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Padrão de foto de rosto: a régua publicada que mede a sua em pixels

Existe um documento público que diz, com número e cláusula, quando uma foto de rosto tem informação suficiente. Ele não mede megapixel: mede a distância entre os centros dos olhos, e o piso é 90 px. Aqui estão o protocolo de medição e a conversão das réguas.

PM
Pedro Mota
Fundador, fotoslinkedin.com.br
Rosto de traço solto com uma única cota ligando os dois olhos, sob o rótulo distância entre os olhos, presa por um fio ao aviso piso: 90 px.
Guiafotoslinkedin · 2026
Em uma frase

Existe um padrão de foto de rosto publicado e gratuito, e ele não mede megapixel: mede a distância entre os centros dos seus olhos. O piso é 90 px e a boa prática é 240 px. O que decide não é o tamanho do arquivo, é quanto do quadro a sua cara ocupa.

Meça a sua foto em cinco minutos: o protocolo de quatro medidas

Você tem um arquivo na mão e quer um veredicto, não um elogio. O teste abaixo usa só o visualizador de imagem que já veio no seu computador e produz a mesma medida que o documento internacional de qualidade de retrato usa para decidir se uma foto de rosto serve: a distância entre os centros dos olhos, abreviada IED, de inter eye distance. Leva menos de cinco minutos e não exige instalar nada.

  1. Abra o arquivo no visualizador do sistema (Pré-visualização no macOS, Fotos ou Paint no Windows) e ligue a ferramenta de recorte. Ela é o instrumento de medida: quase todo visualizador mostra em tempo real a largura e a altura da seleção, em pixels.
  2. Arraste uma seleção do centro de um olho até o centro do outro e leia a largura. Esse número é a sua IED. Não confirme o recorte, é só para ler a medida.
  3. Arraste uma segunda seleção do queixo até o alto da cabeça e leia a altura. Esse é o tamanho de cabeça, a régua usada no resto deste blog. O documento define esse ponto de cima como o topo do crânio, ignorando o cabelo: se o seu volume de cabelo levanta a silhueta, pare a seleção onde o crânio termina.
  4. Arraste uma terceira seleção da borda externa de uma orelha à borda externa da outra e leia a largura. É a unidade de alguns fabricantes brasileiros de controle de acesso.
  5. Arraste a quarta seleção entre a pupila mais alta e a mais baixa e leia a altura. Esse desnível é o que revela a cabeça tombada.
MEDIDAS (leia na ferramenta de recorte, em pixels)
IED = largura da seleção de um centro de olho ao outro
cabeça = altura da seleção do queixo ao alto do crânio (sem o cabelo)
orelha a orelha = largura da seleção de uma orelha à outra
desnível = altura da seleção entre a pupila mais alta e a mais baixa

CONVERSÕES (razões medidas por este blog em 10/08/2026, erro estimado de 3%)
IED estimada = cabeça x 0,29 até cabeça x 0,32
IED estimada = orelha x 0,43 até orelha x 0,48

VEREDICTO
IED de 240 px ou mais -> acima da boa prática publicada
IED de 90 a 239 px -> passa no piso publicado
IED abaixo de 90 px -> reprova o piso: serve de referência, não de imagem final
desnível acima de 14% da IED -> cabeça tombada além dos 8 graus tolerados

Duas ressalvas honestas. A primeira é da própria norma, numa nota da definição: o centro do olho não é necessariamente o centro da pupila. Formalmente, o centro do olho é o meio da linha que liga o canto interno ao canto externo dele. A diferença é de poucos pixels e não muda a faixa em que a sua foto cai, mas não vale fingir precisão de laboratório com uma seleção arrastada no mouse.

A segunda é sobre o semáforo. Os números 90 e 240 são publicados; as três faixas acima são leitura editorial deste blog sobre eles. O documento fixa piso e boa prática para cadastro de imagem em documento de viagem e não escreve uma linha sobre foto de perfil. O veredicto acima fala de uma coisa só: se há informação de rosto suficiente no arquivo para uma máquina trabalhar. Não fala de foto bonita nem de resultado nenhum.

Se você quiser um atalho mental, a conversão da segunda linha resolve quase todos os casos: cabeça de 300 px na foto quer dizer, aproximadamente, IED entre 87 e 96 px. É exatamente em volta dos 300 px de cabeça que a foto cruza o piso internacional.

