabe multa em favor do trabalhador, no valor de um salário.

Resumo e próximos passos

Aviso prévio é o intervalo entre o anúncio da saída e o fim do contrato: 30 dias mais 3 por ano, até 90, podendo ser trabalhado ou indenizado. Quem é demitido sem justa causa ganha o proporcional e a redução de jornada; quem pede demissão cumpre os 30 dias.

Use o aviso a seu favor: é tempo com renda pra começar a recolocação. Comece pela foto do currículo e monte o seu currículo de graça. E se a sua demissão veio com acusação de falta grave, entenda primeiro o que é justa causa e como contestar.

Saindo do emprego, o aviso é só uma das verbas. Veja tudo que entra na rescisão trabalhista e, se a saída foi sem justa causa, como pedir o seguro-desemprego dentro do prazo.

Para entender o resto dos seus direitos, veja como calcular o valor das férias e do abono, entenda o 13º salário e por que a segunda parcela vem menor e confira quando dá pra sacar o FGTS e a multa de 40%.

Se havia saldo de banco de horas antes da saída, confira o espelho de ponto antes de assinar. Horas positivas vencidas podem entrar na rescisão, e o guia de banco de horas em 2026 mostra quando o saldo vira hora extra.

Se o encerramento nasce de falta grave da empresa, o aviso prévio pode ser discutido de outro jeito. Veja o guia de rescisão indireta antes de tratar tudo como pedido de demissão.

Se a mudança de emprego inclui uma proposta como pessoa jurídica, compare direitos e riscos antes de formalizar a saída. Veja quando CLT ou PJ compensa mais.

Pedro Mota

Fundador, fotoslinkedin.com.br

Pedro Mota é fundador da fotoslinkedin.com.br, ferramenta de IA que transforma uma selfie em foto profissional pronta pro Linkedin em 60 segundos. Antes, atuou com design e produto digital. Hoje vê centenas de fotos por semana e escreve sobre o que funciona pra carreira no Brasil em 2026.

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