FotosLinkedin
Blog/Guia/foto-no-perfil-de-plataforma-de-saude

Foto no perfil de plataforma de agendamento: as duas réguas que decidem a sua imagem

A plataforma pede pelo menos 100x100 px e o rosto em 60% da área: a conta entrega uma cabeça de 77 px. Medimos 56 avatares servidos numa lista de resultados (mediana de 221 px) e reunimos, ao lado disso, o que CFM, CFO, CFP e COFFITO publicam sobre a imagem que você anuncia.

PM
Pedro Mota
Fundador, fotoslinkedin.com.br
Retrato num quadro: por baixo, uma mão encosta uma régua na borda sob "o arquivo"; por cima, outra mão paira um carimbo sob "o que a imagem afirma".
Guiafotoslinkedin · 2026
Em uma frase

A central de ajuda pede pelo menos 100x100 px e o blog da plataforma pede o rosto em 60% da área: a conta entrega uma cabeça de cerca de 77 px e 22 a 25 px entre os olhos. Suba 1:1 com 1.024 px. O seu conselho não mede pixel, mede o que a imagem afirma.

A régua dupla da foto de perfil em plataforma de agendamento de consulta

A foto de perfil em plataforma de agendamento de consulta parece um campo simples: você abre o painel do perfil, clica em trocar a foto e sobe um arquivo. Atrás desse botão existem duas listas de regras, escritas por gente diferente, e elas medem coisas diferentes. A plataforma regula o arquivo que aceita: dimensão mínima, o que não pode aparecer no quadro, o que ela chama de simples. O seu conselho profissional regula outra coisa: o que a imagem publicada afirma sobre você e sobre o resultado do seu trabalho. Um campo, dois donos, e nenhuma das quatro páginas que a busca coloca no topo desse assunto menciona a segunda régua.

Que os dois mandam ali é a própria plataforma quem escreve. Na página em que explica o perfil gratuito, ela diz que o serviço é "destinado a todos os profissionais de saúde, médicos, paramédicos, psicólogos e dentistas, com licenças válidas de seus respectivos conselhos" e que, antes de publicar, "precisaremos validar o seu número de colegiado ou diploma. Nossa equipe de moderação realiza esse trabalho diretamente junto aos seus respectivos conselhos" (consultado em 11/08/2026). O seu cadastro passa pelo conselho antes de a foto aparecer para alguém.

Duas delimitações antes da tabela. Esta página descreve texto publicado, o da plataforma e o das normas, e não é orientação ética nem jurídica: ela não diz se um caso concreto é infração, e quem responde isso é o seu conselho regional. E o levantamento norma por norma já tem casa própria: o estudo de seis conselhos que abrimos documento por documento cobre CFM, OAB, CFO, CFP, COFFITO e CFC. Aqui o objeto é mais estreito: o campo de foto de um destino que publica requisito, a mesma classe de outro caso já mapeado no acervo, as plataformas de candidatura, que também publicam régua de arquivo, só que com um regulador a mais em cima.

As duas listas, linha por linha, com a fonte de cada célula:

A régua da plataforma e a do conselho, no mesmo campo de foto
Exigência
O que a plataforma publica
O que o conselho publica
O que fazer
Dimensão mínima
"pelo menos 100x100 pixels", na central de ajuda (11/08/2026)
nenhum dos conselhos abertos aqui publica dimensão de imagem
subir 1:1 com 1.024 px de lado ou mais
Peso e formato
nada em português; as edições da Colômbia, Argentina e Chile publicam "Peso máximo: 5MB" e "Formato: jpg o png"
não é objeto de norma de conselho
exportar em JPG e ficar abaixo de 5 MB, tratando o teto como referência de outro país
Uma pessoa só no quadro
"não seja uma foto de grupo" (ajuda) e "evite selfies" (blog da plataforma)
CFO-SEC-196/2019 autoriza a selfie do dentista, e exige consentimento por termo quando houver paciente na imagem
só você no quadro, com a câmera a 1 m ou mais
Filtro e efeito
"Evite usar filtros ou efeitos, mantenha simples"
a vedação de editar imagem do CFM está no capítulo da imagem de pacientes, não no retrato do profissional
sem filtro: nesta linha quem manda é a régua da plataforma
Cena clínica no fundo
sem "processos cirúrgicos, sala de espera, medicamentos ou instrumentos médicos"
CFO-SEC-196/2019 proíbe imagens que permitam identificar equipamentos, instrumentais e materiais
retrato com fundo liso, nenhuma cena de atendimento
Identificação profissional
não pede registro dentro da imagem; a moderação valida o seu conselho no cadastro
CFM: na página principal do perfil (art. 6º). CFO: em todas as publicações de imagem (art. 4º). COFFITO: na divulgação em meio eletrônico (art. 48). CFP: nome, CRP e número ao promover serviços (art. 20, "a")
preencher o campo de registro do perfil; texto sobre a foto, não
Pose e tom publicitário
sem "conteúdo sensível ou publicitário" e sem "poses exageradas ou publicitárias"
CFM veda portar-se de forma sensacionalista ou autopromocional (art. 11, XVI) e usar representações visuais que induzam à percepção de garantia de resultados (§ 2º, "f")
retrato sóbrio; a promessa, quando existe, mora na legenda, e é ela que o conselho lê
Preço ao lado da foto
o campo existe e é publicado na lista de resultados, colado ao avatar
CFM responde "Sim" a anunciar preço de consulta; CFO cita preços dentro de publicidade "enganosa, abusiva" (art. 44, I); CFP veda o preço "como forma de propaganda"
conferir com o seu conselho regional antes de preencher
Leitura própria das páginas da plataforma e das normas de CFM, CFO, CFP e COFFITO, todas abertas em 11/08/2026. Descrição de texto publicado, não orientação ética ou jurídica: o caso concreto quem decide é o seu conselho regional.

Duas leituras saem daí de imediato. A primeira: nenhuma das duas colunas fala de resolução de verdade, e por isso a seção seguinte é uma conta, não uma opinião. A segunda: a linha em que as réguas divergem não é a da foto, é a da identificação, e a resposta muda conforme a sigla do seu registro.

A especificação de arquivo que resolve

Se você veio copiar alguma coisa, é isto. A lista abaixo atende com folga o que a plataforma publica e não esbarra em nada que os conselhos abertos aqui escrevem sobre imagem.

  1. Proporção 1:1, com pelo menos 1.024 px de lado. Todas as derivadas que medimos na lista de resultados são quadradas, e o piso publicado é pequeno demais para o rosto sobreviver.
  2. Cabeça ocupando de 60% a 70% da altura do quadro, com uma folga de um dedo acima do cabelo.
  3. Busto, com os ombros visíveis e o rosto centralizado no eixo vertical.
  4. Fundo liso, de cor única, com claridade diferente da do seu cabelo.
  5. Arquivo em JPG. A saída do nosso gerador é WebP e as specs publicadas pelo grupo, nas edições em espanhol, pedem jpg ou png: converta antes de subir.
  6. Abaixo de 5 MB, que é o teto publicado pelas edições da Colômbia, da Argentina e do Chile da mesma central de ajuda.
  7. Sem texto na imagem: sem nome bordado legível, sem crachá, sem marca d'água, sem telefone, sem número de registro sobreposto.
  8. Sem cena clínica: nada de instrumental, medicamento, sala de espera ou procedimento ao fundo.

Se a foto vai ser gerada, ou se você vai passar um briefing para um fotógrafo, o que muda por causa deste destino são seis linhas. Elas são incrementais de propósito: a anatomia completa de um retrato profissional vive no pilar de prompts, e o bloco abaixo é só o que este campo acrescenta.

Square 1:1 output, 1024 x 1024 px.
Head and shoulders only: my head occupies about 65% of the frame height, with a small margin of empty space above my hair.
Plain single-colour background, evenly lit, clearly lighter or darker than my hair.
Plain white coat or plain shirt: no embroidered name, no badge, no lanyard, no printed logo.
No text anywhere in the image: no lettering, no numbers, no watermark, no frame.
No clinical scene: no instruments, no medication, no waiting room, no procedure in the background.

Em português, o bloco repete a lista acima em forma de instrução: quadrado de 1.024 px, cabeça e ombros com a cabeça em torno de 65% da altura, fundo liso de cor única, jaleco ou camisa sem nada escrito, nenhum texto e nenhuma cena clínica.