Componente de qualidade, limiar publicado e como conferir sem software
Componente
Limiar publicado
Onde está
Como conferir no seu arquivo
Distância entre os olhos (IED)
90 px (requisito); 240 px (boa prática); na imagem gravada no chip o requisito continua 90 px e a boa prática cai para 120 px
cl. 5.2.4 e 9.2, tabelas 5 e 11
Seleção de recorte de um centro de olho ao outro; leia a largura
Altura da cabeça (queixo ao topo do crânio, sem o cabelo)
60% a 90% da altura da imagem
cl. 5.4, tabela 9
Seleção do queixo ao topo do cabelo; divida pela altura total do arquivo
Largura da cabeça
50% a 75% da largura da imagem
cl. 5.4, tabela 9
Seleção de orelha a orelha, a mesma do passo 3 do protocolo; divida pela largura total
Centro do rosto no quadro
45% a 55% da largura; 30% a 50% da altura
cl. 5.4, tabela 9
Ponto médio entre os olhos comparado com o centro do arquivo
Proporção do arquivo (largura/altura)
74% a 80%
cl. 5.4, tabela 9
Divida a largura pela altura: 1024/1280 dá 80%
Pose da cabeça
pitch até 5 graus, yaw até 5 graus, roll até 8 graus (boa prática: 5 graus)
cl. 5.3.1, tabela 8
Só o roll tem teste caseiro: desnível entre as pupilas até 14% da IED
Distância da câmera à pessoa
0,7 m a 4 m (requisito); 1,0 m a 2,5 m (boa prática)
cl. 5.2.2, tabela 3
Braço esticado fica em 0,5 m a 0,7 m, na borda de baixo da faixa
Nitidez e detalhe
a câmera precisa resolver detalhe de 1 mm no rosto, como ruga e pinta
cl. 5.2.4
Amplie a 100% e procure a textura da pele; se ela virou borrão, reprovou
Faixa dinâmica
pelo menos 50% de variação de intensidade na região do rosto
cl. 5.2.8
Se metade do rosto está branca estourada ou preta chapada, não há variação
Fundo
liso, de cor uniforme, sem textura visível e sem objeto atrás da pessoa
cl. 5.2.5
Olhe as bordas do quadro: cadeira, planta e quadro na parede reprovam
Olhos
reflexo de luz na íris até 15% da área dela; folga de 5% da IED em volta do olho visível
cl. 5.3.3
Amplie o olho: o ponto branco do flash não pode cobrir um sétimo da íris
Boca
fechada, sem sorriso e sem dentes à mostra; abertura menor que 50% da espessura do lábio inferior
cl. 5.3.2
Compare a fresta entre os lábios com a espessura do lábio de baixo
ICAO, Technical Report: Portrait Quality (Reference Facial Images for MRTD), v1.0, abril de 2018, cláusulas 5.2 a 5.4, 9.2 e 9.5. PDF público consultado em 10/08/2026.

O padrão de foto de rosto tem nome, autor e data, e é de graça

O documento chama-se Technical Report: Portrait Quality (Reference Facial Images for MRTD), está na versão 1.0 de abril de 2018, foi escrito pelo grupo de trabalho ISO/IEC JTC1 SC17 WG3 e está publicado, aberto, no site da ICAO (PDF de 85 páginas, consultado em 10/08/2026). É ele que traz os números com cláusula: a distância mínima entre os olhos, a fração da cabeça no quadro, as tolerâncias de ângulo, o teto de compressão. Uma precisão de vocabulário antes de seguir: eu chamo o documento de norma por economia de palavra, mas formalmente ele é um relatório técnico. Ele não obriga ninguém; ele publica os números que a família de normas de imagem facial usa, e é o que existe aberto.

Para que ele serve está escrito na cláusula 2, e vale ler devagar: o escopo é o cadastro de imagem facial de referência para documento de viagem eletrônico. O próprio texto coloca fora do escopo a captura para verificação e identificação, mesmo reconhecendo que muitos dos requisitos se aplicam também a essas imagens. Ou seja: ninguém é obrigado a nada por causa dele quando o assunto é foto de perfil. Aqui ele entra como instrumento de medida emprestado, e nada além disso.

O relatório separa duas coisas que a internet costuma embaralhar. Requisito é o valor mínimo aceitável para haver conformidade. Boa prática é o valor que produz desempenho ou qualidade melhores. Quando você lê por aí que "a norma exige 240 pixels", quem escreveu misturou as duas colunas da mesma tabela. E a capa do documento traz uma ressalva formal: a publicação não substitui políticas ou decisões de governo sobre o que está nela.

