Como pedir aumento: o roteiro de 6 falas, o e-mail e as 5 respostas para o "não"

Como pedir aumento com número e data: os 4 caminhos do salário no Brasil, a faixa de mercado com fontes gratuitas, o e-mail, o roteiro de 6 falas, as respostas às 5 objeções e o plano depois do "não".

Guia · Publicado em · 23 min de leitura

Pedro Mota

Fundador, fotoslinkedin.com.br

Ilustração de uma pessoa empurrando sobre a mesa um papel com o número 6.375 para outra pessoa de braços cruzados: o primeiro número da negociação.

Saber como pedir aumento é, na prática, preparar uma negociação curta com três peças: um número, uma data e um plano para o caso de a resposta não ser sim. O resto (o tom, o e-mail, a hora certa) serve a essas três. Em seis passos, o pedido inteiro fica assim:

  1. Descubra o caminho. Reajuste da convenção, aumento por mérito, promoção ou equiparação pedem coisas diferentes e têm donos diferentes.
  2. Confira o calendário. Data-base da categoria, ciclo de avaliação e fechamento do orçamento decidem metade da resposta antes de você abrir a boca.
  3. Monte a faixa. Convenção coletiva, boletim do DIEESE e vagas com faixa escrita no anúncio, todas de graça.
  4. Peça a reunião por e-mail. O pedido em si vai para a conversa, não para a caixa de entrada.
  5. Conduza com 6 falas. Motivo, o que mudou, referência, número, pergunta para o "não" e fechamento com data.
  6. Registre o resultado. Sim, não ou depois: um e-mail curto com o que foi combinado e a data de revisão.

Nas cinco primeiras páginas em português que lemos para "como pedir aumento" em 22/10/2026, nenhuma cita convenção coletiva, dissídio, CLT, DIEESE ou qualquer estudo sobre o primeiro número de uma negociação, e só uma traz modelo de texto. Este guia cobre essas lacunas, com cada fonte linkada.

Qual aumento você está pedindo: os 4 caminhos do salário

No Brasil, o salário de um celetista sobe por quatro portas diferentes, e pedir na porta errada é o erro mais caro do processo. Cobrar "o dissídio" do chefe é pedir algo que ele não decide; pedir "um aumento" sem dizer se é mérito ou cargo novo deixa o outro lado responder à pergunta mais fácil.

Os 4 caminhos do salário e o que pedir em cada um
CaminhoQuem decide e quandoO que você levaO que dá para pedir
Reajuste da convenção ou do acordo coletivoSindicatos (ou sindicato e empresa), na data-base da categoriaA cláusula de reajuste e o piso do seu cargoNada ao chefe: você confere se foi aplicado. Se não foi, RH ou sindicato
Aumento por méritoGestor e RH, em geral no ciclo de avaliação ou de orçamentoEntregas com número e a referência de mercadoUm percentual ou valor sobre o salário atual, com data
PromoçãoGestor, RH e a estrutura de cargos da empresaO escopo novo que você já exerce ou quer assumirCargo novo e salário novo juntos, com critério e prazo
Equiparação salarialRegra da CLT (art. 461); RH, jurídico ou Justiça do TrabalhoOs fatos da comparação com o colegaNão é negociação: é cumprimento de regra. Busque orientação

CLT, arts. 461, 611 e 616 (Planalto), e serviço de consulta a instrumentos coletivos do gov.br, consultados em 22/10/2026. Quem decide e quando: descrição geral; cada empresa tem a sua política.

O primeiro caminho não é um pedido. O reajuste anual da categoria vem da convenção coletiva, que é o acordo entre o sindicato dos trabalhadores e o sindicato das empresas, ou do acordo coletivo, fechado entre o sindicato e uma ou mais empresas, como define o art. 611 da CLT. Esses instrumentos podem durar no máximo dois anos e não continuam valendo depois de vencidos (art. 614, § 3º), e é por isso que a cláusula de reajuste volta à mesa a cada data-base.

