Aviso prévio é o tempo entre o anúncio da demissão e o último dia de contrato. São 30 dias mais 3 por ano trabalhado, até 90, e ele pode ser trabalhado ou pago sem você precisar comparecer.
O que é o aviso prévio
O aviso prévio é a comunicação antecipada de que o contrato vai acabar. Quando a empresa demite sem justa causa, ou quando você pede demissão, a parte que encerra o contrato precisa avisar a outra com antecedência mínima de 30 dias. A ideia é simples: dar tempo pra empresa repor a vaga e pro trabalhador se organizar e procurar outro emprego.
Esse período tem valor em dinheiro. Se for trabalhado, são 30 dias de salário normais. Se for indenizado, a empresa paga o equivalente sem você precisar ir trabalhar. A única situação em que ninguém deve aviso prévio é a demissão por justa causa, e aí entra outra história, que a gente cobre no guia sobre o que é justa causa e o que você perde.
Trabalhado ou indenizado: a diferença que pesa no bolso
Existem duas formas de cumprir o aviso, e elas mudam bastante o seu dia a dia nas últimas semanas de contrato.

Aviso prévio trabalhado
Você continua indo trabalhar durante o período. Em compensação, quando é a empresa que demite, a lei garante um alívio na rotina pra você caçar emprego: ou você reduz a jornada em 2 horas por dia, ou falta os últimos 7 dias corridos do aviso, sem desconto. Você escolhe. Esse direito não vale pra quem pede demissão.
Aviso prévio indenizado
A empresa dispensa você na hora e paga o valor do aviso como indenização. Você vai pra casa no mesmo dia e recebe esses dias junto com o restante da rescisão. Tem um detalhe que pouca gente sabe e que joga a seu favor: o aviso indenizado conta como tempo de serviço. Ou seja, ele entra no cálculo do 13º, das férias e do FGTS proporcionais. Não é dinheiro solto, é tempo de contrato projetado.
Prazo proporcional: de 30 a 90 dias
O aviso prévio começa em 30 dias, mas cresce conforme o tempo de casa. A regra do aviso prévio proporcional dá 3 dias a mais por ano completo trabalhado, a partir do segundo ano, até o teto de 90 dias. Esse acréscimo é um direito de quem é demitido sem justa causa, não de quem pede demissão.
Na prática, a conta fica assim:
Pelo entendimento do TST, quando o aviso proporcional passa de 30 dias, só os primeiros 30 são trabalhados. O período que excede esse total é sempre indenizado, ou seja, pago sem você precisar comparecer.
Quem pede demissão também dá aviso prévio
Muita gente acha que aviso prévio é só coisa de quem é mandado embora. Não é. Quando você pede demissão, é você que precisa avisar a empresa com 30 dias de antecedência, e em geral cumprir esse período trabalhando.
Se você não quiser ou não puder cumprir, a empresa pode descontar o valor de um salário (o equivalente aos 30 dias) das suas verbas rescisórias. Em alguns casos dá pra negociar a dispensa do cumprimento, principalmente se você já tem outro emprego com data pra começar. Vale conversar com o RH antes de simplesmente parar de aparecer, porque parar sem avisar pode virar abandono de emprego.
Uma diferença que importa: quem pede demissão não tem direito ao proporcional (os 3 dias por ano) nem à redução de jornada. Esses dois benefícios são só pra quem é demitido sem justa causa.
Como calcular o valor do aviso prévio
O cálculo parte do seu salário mensal. Você divide o salário por 30 pra achar o valor do dia, e multiplica pela quantidade de dias de aviso a que tem direito.
Um exemplo com salário mínimo de 2026, que é de R$ 1.621: o dia vale cerca de R$ 54. Quem tem 5 anos de casa e é demitido sem justa causa tem direito a 42 dias de aviso, o que dá em torno de R$ 2.268 só de aviso prévio indenizado. Quem ganha R$ 3.000 e está há 5 anos teria o dia a R$ 100 e 42 dias, ou seja, cerca de R$ 4.200.
Lembre que o aviso é uma das verbas da rescisão, não a única. Ele entra junto com saldo de salário, 13º proporcional, férias proporcionais e a multa de 40% do FGTS (no caso de demissão sem justa causa). E a empresa tem um prazo curto pra pagar tudo: 10 dias corridos após o fim do contrato. Atrasou, cabe multa a seu favor.
No aviso? Aproveite pra preparar a volta ao mercado
Os dias de aviso são o melhor momento pra organizar a recolocação. Monte um currículo limpo de graça e atualize sua foto profissional antes mesmo de sair.
O que fazer depois
O aviso prévio é, na real, uma janela. São pelo menos 30 dias em que você ainda tem renda e já sabe que vai sair. Quem usa esse tempo pra começar a busca chega no desemprego com vantagem em vez de começar do zero.
Aproveite a redução de jornada (se o aviso for trabalhado) ou o tempo livre (se for indenizado) pra resolver o básico: atualizar o currículo, caprichar na foto profissional do currículo e começar a aplicar pras vagas abertas por cargo e cidade. Se a sua saída não foi tranquila e você desconfia que virou justa causa, vale entender como reverter uma justa causa antes de assinar qualquer coisa.
Perguntas frequentes
01Quantos dias de aviso prévio eu tenho direito?+
02Qual a diferença entre aviso prévio trabalhado e indenizado?+
03O aviso prévio proporcional vale para quem pede demissão?+
04Como calcular o valor do aviso prévio?+
05Posso ser dispensado de cumprir o aviso prévio?+
06O aviso prévio indenizado conta como tempo de serviço?+
07Em quanto tempo a empresa precisa pagar a rescisão?+
Resumo e próximos passos
Aviso prévio é o intervalo entre o anúncio da saída e o fim do contrato: 30 dias mais 3 por ano, até 90, podendo ser trabalhado ou indenizado. Quem é demitido sem justa causa ganha o proporcional e a redução de jornada; quem pede demissão cumpre os 30 dias.
Use o aviso a seu favor: é tempo com renda pra começar a recolocação. Comece pela foto do currículo, monte o seu currículo de graça e veja as vagas por cargo e cidade. E se a sua demissão veio com acusação de falta grave, entenda primeiro o que é justa causa e como contestar.
Saindo do emprego, o aviso é só uma das verbas. Veja tudo que entra na rescisão trabalhista e, se a saída foi sem justa causa, como pedir o seguro-desemprego dentro do prazo.
Para entender o resto dos seus direitos, veja como calcular o valor das férias e do abono, entenda o 13º salário e por que a segunda parcela vem menor e confira quando dá pra sacar o FGTS e a multa de 40%.
Pedro Mota
Pedro Mota é fundador da fotoslinkedin.com.br, ferramenta de IA que transforma uma selfie em foto profissional pronta pro Linkedin em 60 segundos. Antes, atuou com design e produto digital. Hoje vê centenas de fotos por semana e escreve sobre o que funciona pra carreira no Brasil em 2026.