Por que cada linha está lá:

  • 1.024 px de lado: é o tamanho a partir do qual a distância entre os olhos, pela conta da próxima seção, encosta na boa prática do único padrão público que mede rosto em número.
  • Cabeça em 65% da altura: a leitura literal de "rosto em 60% da área" não convive com o "inclua também seus ombros" da mesma página, e 60% a 90% de altura de cabeça é a faixa que o relatório da ICAO publica para retrato de documento.
  • Fundo com claridade diferente do cabelo: em miniatura, cabelo e fundo de mesma luminância viram uma mancha só.
  • Jaleco liso: bordado e crachá são texto, e texto é a primeira coisa que uma imagem gerada erra; e, na mediana de 221 px que medimos, um nome bordado ocupa poucos pixels de altura.
  • Nenhum texto sobre a imagem: o registro profissional tem lugar melhor, o campo do perfil, como o material de perguntas do CFM responde com todas as letras.
  • Nenhuma cena clínica: é a única lista de proibição com exemplos que a central de ajuda publica, e ela cita processos cirúrgicos, sala de espera, medicamentos e instrumentos.

A conta dos 100x100 px: quanto rosto sobra

A central de ajuda publica um número e o blog da mesma empresa publica outro. Juntos, eles dão uma conta que nenhuma das páginas do topo faz.

A ajuda escreve: "Use uma imagem clara e de boa qualidade, com pelo menos 100x100 pixels de tamanho" (consultado em 11/08/2026). O blog escreve: "Prefira uma foto de seu busto, em que seu rosto ocupe pelo menos 60% da área da imagem. Inclua também seus ombros". São duas entradas publicadas: uma imagem de 10.000 px² e 6.000 px² reservados ao rosto. Todo o resto é multiplicação, e você refaz em trinta segundos.

A palavra área admite três leituras, e as três derrubam o piso:

  • Caixa quadrada em volta do rosto, a leitura mais generosa possível e geometricamente errada para uma cabeça: o lado é a raiz de 6.000, ou seja, 77,5 px. Isso é 77,5% da altura do quadro, e sobram 22,5% para cabelo, pescoço e ombros.
  • Caixa retangular na proporção de um rosto, com largura entre 0,60 e 0,74 da altura (razão que medimos em dois retratos que o próprio relatório da ICAO rotula como conformes): a cabeça sai com 90 a 100 px, encostando ou estourando o quadro de 100 px.
  • Área do oval do rosto, que é a leitura mais literal de "o rosto ocupar 60% da área", já que rosto não é quadrado: a cabeça precisaria de 101 a 112 px, mais alta que a imagem inteira. Não cabe.

Em nenhuma das três leituras a regra dos 60% convive com a frase que vem logo depois dela, na mesma página: "Inclua também seus ombros". Não é erro de ninguém: é o que acontece quando uma regra de área é escrita para um contêiner quadrado pequeno. E, mesmo na leitura mais generosa, o enquadramento que sai é de documento, não de busto: 77,5% de altura de cabeça cai dentro da faixa de 60% a 90% que o relatório da ICAO publica para foto de passaporte.

Cabeça de traço solto preenchendo um quadrado sob "rosto em 60% da área", com os ombros desenhados fora dele, cortados pela moldura, sob "e os ombros?".

A régua que decide se um rosto é legível não é megapixel: é a distância entre os olhos. O mesmo relatório técnico da ICAO escreve que "the IED in the captured photo shall be at least 90 pixels for legacy applications" e que um processo novo deveria mirar 240 px. É documento para cadastro de imagem em passaporte, e aqui ele entra como instrumento de medida: nenhuma plataforma de agendamento adota esse padrão e ninguém vai recusar o seu perfil por causa dele. O documento inteiro, com as quatro medidas e as faixas de inclinação, já foi aberto aqui. Medindo os retratos que ele mesmo rotula como conformes, a distância entre os olhos ficou entre 0,29 e 0,32 da altura da cabeça (n = 2, erro estimado de 3%). Com esse fator, qualquer lado de arquivo vira uma distância interocular.

Do lado do arquivo até a distância entre os olhos
Lado do arquivo quadrado
Altura da cabeça
Distância entre os olhos
Contra a régua da ICAO
80 px (a menor derivada que medimos)
62 px
18 a 20 px
20% a 22% do requisito de 90 px
100 px (o piso publicado)
77 px
22 a 25 px
24% a 28% do requisito
221 px (mediana do que a plataforma serve)
171 px
50 a 55 px
55% a 61% do requisito
400 px
310 px
90 a 99 px
chega ao requisito de 90 px: 401 px na leitura mais conservadora
640 px
496 px
144 a 159 px
passa o requisito, e fica em 60% a 66% da boa prática
1.024 px
793 px
230 a 254 px
passa, e encosta na boa prática de 240 px
Entradas publicadas pela plataforma (100x100 px e rosto em 60% da área) e limiares do relatório de qualidade de retrato da ICAO (90 px de piso, 240 px de boa prática). A conversão de altura de cabeça para distância entre os olhos é medição nossa, n = 2.