O nome popular confunde. No dia a dia, "dissídio" virou apelido do reajuste anual. Na CLT, dissídio coletivo é a ação que o sindicato ou a empresa abre na Justiça do Trabalho quando a negociação fracassa (art. 616, § 2º). Quando a negociação fecha, o reajuste que você recebe vem da convenção ou do acordo, sem dissídio nenhum.

Você pode ler a sua convenção sem pedir a ninguém. O Ministério do Trabalho mantém o serviço de consulta a instrumentos coletivos no gov.br, que leva ao Sistema Mediador. A página responde "Quem pode utilizar este serviço? Qualquer pessoa" e informa que o serviço é gratuito. Lá ficam convenções, acordos e termos aditivos registrados. Se o seu salário estiver abaixo do piso que a convenção fixa para o seu cargo, a conversa não é um pedido de aumento: é um ajuste que o RH ou o sindicato da categoria resolvem.

A equiparação também não se negocia: mesmo trabalho com salário diferente tem regra própria na CLT, com requisitos e exceções. O nosso guia de plano de carreira explica o que o art. 461 diz sobre equiparação e quadro de carreira; aqui basta saber que esse caminho passa pelo RH ou por um advogado, não pelo roteiro de negociação.

Sobram mérito e promoção, os dois que dependem de conversa e que o resto deste guia cobre. A diferença prática: no mérito você pede mais dinheiro pelo mesmo cargo; na promoção, pede o cargo, e o salário vem junto. Se você já exerce funções do degrau de cima há meses, peça a promoção, porque ela muda também o título que aparece no seu perfil e na carteira.

Quando pedir aumento: o calendário que decide antes de você

O que pesa no momento certo é o calendário, e ele dá para descobrir com antecedência. Três datas importam.

A data-base da categoria

Está escrita na convenção. Se o reajuste coletivo sai em outubro, pedir mérito em setembro mistura as duas conversas: o gestor pode responder "espera o reajuste", e o reajuste, como você vai ver na próxima seção, em geral só repõe a inflação. Peça antes da data-base deixando claro que é outra coisa, ou depois dela, com o reajuste já aplicado e fora da conta.

O ciclo de avaliação e o fechamento do orçamento

Em muitas empresas, aumento por mérito sai do orçamento do ano seguinte, e esse orçamento fecha meses antes do ciclo começar. Pergunte ao RH, sem cerimônia, duas coisas: quando é a avaliação e quando a área fecha o orçamento de pessoal. Se a resposta for "o orçamento de 2027 fecha em novembro", a sua conversa precisa acontecer antes disso, não em janeiro. Se a empresa liga a nota da avaliação ao reajuste, leia como o processo funciona no nosso guia de avaliação de desempenho e o diário de evidências, porque é dele que saem as provas da conversa.

Logo depois de uma entrega com número

Uma entrega mensurável e recente é um argumento forte porque o gestor ainda lembra dela. "Reduzi o fechamento mensal de 6 para 3 dias" pesa mais em outubro, quando aconteceu, do que em março, quando já virou rotina.

Sinais de que a hora é ruim

  • corte de custos anunciado, demissões recentes ou reestruturação da área;
  • chefe que chegou há poucas semanas e ainda não conhece o seu trabalho;
  • a semana de fechamento do trimestre, de auditoria ou de um lançamento;
  • você acabou de errar algo visível e o assunto ainda está quente.

Não há regra de "meses de casa": o "um ano" que circula não tem fonte, e quem mudou de escopo em seis meses tem argumento melhor do que quem fez o mesmo trabalho por três anos. O que conta é calendário favorável com prova nova.

Quanto pedir de aumento: a faixa de mercado e o primeiro número

Não existe percentual oficial de aumento individual, e os números que circulam ("peça de 10% a 20%") não têm fonte. O que dá para fazer é chegar a um valor defensável com fontes gratuitas, em três passos. Copie a calculadora abaixo e preencha com os seus dados.