Isso importa porque, em português, a régua praticamente não existe com origem. Em 10/08/2026 eu abri as cinco páginas que ranqueiam para essa família de buscas e medi o que cada uma publica. O resultado é um mapa de regra sem fonte:

  • o manual da Senior é a única página em português do recorte com limiar de rosto em pixels: "distância pupilar superior a 60 pixels", ângulo de deflexão abaixo de 10 graus e arquivo entre 60 kB e 200 kB. Não diz de onde os números vieram.
  • a cartilha da Control iD mede outra grandeza: pelo menos 160 pixels de orelha a orelha, no máximo 1.000 px, com a imagem inteira abaixo de 2.073.600 px e fator de qualidade JPEG acima de 95.
  • a orientação da ANAC para foto padrão OACI publica enquadramento, não pixel de rosto: o rosto deve ocupar 70% a 80% da fotografia, com largura mínima de 113 px no 3x4 e 189 px no 5x7, arquivo de 15 kB a 150 kB e resolução de 300 dpi a 600 dpi.
  • as duas restantes, um conteúdo comercial de foto para documento e o anexo de um edital público, citam a sigla da organização internacional como selo de autoridade e não publicam um único limiar.

Vale fazer a conta que fica implícita na última: 113 px distribuídos em 30 mm dão 95,7 dpi, e 189 px em 50 mm dão 96,0 dpi. A mesma página pede resolução mínima de 300 dpi. Os dois valores não descrevem o mesmo arquivo. E, a 96 dpi, os 10 mm de distância entre os olhos que o relatório internacional pede numa foto impressa correspondem a 38 px, ou 42% do piso de 90 px. Há ainda uma diferença de definição que muda a medida: o esquema da ANAC marca a altura da cabeça até o topo do cabelo, enquanto o relatório internacional define esse ponto como o alto do crânio, ignorando o cabelo. Em quem tem volume, as duas leituras não devolvem o mesmo número.

Some tudo e sobram três números que não conversam: 60 px entre as pupilas, 160 px de orelha a orelha e 70% do quadro. Nenhuma página converte a própria régua para a das outras, então o leitor sai sem saber qual é a mais exigente. O resto deste artigo faz essa conversão.

Por que a medida que decide é a distância entre os olhos, e não os megapixels

A definição está na cláusula 3.3.21: a IED é o comprimento da linha que liga o centro do olho esquerdo ao centro do olho direito. Ela foi escolhida porque é o par de pontos mais estável de um rosto humano: não muda com expressão, não muda com corte de cabelo, não muda com barba, e continua legível mesmo quando a cabeça está levemente virada.

O limiar aparece na cláusula 5.2.4 e na tabela 5: a IED na foto capturada deve ter pelo menos 90 px em aplicações herdadas, e um processo novo de emissão deveria trabalhar com pelo menos 240 px. Para a imagem que vai gravada no chip do documento, a tabela 11 mantém o mesmo requisito de 90 px e baixa a boa prática de 240 px para 120 px, porque o arquivo do chip é uma versão processada do retrato capturado.

Os 90 px são uma taxa de amostragem sobre a sua cara

O anexo D do relatório traz o reenquadramento que muda tudo e que ninguém repete: as taxas mínimas de amostragem do padrão são 90 pixels por distância interocular, que equivale a aproximadamente 60 mm, para câmeras, e 300 ppi para escâneres. A distância real entre os olhos de um adulto, medida no rosto, fica entre 60 mm e 65 mm segundo a nota da cláusula 5.2.4.

Faça a divisão. Noventa pixels espalhados por 60 mm dão 1,5 pixel por milímetro de pele, ou cerca de 38 dpi medidos na sua cara; a boa prática de 240 px dá 4 pixels por milímetro, cerca de 102 dpi. É pouquíssimo perto dos 300 dpi que a orientação brasileira pede para o arquivo inteiro, e o ponto é justamente esse: a norma não mede o arquivo, mede o rosto dentro dele. O gargalo nunca foi resolução, foi quanto do quadro a sua cara ocupa.

A escada de arquivos de celular, convertida

Aplicando a razão medida (a próxima seção explica como ela foi obtida) à escada de arquivos típicos que este blog já publicou, o resultado embaralha a intuição:

  • foto de 12 MP (4032 x 3024 px) com você enquadrado do peito para cima, cabeça em 25% da altura, ou 756 px: IED estimada entre 219 px e 242 px. Aprova com folga e encosta na boa prática.
  • selfie quadrada de 1080 x 1080 px com o rosto ocupando 60% da altura, ou 648 px de cabeça: IED entre 188 px e 207 px. Aprova o requisito, com 1,2 MP de arquivo.
  • a mesma foto de 12 MP, mas de grupo, com a sua cabeça em 8% da altura, ou 242 px: IED entre 70 px e 77 px. Reprova, com 12 megapixels de arquivo.
  • print de videochamada de 640 x 480 px com a cabeça em 40% da altura, ou 192 px: IED entre 56 px e 61 px. Reprova até a régua brasileira mais frouxa.