Invertendo a conta, saem os três números que viram recomendação. Para a distância entre os olhos passar de 60 px, que é a régua brasileira mais frouxa que localizamos (um manual de cadastro facial da Senior pede "distância pupilar superior a 60 pixels"), o arquivo precisa de 242 a 267 px de lado. Para cruzar os 90 px da ICAO, de 363 a 401 px. Para chegar aos 240 px de boa prática, de 968 a 1.068 px. É daí que sai o 1.024 px da especificação: é o primeiro tamanho redondo que encosta no teto, e é o que o nosso gerador entrega.

O que a plataforma serve não é o que você subiu

Existe um degrau entre o arquivo que você sobe e o pixel que o paciente vê. A plataforma guarda o original e serve derivadas quadradas em vários tamanhos, uma por superfície: lista de resultados, cartão do profissional, confirmação de agendamento, bloco de avaliação.

Para medir o degrau, baixamos uma página pública de resultados de uma especialidade numa cidade, extraímos os endereços de todos os avatares de profissional, baixamos cada arquivo e lemos a dimensão real no marcador SOF de cada JPEG. Amostra de 56 avatares distintos, em 11/08/2026. Nenhum profissional é nomeado aqui: publicamos a distribuição, nunca rosto, nome ou endereço de perfil.

  • Todas as derivadas são quadradas, 1:1.
  • Mediana de 221 px de lado, com mínimo de 120 px e máximo de 640 px.
  • 14 dos 56 avatares (25%) ficaram abaixo de 220 px. Outros 14 ficaram no topo, com 640 px.
  • Peso mediano de 15,2 kB, com mínimo de 4,6 kB e máximo de 57,6 kB.

O achado que sustenta a seção é outro: o nome da derivada não determina o tamanho. O mesmo slot chamado _medium_square voltou com 640 px em 14 casos e com 120 px em 10 casos; o _small_square voltou com 320 px na maioria e com 226, 222 e 184 px em outros. A plataforma não amplia. A derivada é limitada pelo arquivo original, e quem subiu pequeno continua pequeno em todas as superfícies, para sempre, sem nenhuma tela avisando.

Dois quadrados vazios de tamanhos bem diferentes com a mesma etiqueta "igual"; ao lado, uma figura junto ao cartão com retrato sob "o que você subiu".

Vale saber onde essa imagem aparece. Na mesma página, a lista de resultados publica um ItemList em application/ld+json com 29 itens do tipo Physician, e os 29 trazem a propriedade image apontando para a derivada quadrada do avatar, ao lado de aggregateRating e de availableService.offers.price. A sua foto não é só um elemento visual da página: ela é publicada como propriedade de um item estruturado, no mesmo bloco em que vivem a nota das avaliações e o preço da consulta. O que cada buscador faz com esse bloco é outra conversa, e não é a desta página.

E o texto alternativo que a plataforma gera para cada avatar segue o padrão nome do profissional, especialidade e cidade: o seu nome já viaja em texto colado à imagem, o que torna redundante escrever qualquer coisa por cima do seu rosto.

Sintoma, causa e correção

Cinco defeitos aparecem quase sempre nos perfis de saúde, e todos têm causa mensurável e conserto de dez minutos.