CALCULADORA DE FAIXA EM 3 PASSOS (cerca de 30 minutos, fontes gratuitas)

PASSO 1 · O que a sua categoria já garante (10 min)
- Abra a consulta de instrumentos coletivos no gov.br (Sistema Mediador).
- Ache a convenção ou o acordo coletivo vigente da sua empresa e categoria.
- Anote: data-base, percentual de reajuste, piso do seu cargo (se houver)
  e se o reajuste é escalonado por faixa salarial.
- Compare o reajuste com o INPC dos 12 meses (o DIEESE publica o "reajuste
  necessário" de cada data-base). Até o INPC, é reposição; acima, ganho real.

PASSO 2 · O que o mercado paga pelo mesmo trabalho (15 min)
- Separe pelo menos 4 vagas do mesmo cargo, nível e região que tragam a
  faixa escrita no anúncio (no Linkedin ou em outro site).
- Anote o ponto médio de cada faixa: (mínimo + máximo) / 2.
- Ordene e pegue o valor do meio (mediana). Descarte a vaga mais fora da curva.

PASSO 3 · O seu número (5 min)
- Parta da mediana e ajuste pelas provas que você leva (escopo, resultado,
  responsabilidade nova).
- Não arredonde o resultado: diga R$ 6.375, não "uns 6.500".
- Anote também o seu mínimo aceitável e a sua alternativa se a resposta
  for não. Esses dois ficam só com você.
Ilustração de uma régua com três marcas, piso, mediana e seu número, com só a última circulada a lápis: a calculadora de faixa em 3 passos.

Repor não é ganhar: o que o DIEESE mostra

O reajuste coletivo é a régua mínima, não o seu aumento. No boletim De Olho nas Negociações nº 73 do DIEESE, de outubro de 2026, com dados registrados no Mediador até 9 de outubro, 86,1% das 15.122 negociações analisadas no acumulado do ano tiveram reajuste acima do INPC, 10,5% ficaram iguais à inflação e 3,4% abaixo. A variação real média foi de 1,36% acima da inflação. O mesmo boletim registra que 12,9% dos reajustes de 2026 são escalonados, isto é, pagam percentuais diferentes conforme a faixa salarial ou o tamanho da empresa, e por isso vale ler a cláusula inteira, não só a manchete do sindicato.

Para quem tem data-base em outubro, o reajuste necessário para repor o INPC de 12 meses é de 4,29%, segundo o mesmo boletim. Um exemplo ilustrativo: quem ganha R$ 4.000 precisa ir a R$ 4.171,60 só para manter o poder de compra. Se a convenção der 5,5%, o salário vai a R$ 4.220,00, e o ganho real é de R$ 48,40. Tudo o que você quiser acima disso é aumento individual, e é outra conversa, com outro argumento.

De onde tirar a faixa de mercado

A fonte mais direta são vagas do mesmo cargo que trazem a faixa escrita no anúncio. No Brasil, quando a faixa aparece, costuma estar no texto da descrição. Não conte com um filtro de salário: a própria Ajuda do Linkedin avisa que o campo de salário do anúncio está sendo descontinuado e que a leitura automática da faixa escrita na descrição vale apenas para os EUA. Procure no Linkedin e em outros sites de vagas, e anote só o que estiver escrito.

Existe também uma base paga. O Salariômetro da Fipe calcula médias e medianas para 2.741 ocupações com dados do CAGED, convertendo os salários para a jornada de 44 horas. A pesquisa por ocupação exige assinatura (a demonstração aberta usa dados de janeiro a junho de 2020), então ela entra aqui como opção para quem pode pagar, não como passo obrigatório.

Uma fronteira: a conta acima é para o emprego atual. Para quem vai trocar de empresa, o número tem outra lógica, que explicamos em pretensão salarial: o que colocar na contratação. E lembre que o valor da negociação é bruto; para saber quanto do bruto chega de fato na conta, desconte INSS e IR antes de comemorar.