Repare no par do meio: o arquivo de 12 MP reprova e o de 1,2 MP passa. Dez vezes mais pixels no arquivo e dez vezes menos rosto dentro dele. É por isso que "tirei com o celular novo" nunca respondeu à pergunta, e é por isso que recortar uma pessoa de uma foto coletiva tem aritmética própria. A própria norma publica um exemplo na cláusula 5.2.1: uma câmera APS-C de 18 MP a 1,2 m entrega cerca de 598 px de IED, bem acima da boa prática; um sensor de 5 MP com foco otimizado entrega cerca de 336 px. O que separa os dois resultados é distância e lente, não o número no anúncio do aparelho. Quem vende reconhecimento facial diz a mesma coisa com outras palavras: a documentação do Amazon Rekognition recomenda usar uma imagem em que o rosto ocupe grande parte do quadro, porque imagens com o rosto maior são comparadas com mais precisão.

Quadro grande quase vazio com uma cabecinha rente à base, sob 12 MP, reprova; acima, um quadro menor em que o rosto vai do topo ao fundo, sob 1,2 MP, aprova.

A régua deste blog e a régua da norma medem coisas diferentes do mesmo rosto

Este blog usa, em quinze artigos, uma régua de 220 px a 260 px de altura de cabeça, derivada do piso de 400 x 400 px do destino com a cabeça ocupando 55% a 65% da altura. Ela sempre foi declarada como o que é: régua editorial, não especificação de plataforma nenhuma. A norma mede outra coisa, a distância entre os olhos. Para comparar as duas, alguém precisa medir a razão entre elas.

Foi o que fiz em 10/08/2026, e o método está aqui para você repetir. Baixei o PDF oficial, extraí as imagens embutidas, escolhi os retratos que o próprio documento rotula como conformes, ampliei cada um com uma grade de 20 px e li as coordenadas de pupila, queixo, topo do crânio e borda externa das orelhas. Os marcadores vermelhos de orelha a orelha da figura 8 foram lidos por máscara de cor, não a olho.

A amostra é pequena e eu digo isso de frente: dois rostos completos e uma série normalizada. O controle de erro veio de dentro do próprio documento. As duas amostras completas passam nas quatro razões geométricas da tabela 9 (proporção do arquivo em 77,7% e 77,8% contra a faixa de 74% a 80%; altura de cabeça em 72,7% e 80,6% contra 60% a 90%; centro horizontal em 50,7% e 49,8% contra 45% a 55%; centro vertical em 41,9% e 48,3% contra 30% a 50%). Leitura de coordenada torta derrubaria alguma dessas quatro.

O resultado, com premissa e erro declarados: numa foto frontal, medida na mesma imagem, a IED fica em torno de 0,29 a 0,32 vezes a altura da cabeça, e em torno de 0,43 a 0,48 vezes a largura de orelha a orelha. É medição deste blog, com n igual a 2 rostos para a primeira razão e 3 para a segunda, e erro estimado de 3%. Não é dado antropométrico de estudo populacional e não deve ser lido como média da população: a razão foi medida em imagem justamente porque a fonte antropométrica aberta que eu procurei não respondeu.

E aí vem a parte desconfortável, que é o motivo de este artigo existir:

  • a régua editorial de 220 px a 260 px de cabeça equivale a uma IED de 64 px a 83 px. Ela fica abaixo do piso internacional de 90 px, mesmo no melhor extremo.
  • para cruzar o piso de 90 px, a cabeça precisa ter entre 281 px e 310 px. Numa foto de 400 px de altura, isso é a cabeça ocupando 70% a 78% do quadro, o que continua dentro da faixa de 60% a 90% da tabela 9 da própria norma.
  • para encostar na boa prática de 240 px de IED, a cabeça precisaria ter de 750 px a 828 px, o que exige um arquivo bem acima do piso de upload de qualquer rede.

A conclusão prática não é jogar a régua editorial fora, é saber para que ela serve. Ela responde "cabe no destino sem virar borrão", e nisso ela continua correta. A régua internacional responde outra pergunta, mais dura: "há informação de rosto suficiente para uma máquina extrair traços". Se o seu arquivo vai virar entrada de um sistema, use a segunda.