Diagnóstico da foto que já está no ar
Sintoma
Causa provável
Como confirmar
Correção
Rosto vira mancha na lista de resultados
o arquivo original é pequeno e a plataforma não amplia: a derivada herda o teto do que você subiu
abra a sua foto em uma aba separada e leia a dimensão real do arquivo servido
subir de novo, 1:1, com 1.024 px de lado ou mais
Cabeça cortada ou rosto colado na borda
enquadramento pensado para retrato vertical, sem folga acima do cabelo, dentro de um contêiner quadrado
recorte o arquivo em 1:1 antes de subir e veja o que sobra em cima e nos lados
reenquadrar com a cabeça em 60% a 70% da altura e folga acima do cabelo
Nome bordado no jaleco virou rabisco
texto pequeno, seja por limitação de renderização na imagem gerada, seja por falta de pixel na derivada
reduza a sua foto para 220 px de lado e tente ler o bordado
jaleco liso; o registro vai no campo do perfil, e não no peito
Cabelo se funde no fundo em tamanho pequeno
fundo com a mesma claridade do cabelo
converta a miniatura para tons de cinza e veja se a silhueta ainda existe
fundo liso claramente mais claro ou mais escuro que o cabelo
A foto tem cara de selfie
câmera entre 0,3 m e 0,5 m e acima da linha dos olhos: 10% a 16,7% de magnificação pela tabela da ICAO, contra um teto de 7%
olhe nariz e orelhas: nariz grande com orelhas recuadas denuncia proximidade
celular apoiado a 1 m ou mais, na altura dos olhos, com temporizador
Sintomas observados na medição de 56 avatares servidos pela plataforma em 11/08/2026 e na taxonomia de falha de imagem gerada que este blog mantém. Os limiares de distorção por distância são do relatório de qualidade de retrato da ICAO.

Jaleco: o critério é do destino, não do guarda-roupa

A pergunta chega assim: posso usar jaleco? A régua publicada quase não responde. Nas 4.751 palavras somadas das quatro páginas que a busca coloca no topo desse assunto, a palavra jaleco aparece duas vezes, sempre no plural e sempre sem critério (contagem nossa por radical, em 11/08/2026, no texto das quatro páginas sem menu, script e rodapé).

Sem régua publicada, o critério é do destino, e ele tem três eixos. O primeiro é de leitura: o jaleco comunica categoria profissional mesmo pequeno, porque é forma e cor, não detalhe. O segundo é o oposto: bordado, crachá e logotipo são texto miúdo, e o teste está na tabela de diagnóstico acima: reduza a sua foto para 220 px de lado, a mediana que medimos, e tente ler o nome no peito. O terceiro é técnico e vale quando a imagem é gerada: uniforme é a superfície onde a limitação declarada de renderização de texto aparece primeiro, e o resultado é o bordado virando rabisco. O guia por profissão trata do uniforme como superfície de texto, peça por peça.

Junte os três e a regra prática fica curta: jaleco sim, texto no jaleco não. Se o seu conselho exige o número de inscrição junto da imagem, e o do cirurgião-dentista exige, a resposta não é bordar o registro no peito, onde ele não se lê: é preencher o campo de registro do perfil e escrever a informação na legenda. Se isso basta para o seu conselho, quem responde é o regional.

Repare que esse critério não é o mesmo que decide a roupa quando a mesma pessoa manda um arquivo para uma vaga. Lá o leitor é um recrutador, o contêiner é uma folha ou um PDF, e a régua é a da cultura da empresa: a mesma decisão de roupa aparece com outro leitor do outro lado, com convenções próprias de recorte e de impressão. Aqui o leitor é um paciente escolhendo entre rostos, dentro de um quadrado, ao lado de uma nota e de um preço.

Evite selfies: o que faz uma selfie parecer selfie

O blog da plataforma escreve "Não use fotos de grupo, como as tiradas em eventos sociais, e evite selfies", e para por aí. Nenhuma das quatro páginas do topo explica o que, tecnicamente, faz uma imagem parecer selfie. A resposta é distância, e ela é medida.

Câmera perto do rosto amplia o que está mais próximo dela, nariz e testa, em relação ao que está atrás, orelhas e laterais. O relatório da ICAO publica essa distorção por distância: 16,7% de magnificação a 0,3 m, 12,5% a 0,4 m, 10,0% a 0,5 m e 5,0% a 1 m. E fixa, para o caso de uso de verificação um a um, que a distorção "shall not be greater than 7% and ideally should not be greater than 5%". Braço estendido coloca a câmera entre 0,3 m e 0,5 m, ou seja, entre 1,4 e 2,4 vezes esse teto. O próprio documento anota, na mesma cláusula: "NOTE: Selfie style portraits are likely not to maintain the minimal distance requirement".

O que muda na prática não é abolir o celular, é afastar. Apoie o aparelho a 1 m ou mais, use o temporizador, e faça o recorte depois, no arquivo, com a cabeça em 60% a 70% da altura: a 1 m a magnificação cai para 5%, dentro do ideal do documento. O segundo sinal é o ângulo, e câmera na altura dos olhos já retira metade do que as pessoas chamam de cara de selfie.