Cinco réguas de foto de rosto na mesma unidade
Régua
O que ela mede
Limiar publicado
Convertido para IED
ICAO, requisito
distância entre os centros dos olhos
90 px
90 px (medida direta)
ICAO, boa prática
distância entre os centros dos olhos
240 px
240 px (medida direta)
Senior (Ronda)
distância pupilar
acima de 60 px
cerca de 60 px: dois terços do requisito e um quarto da boa prática
Control iD (iDFace)
largura do rosto de orelha a orelha
pelo menos 160 px
69 px a 77 px: reprova o piso internacional
AWS Rekognition (comparação)
caixa do rosto detectada
rosto tão pequeno quanto 50 x 50 px em imagem de até 1920 x 1080
sem equivalência direta: é detecção, não cadastro
Régua editorial deste blog
altura da cabeça, do queixo ao topo
220 px a 260 px
64 px a 83 px: fica abaixo dos 90 px
Limiares nas fontes originais (ICAO TR Portrait Quality v1.0; manual Senior Ronda; cartilha Control iD iDFace; doc AWS Rekognition), lidos em 10/08/2026. Conversão para IED por razões medidas por este blog, erro estimado de 3%.

Pose: girar, inclinar e tombar a cabeça

São três ângulos com nome próprio, e a cláusula 5.3.1 dá o limite de cada um. Pitch é o queixo subindo ou descendo, e deve ficar abaixo de 5 graus em relação à frontal. Yaw é a cabeça virando para um lado, e também deve ficar abaixo de 5 graus. Roll é a cabeça tombando na direção do ombro, e tem a maior folga: abaixo de 8 graus, com recomendação de manter abaixo de 5.

Antes de você tentar medir isso no olho, leia o que a nota da cláusula 5.1 diz: restrições de pose são muito difíceis de avaliar na imagem 2D já capturada, mesmo para especialistas da área, e os valores numéricos existem para dar consistência ao posicionamento no momento da captura. Traduzindo: yaw e pitch se controlam ao tirar a foto, não se auditam depois. Qualquer página que prometa um truque caseiro para medir esses dois em graus está vendendo precisão que não tem.

Cabeça de traço solto com a linha dos olhos subindo sobre uma horizontal: a cunha traz até 8 graus e a seta entre as pupilas marca o desnível entre elas.

Roll é o único que você consegue medir em casa

O roll tem teste porque vira uma distância legível na tela: com a cabeça tombada, uma pupila fica mais alta que a outra, e o desnível é proporcional à IED. A trigonometria é direta: 5 graus dão um desnível de 8,7% da IED, e 8 graus, de 14,1%. Numa foto com 120 px entre os olhos, isso é 10 px e 17 px. Você mede com a mesma ferramenta de recorte do protocolo: arraste a seleção entre as duas pupilas e leia a altura.

Passou de 14%? Girar a imagem resolve, e é a única correção que a norma autoriza depois da captura: a lista de processamento permitido da cláusula 9.4 inclui rotação no plano da imagem, recorte, redução de amostragem, balanço de branco, transformação de cor e compressão.

A distância da câmera e o nariz que cresce

A cláusula 5.2.2 pede a câmera na altura dos olhos, com a linha entre câmera e centro do rosto horizontal dentro de 5 graus, e fixa, para uso 1:1, a distância entre 0,7 m e 4 m como requisito, com 1,0 m a 2,5 m como boa prática (para uso 1:N a faixa exigida começa em 1 m). O motivo está na tabela 4, a da distorção de magnificação: 16,7% a 0,3 m, 12,5% a 0,4 m, 10,0% a 0,5 m, 7,1% a 0,7 m, 5,0% a 1 m, 2,5% a 2 m e 1,7% a 3 m. O teto admitido é 7% e o ideal é ficar abaixo de 5%. É a explicação numérica do nariz que parece maior na selfie, e o documento escreve a frase inteira numa nota: retratos em estilo selfie provavelmente não mantêm o requisito de distância mínima. Braço esticado dá 0,5 m a 0,7 m, exatamente a faixa de 10% a 7,1%.

Vale contrastar com a régua de quem só compara rostos. A documentação do Amazon Rekognition sobre imagens de entrada para comparação facial (consultada em 10/08/2026) recomenda pitch abaixo de 30 graus para baixo e 45 graus para cima, yaw abaixo de 45 graus em qualquer direção, e não impõe restrição nenhuma de roll. São seis a nove vezes mais folga que a norma de cadastro. Cadastrar um rosto e comparar um rosto não pedem a mesma foto, e confundir as duas réguas faz gente jogar fora arquivo que servia.