E há um detalhe de norma que costuma surpreender: para o cirurgião-dentista, a selfie tem autorização escrita. A Resolução CFO-SEC-196/2019, cuja ementa trata da divulgação de selfies e de imagens de diagnóstico e de resultado de tratamento, diz no art. 1º que "fica autorizada a divulgação de autoretratos (selfies) de cirurgiões-dentistas, acompanhados de pacientes ou não", com consentimento prévio por termo quando houver paciente na imagem (a grafia autoretratos é da resolução). Quem desaconselha selfie no seu perfil é a plataforma, por motivo de imagem, e não o conselho.

Limite da régua emprestada

A tabela de distorção por distância e o piso de 90 px vêm de um relatório técnico da ICAO sobre imagem para documento de viagem. Nenhuma plataforma de agendamento adota esse padrão: ele entra aqui como instrumento de medida, por ser o único público que mede rosto em número.

A segunda régua: o que o seu conselho publica sobre a imagem que você anuncia

Esta seção não reescreve a norma, porque o mapa das normas de conselho sobre imagem profissional já faz isso conselho a conselho. Aqui entra só o que é novo e o que é sobre plataforma.

Um único documento, entre os que abrimos, descreve exatamente o objeto desta página. A Nota Técnica nº 1/2022 do CFP tem uma seção chamada Publicidade Profissional: Plataformas Coletivas de Atendimento On-line, e ela escreve que "mesmo quando a divulgação dos serviços é elaborada com o auxílio de empresas terceirizadas, plataformas coletivas de atendimento on-line ou profissionais de Marketing, Publicidade e Design, continua sendo responsabilidade da psicóloga e do psicólogo verificar se o conteúdo cumpre as diretrizes éticas da profissão". A mesma seção orienta "que a Plataforma apresente os nomes das psicólogas, dos psicólogos e inscrição no CRP". Nota técnica orienta e não é resolução, e é assim que ela deve ser lida; o que importa é o endereço da responsabilidade, que fica com quem tem o registro mesmo quando a página é montada por outra empresa.

A pergunta seguinte é onde o número de registro precisa aparecer, e as quatro normas que abrimos respondem de quatro jeitos, no mesmo país. Para o médico, o art. 6º da Resolução CFM nº 2.336/2023 diz que, "em redes sociais, blogs, sites e congêneres", os dados do art. 4º (nome, registro no CRM e a palavra MÉDICO, mais o RQE quando houver) ficam "na página principal do perfil (pessoa física ou jurídica) ou equivalente", e a página oficial de perguntas e respostas do CFM responde, sobre peças de rede social: "Não. Basta que tais informações estejam no perfil (bio)". Para o cirurgião-dentista, o art. 4º da Res. CFO-SEC-196/2019 escreve o contrário: "Em todas as publicações de imagens e/ou vídeos deverão constar o nome do profissional e o seu número de inscrição". E para o fisioterapeuta, o art. 48 do Código de Ética e Deontologia da Fisioterapia manda constar, "nos anúncios, placas e impressos, bem como divulgação em meio eletrônico", o nome do profissional, o da profissão e o número de inscrição no Conselho Regional, enquanto o art. 47 estabelece que "a utilização da Rede Mundial de Computadores (Internet) para fins profissionais deve seguir os preceitos deste Código e demais normatizações pertinentes". O código da psicologia fecha o quarteto pelo art. 20, "a": ao promover publicamente seus serviços, por quaisquer meios, o psicólogo "informará o seu nome completo, o CRP e seu número de registro". Quatro siglas, quatro superfícies diferentes, e nenhuma delas é a superfície da foto.

O campo mais desconfortável do perfil não é a foto: é o de preço, colado nela na lista de resultados. Aqui as respostas oficiais divergem outra vez. O material de perguntas do CFM responde: "O médico poderá anunciar preços de consultas e oferecer promoções? Sim. O que ele não pode fazer é fazer promoções casadas". O Código de Ética Odontológica lista, no art. 44, I, entre as infrações, "fazer publicidade e propaganda enganosa, abusiva, inclusive com expressões ou imagens de antes e depois, com preços, serviços gratuitos, modalidades de pagamento" e outras formas de comercialização da odontologia, e o qualificador do inciso, enganosa e abusiva, é parte do texto. Já o Código de Ética Profissional do Psicólogo diz, no art. 20, "d", que o profissional "não utilizará o preço do serviço como forma de propaganda". Três conselhos, três respostas diferentes, para o campo que fica ao lado do seu rosto. Esta página não dá veredito sobre o seu caso: publica o texto e recomenda perguntar ao regional antes de preencher. Nota de vigência: a Res. CFO-SEC-271, de 18/06/2025, alterou o art. 20 e deu nova redação ao art. 44, XIV, em cumprimento a decisão do CADE, sem tocar no art. 44, I, transcrito acima, vigente na leitura de 11/08/2026.

Sobre a imagem do próprio profissional, a norma médica é de permissão: o art. 9º, I, autoriza "utilizar fotografia ou vídeo com detalhes de seu ambiente de trabalho, sua própria imagem". A única alínea da resolução que descreve imagem no sentido deste artigo é a do art. 11, § 2º, "f": "usar de forma abusiva, enganosa ou sedutora representações visuais e informações que induzam à percepção de garantia de resultados". É critério, não veredito, e o que ele condena é a promessa, não a técnica fotográfica. E o art. 1º define publicidade médica como "a comunicação ao público, por qualquer meio de divulgação da atividade profissional, com iniciativa, participação e/ou anuência do médico": se o seu perfil cai dentro dessa definição é leitura da Codame do seu CRM, não desta página.

Uma frase circula em resumos de internet como se proibisse o médico de tratar a própria foto: "é vedada qualquer edição, manipulação ou melhoramento das imagens". Ela existe mesmo, é o art. 14, II, "f", e está dentro do Capítulo IX da resolução, Do uso da imagem de pacientes ou de banco de imagens. O sujeito da frase é a imagem do paciente, não o seu retrato. Sobre a sua própria foto, quem publica régua de edição é a plataforma, com o "Evite usar filtros ou efeitos, mantenha simples" da central de ajuda.

O limite honesto desta seção: abrimos CFM, CFO, CFP e COFFITO em 11/08/2026. Enfermagem, nutrição, fonoaudiologia, biomedicina e terapia ocupacional não foram conferidos para esta pauta, e a terapia ocupacional tem código próprio no mesmo conselho, a Resolução COFFITO 425/2013, que não abrimos aqui. Se o seu registro é num desses conselhos, a resposta aqui é conferir a norma dele, e não presumir que a regra do vizinho vale para você: as quatro que abrimos já discordam entre si em duas linhas.

O que não deu para confirmar

Cinco ausências, todas datadas de 11/08/2026, e elas mudam o que dá para prometer aqui.

  • Peso máximo e formato não estão publicados em português. As quatro URLs que a busca oferece para a versão em português dessa página respondem 404. Os literais "Peso máximo: 5MB" e "Formato: jpg o png" saem das edições da Colômbia, da Argentina e do Chile da mesma central de ajuda, e são páginas de outros países.
  • O grupo publica três mínimos diferentes. A ajuda em português diz 100x100 px; o blog em português diz rosto em 60% da área; uma página da edição espanhola, de 28/02/2016, assinada por um dos fundadores, pede "160×191 píxeles (mínimo) y 5 MB (peso máximo)". Não existe um número oficial único a citar.
  • Nenhuma página diz o que acontece com quem sobe abaixo do mínimo. Não localizamos texto sobre recusa, moderação ou substituição automática do arquivo. Quem afirma que a foto pequena é rejeitada está preenchendo lacuna.
  • Nenhuma página da plataforma trata de imagem gerada por IA. A expressão inteligência artificial aparece uma única vez no conjunto das quatro páginas medidas, e é recomendando o ChatGPT para escrever a bio, não para produzir a foto.
  • Nenhuma concorrente brasileira de agendamento que procuramos publica requisito numérico de foto em página pública, o que é a razão de este artigo se ancorar em uma plataforma só.

Sem política publicada, o critério que sobra sobre imagem gerada é curto e é o de sempre: num perfil em que o paciente escolhe quem vai atendê-lo, a imagem precisa ser você, com a sua idade, os seus traços e o seu cabelo de hoje. Um retrato gerado a partir das suas fotos, que preserva identidade e não inventa cenário clínico, continua sendo uma foto sua; um que rejuvenesce, afina o rosto ou monta um consultório que não existe já é outra pessoa em outro lugar, e nesse ponto a régua deixa de ser estética. O levantamento sobre quando a origem do pixel muda a resposta do destino reúne os casos em que a imagem sintética não entra.