O que mais a norma mede, e você consegue enxergar a olho

Distância entre os olhos e ângulo de cabeça são os dois componentes com número redondo, mas a lista é maior. Estes são conferíveis sem instrumento nenhum, ampliando a foto na tela:

  • nitidez: a cláusula 5.2.4 exige que a câmera reproduza detalhes finos e contrastados do rosto, como rugas e pintas, tão pequenos quanto 1 mm de diâmetro, e estima que 15 cm de profundidade de campo bastam para deixar do nariz às orelhas em foco. Amplie a 100%: se a textura da pele virou superfície lisa, reprovou.
  • faixa dinâmica: a cláusula 5.2.8 pede pelo menos 50% de variação de intensidade na região facial. Rosto metade estourado pela janela e metade preto chapado não tem variação, tem duas manchas.
  • fundo: a cláusula 5.2.5 exige superfície lisa, sem textura com pontos, linhas ou curvas visíveis, de cor uniforme, e proíbe objetos atrás como pessoas de apoio, encosto de cadeira, móveis, tapetes, papel de parede estampado ou plantas.
  • olhos: a cláusula 5.3.3 limita o artefato de iluminação a 15% da área da íris e exige folga de pelo menos 5% da IED em torno de qualquer parte visível do globo ocular. Flash de frente que vira um ponto branco enorme na íris reprova.
  • óculos: a armação não deveria ser mais grossa que 5% da IED (cláusula 5.3.4). Numa IED de 120 px, isso é 6 px de aro, e armação grossa estoura esse limite com facilidade.
  • boca: a cláusula 5.3.2 considera a boca fechada quando a distância entre as bordas internas dos lábios é menor que 50% da espessura do lábio inferior. Definição medível, não opinião sobre o seu sorriso.
  • compressão: a cláusula 9.5 fixa que a taxa de compressão JPEG não deve passar de 15:1 e que a compressão com perda só pode ser aplicada uma vez por etapa, uma na câmera, uma por quem envia e uma por quem recebe.

A última linha é a que mais atinge foto de gente comum, porque quase ninguém controla quantas vezes o arquivo foi recomprimido no caminho até o formulário. É o assunto do artigo sobre o que cada camada de transporte faz com o seu arquivo: a norma se dá ao trabalho de contar as compressões porque cada uma come detalhe que a anterior deixou.

A régua é auditável, e isso é raro

Existe implementação de referência aberta para esse tipo de avaliação. O órgão federal alemão de segurança da informação publica o OFIQ, Open Source Face Image Quality, descrito como biblioteca para calcular aspectos de qualidade de uma imagem facial, com mais de vinte componentes avaliados, entre eles a uniformidade da iluminação, a posição da cabeça, a nitidez e se os olhos estão abertos ou fechados. O código está público, e a listagem do diretório de medidas traz 22 componentes com nome, entre eles uniformidade de fundo, artefatos de compressão, recorte, faixa dinâmica, neutralidade de expressão, oclusão de rosto, pose de cabeça, tamanho de cabeça, distância entre os olhos, boca fechada, cor natural, prevenção de superexposição e presença de um único rosto.

Uma nota de honestidade sobre fonte: as normas ISO/IEC dessa família são pagas e eu não as li. O que este artigo cita é o relatório técnico da ICAO, público, e a implementação de referência publicada pelo BSI, também pública. Onde você ler por aí "a norma ISO diz" seguido de um número, peça a cláusula.

Aviso

Passar nessa régua não é o mesmo que ficar bem na foto. O documento proíbe sorriso, exige boca fechada, pede fundo de cor uniforme e veta qualquer retoque local, inclusive remover o fundo. É quase o oposto do que funciona numa foto de perfil.

Passar na régua da máquina não é ficar bem para uma pessoa

A cláusula 5.3.2 não deixa margem: o rosto deve ter expressão neutra, em particular a pessoa não deve sorrir, a boca deve estar fechada e os dentes não devem aparecer. Sorrir não é permitido nem de boca fechada. A cláusula 5.2.5 exige fundo liso e de cor uniforme, sem nada atrás. E a cláusula 9.4 proíbe modificar a imagem localmente, seja para remover cicatrizes, espinhas ou outras imperfeições da pele, seja para alterar o formato ou a posição do nariz, dos olhos, das sobrancelhas ou de qualquer outro ponto do rosto, e proíbe explicitamente qualquer processamento voltado a remover o fundo.

Junte os três e você tem a descrição de uma foto que quase ninguém escolheria publicar. É deliberado: o documento foi escrito para que um algoritmo extraia traços comparáveis do mesmo rosto daqui a dez anos, não para que a foto seja agradável.

Daí a frase que resolve a confusão inteira: a norma diz se a máquina consegue ler o seu rosto; ela não diz o que a pessoa do outro lado vai pensar dele. As duas perguntas têm respostas diferentes, e cada uma tem o seu método. Para a segunda existe protocolo próprio, e ele é sobre primeira impressão, não sobre pixel: como decidir entre as fotos que você já tem.

Na prática, você decide em qual régua o arquivo vai ser julgado antes de medir:

  • régua da máquina, quando o arquivo é entrada de um sistema: cadastro em controle de acesso, envio para um formulário que vai recortar sozinho, ou anexo que vai servir de referência para uma geração de imagem.
  • régua humana, quando o arquivo é o que aparece para gente: foto de perfil, assinatura de e-mail, página de equipe. Aqui sorriso ajuda, fundo com profundidade ajuda, e a norma não tem jurisdição nenhuma.
  • as duas, quando o mesmo arquivo faz os dois papéis. Nesse caso a régua dura entra primeiro, como corte: se a IED não chega a 90 px, nem discuta expressão.

Existe ainda uma linha que costuma ser lida errada. A cláusula 4.4 desaconselha que candidatos enviem retratos feitos por fotógrafos amadores, capturados em equipamento amador como celulares e tablets, ou impressos em impressora doméstica, porque tipicamente não alcançam o nível de qualidade exigido. Isso é política de emissão de documento, não veredicto sobre a sua selfie: a conta da seção anterior mostra que uma foto de celular a um metro passa com folga. O que a cláusula diz é que um emissor não pode contar com isso na média das submissões. Para todo o resto, o guia de luz, pose e enquadramento do retrato continua sendo o manual mais prático que você tem.

Reprovou: recortar menos, refazer a captura ou usar só como referência

Medir sem saber o que fazer com o resultado é perda de tempo. Cada sintoma abaixo tem uma causa e uma correção, e em vários casos a correção é aceitar que aquele arquivo tem outro papel.

  • IED entre 60 px e 89 px. Causa: o rosto é pequeno dentro do quadro. Correção: nenhuma no arquivo. Recortar mais não cria pixel, só joga fora o que sobrava em volta. O destino natural desse arquivo é virar entrada, não saída: ele ainda carrega traço suficiente para servir como foto de referência numa geração de imagem.
  • IED abaixo de 60 px. Causa: distância grande demais na captura, ou recorte de uma foto coletiva. Correção: refazer a captura. Abaixo disso o arquivo não passa nem na régua brasileira mais frouxa, e nenhum processamento devolve o que a lente não registrou.
  • IED alta e foto borrada. Causa: foco no lugar errado ou movimento, não falta de resolução. Correção: refazer com apoio e com o foco travado no olho. Amplie a 100% antes de decidir: se a pinta e a ruga sumiram, o problema não é tamanho.
  • Cabeça acima de 90% da altura da imagem. Causa: recorte apertado demais, com o topo do crânio cortado. Correção: recortar menos. A tabela 9 pede de 60% a 90%, e a documentação da AWS recomenda, na mesma linha, usar uma imagem com cabeça e ombros inteiros, sem recortar até a caixa do rosto.
  • Desnível entre as pupilas acima de 14% da IED. Causa: cabeça tombada além dos 8 graus. Correção: girar a imagem. É a única manipulação que a norma autoriza para esse fim, e ela não custa resolução perceptível.
  • Passou na medida e reprovou depois do upload. Causa: o arquivo foi recomprimido no caminho. Correção: conferir o que o destino aceita de dimensão e de peso antes de enviar, e enviar o original.
  • Vontade de resolver ampliando com IA. Causa: a IED baixa dói e existe botão prometendo resolver. Correção: entender o que esse botão faz. Ampliação inventa detalhe plausível onde não havia informação, e o que ela muda no rosto tem nome e sintoma: textura de pele lisa demais, olho realinhado, dente redesenhado.
  • O arquivo veio de uma foto de grupo. Causa: você está medindo uma fatia, não uma foto. Correção: fazer a conta de quanto sobrou antes de qualquer coisa, porque ela costuma decidir sozinha o caso.

Uma observação que economiza discussão: reprovar no piso de 90 px não torna a foto inútil, torna ela imprópria para um uso específico. A mesma imagem que não serve para cadastro pode ser ótima numa página de equipe, onde ela vai aparecer em 200 px de largura e ninguém vai extrair traço nenhum dela.