Falta o número que você vai encontrar por aí. O blog da plataforma afirma que "os perfis com fotos são visitados cerca de 30% mais vezes do que os perfis sem fotos". É uma afirmação da própria empresa, publicada sem amostra, sem período e sem definir o que conta como visita. Ela entra aqui nomeada, como afirmação de quem vende o produto, e não como meta: este blog não promete variação de visitas, de contatos ou de agendamentos por causa de uma foto.

Perguntas frequentes

01Qual é o tamanho mínimo da foto no perfil?+
A central de ajuda publica "pelo menos 100x100 pixels", consultada em 11/08/2026. O problema não é o número em si, é o que sobra do rosto nele: com a regra dos 60% de área, a cabeça fica com cerca de 77 px, menos de um terço da faixa de legibilidade que usamos aqui. Suba 1:1 com 1.024 px ou mais e o assunto morre.
02Posso usar o logotipo da clínica no lugar do meu rosto?+
As edições em espanhol da mesma central citam a foto do logotipo do consultório como alternativa, e a versão em português não trata do assunto. Num destino em que o paciente escolhe entre rostos, o rosto é a decisão padrão; a marca tem lugar melhor na página da clínica.
03Preciso colocar o número de registro na foto?+
Depende do seu conselho, e as respostas oficiais divergem. O material de perguntas do CFM responde que não, que basta a informação estar no perfil. O art. 4º da Res. CFO-SEC-196/2019 exige nome e número de inscrição em todas as publicações de imagens e vídeos, e não diz em que parte da publicação eles ficam. Nenhuma das duas normas pede o texto desenhado por cima do rosto; onde exatamente ele entra, quem responde é o seu regional.
04Posso usar jaleco na foto do perfil?+
Pode, e o jaleco nunca é o problema: o texto nele é. Nome bordado, crachá e logotipo viram mancha na mediana de 221 px que medimos, e são a primeira coisa que uma imagem gerada erra. Jaleco liso ou camisa lisa resolvem os dois problemas de uma vez.
05Por que a minha foto aparece embaçada na lista de resultados?+
Quase sempre porque o arquivo original é pequeno. A plataforma serve derivadas quadradas e não amplia: o mesmo nome de derivada devolveu 640 px para uns e 120 px para outros na medição de 56 avatares. Abra a sua imagem em uma aba separada, leia a dimensão e, se estiver abaixo de 640 px, suba um arquivo de 1.024 px.
↘ Quando falta o arquivo, não a régua

Um retrato quadrado grande o bastante para as duas réguas

A geração parte de 1 a 5 fotos suas e devolve 1.024 x 1.024 px, o lado que encosta na boa prática de 240 px citada aqui. A primeira imagem é gratuita e não pede cartão; a conversão para JPG fica com você.

Gerar um retrato de teste

Resumo e próximos passos

  • O piso publicado (100x100 px) somado à regra dos 60% de área entrega uma cabeça de cerca de 77 px. Suba 1:1 com 1.024 px ou mais, em JPG e abaixo de 5 MB, teto que só as edições em espanhol da central publicam.
  • A plataforma não amplia. Em 56 avatares medidos, a mediana servida foi de 221 px e um quarto ficou abaixo de 220 px: o teto de todas as superfícies é o arquivo que você subiu.
  • Jaleco sim, texto no jaleco não. O registro profissional vai no campo do perfil, e é o seu conselho que diz onde mais ele precisa aparecer.
  • As duas réguas medem coisas diferentes: a plataforma mede o arquivo, o conselho mede o que a imagem afirma. Quando parecem se contradizer, quase sempre estão falando de campos diferentes.

Para continuar, três caminhos no acervo. O guia do rosto que vira anexo de documento trata do mesmo retrato quando o destino é uma candidatura em papel ou PDF, com régua de recorte e de impressão. A decisão entre mostrar o rosto e mostrar o logotipo em plataforma de serviço resolve a dúvida de quem atende por conta própria fora da saúde. E, se a clínica também tem ficha no buscador, esse outro campo tem régua própria, com requisitos que não são os desta página.

PM
Autor · Fundador, fotoslinkedin.com.br

Pedro Mota

Pedro Mota é fundador da fotoslinkedin.com.br, ferramenta de IA que transforma uma selfie em foto profissional pronta pro Linkedin em 60 segundos. Antes, atuou com design e produto digital. Hoje vê centenas de fotos por semana e escreve sobre o que funciona pra carreira no Brasil em 2026.

Continue lendo.

Ver todos →
Newsletter · semanal

Um e-mail por semana sobre
presença no Linkedin.

Sem spam, descadastre quando quiser.