Perguntas frequentes

01Quantos pixels o rosto precisa ter numa foto?+
A pergunta certa não é sobre o rosto inteiro, é sobre a distância entre os centros dos olhos. O relatório técnico de qualidade de retrato da ICAO fixa 90 px como requisito e 240 px como boa prática. Convertendo pela razão medida por este blog (a distância entre os olhos fica em torno de 0,29 a 0,32 vezes a altura da cabeça), 90 px de olhos correspondem a uma cabeça de 281 px a 310 px, e 240 px, a uma cabeça de 750 px a 828 px.
02Qual é a distância mínima entre os olhos em pixels?+
São 90 px como requisito e 240 px como boa prática no relatório da ICAO. Para a imagem gravada no chip do documento o requisito continua 90 px e a boa prática cai para 120 px. Em português, o manual da Senior pede distância pupilar acima de 60 px, o que é dois terços do requisito internacional e um quarto da boa prática. Quando as duas réguas se aplicam ao mesmo arquivo, vale a mais exigente.
03Como sei se a minha foto serve para reconhecimento facial?+
Depende de qual dos dois usos você quer. Para cadastro, a régua é dura e a foto precisa cruzar os 90 px de distância entre os olhos, com pose dentro de poucos graus. Para comparação, a régua é bem mais frouxa: a documentação do Amazon Rekognition diz que o motor reconhece rostos tão pequenos quanto 50 x 50 px em imagens de até 1920 x 1080, com tolerância de yaw de 45 graus e nenhuma restrição de roll. Um rosto pequeno pode ser comparado e mesmo assim não servir para cadastrar.
04Foto de selfie serve para cadastro biométrico?+
Em resolução, quase sempre serve: uma selfie de 1080 x 1080 px com o rosto ocupando 60% da altura dá cerca de 188 px a 207 px entre os olhos. O problema é a distância. O relatório da ICAO registra numa nota que retratos em estilo selfie provavelmente não mantêm o requisito de distância mínima, e a tabela de distorção mostra por que: braço esticado fica em 0,5 m a 0,7 m, faixa em que a magnificação vai de 10% a 7,1%, acima do teto de 7%. Como referência para gerar uma imagem, vale; como imagem de cadastro, o enquadramento pede um apoio e um metro de distância.
05Foto que passa na norma serve como foto de perfil?+
Não necessariamente, e essa é a parte que quase nenhuma página diz. A norma exige expressão neutra sem sorriso, boca fechada, fundo de cor uniforme e nenhum retoque local. Uma imagem que cumpre tudo isso é legível para máquina e costuma ser inerte para gente. A decisão sobre qual foto publicar é de outra natureza e tem método próprio.
↘ Pra tirar do papel

Sem arquivo que cruze a régua? Comece pela captura certa

Você envia de 1 a 5 fotos suas, escolhe estilo, enquadramento e expressão, e o gpt-image-2 devolve 1.024 x 1.024 px. A primeira imagem é gratuita, sem cartão, e serve de cobaia para as quatro medidas deste artigo.

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Resumo e próximos passos

A régua existe, tem cláusula, tem data e é gratuita. Ela mede a distância entre os centros dos olhos, com piso de 90 px e boa prática de 240 px, e o que decide se o seu arquivo cruza esse piso não é o megapixel da câmera, é a fração do quadro que a sua cara ocupa. Quatro medidas na ferramenta de recorte respondem isso em cinco minutos, e a conversão publicada aqui coloca a régua deste blog, a de dois fabricantes brasileiros e a internacional na mesma unidade pela primeira vez.

O que fazer com o veredicto muda conforme o destino. Se o arquivo vai virar entrada de sistema, o piso de 90 px é corte. Se ele vai ser visto por gente, a decisão volta para o terreno de sempre: luz, distância, altura de câmera e expressão, que é o assunto do guia de retrato do qual este artigo é um capítulo de medição. E, entre as fotos que sobrarem, o critério de escolha é humano, não numérico.

Se você quiser fechar o ciclo, meça três arquivos seus hoje: o mais recente do celular, uma selfie e um recorte de foto de grupo. A distribuição dos três resultados costuma ser mais informativa que qualquer conselho genérico sobre qualidade de imagem.

PM
Autor · Fundador, fotoslinkedin.com.br

Pedro Mota

Pedro Mota é fundador da fotoslinkedin.com.br, ferramenta de IA que transforma uma selfie em foto profissional pronta pro Linkedin em 60 segundos. Antes, atuou com design e produto digital. Hoje vê centenas de fotos por semana e escreve sobre o que funciona pra carreira no Brasil em 2026.

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