Por que dizer o número primeiro, e por que um número quebrado

Duas linhas de pesquisa ajudam a decidir como falar o valor. Em três experimentos de negociação de compra e venda, Galinsky e Mussweiler (2001) observaram que a parte que fez a primeira oferta, fosse comprador ou vendedor, obteve resultado melhor, e que a primeira oferta previu fortemente o preço final. O efeito apareceu face a face e por e-mail. O mesmo estudo mostra o contra-ataque: o efeito sumiu quando a outra parte pensou nas alternativas do oponente, no preço de reserva dele ou no próprio alvo.

Isso vale para os dois lados da mesa. Se o seu chefe disser um número antes de você ("posso chegar a 5%"), não negocie a partir dele: volte ao seu alvo e à referência que o sustenta. É exatamente o que o passo 3 da calculadora prepara.

O segundo achado é sobre o formato. Em experimentos com valores pequenos, de 9 a 21 dólares (uma joia, um café, um livro), Mason, Lee, Wiley e Ames (2013) viram que quem recebeu uma primeira oferta precisa se afastou menos dela na contraproposta do que quem recebeu uma redonda, e numa negociação ao vivo o efeito chegou ao acordo final. A explicação dos autores: o número preciso faz parecer que quem propôs fez a conta. Num levantamento piloto com 356 primeiras ofertas de estudantes, 48% eram números o mais redondos possível, e nenhuma especificava o valor até a casa do dólar.

Os limites são claros: os dois estudos são de laboratório, com produtos e valores pequenos, e nenhum testou salário. O mecanismo, porém, é o mesmo que você quer transmitir: "eu fiz a conta". No exemplo ilustrativo da calculadora, com quatro vagas cujos pontos médios são R$ 5.900, R$ 6.250, R$ 6.500 e R$ 7.000, a mediana é R$ 6.375. Se as suas provas não sustentam ajuste, diga R$ 6.375, exatamente o que a conta deu, e não "uns 6.500", que soa como chute com folga. Se sustentam, some o ajuste e diga o resultado como ele saiu, sem arredondar para a centena.

Guarde dois números que não vão para a mesa: o mínimo que você aceita e a sua alternativa real se a resposta for não (o que a literatura de negociação chama de BATNA: outra proposta, uma promoção interna em outra área, um curso pago pela empresa). Saber os dois evita aceitar menos do que o mínimo só para encerrar a conversa.

Como pedir aumento ao chefe: o e-mail e o roteiro de 6 falas

O e-mail serve para marcar a conversa, não para fazer o pedido. Por escrito, o gestor responde quando quiser, encaminha sem contexto e não tem como você rebater uma objeção. Marque 30 minutos, diga o tema e avise que vai levar dados. Modelo:

Assunto: 30 minutos para conversar sobre a minha remuneração

Oi, [nome],

Queria marcar 30 minutos com você nas próximas duas semanas para
conversar sobre a minha remuneração e os próximos passos no meu cargo.

Vou levar um resumo do que entreguei desde [mês/ano] e uma referência de
mercado para o meu cargo, para a conversa ser objetiva.

Pode ser [dia] às [hora] ou [dia] às [hora]?

Obrigado,
[seu nome]

O assunto diz o tema sem surpresa, o "resumo do que entreguei" avisa que a conversa terá fato, e as duas opções de horário encurtam a troca de mensagens.

Na reunião, siga as seis falas abaixo. Elas cabem em cinco minutos; o resto do tempo é a resposta do outro lado.

ROTEIRO DE 6 FALAS PARA A CONVERSA

1. Abertura (o motivo, sem rodeio)
   "Pedi esta conversa para falar da minha remuneração."

2. O que mudou (escopo e resultado, com número)
   "Desde [mês], passei a [responsabilidade nova] e entreguei [resultado
   com número]."

3. A referência (fonte, não opinião)
   "Olhei a convenção da categoria e [n] vagas com faixa para o mesmo
   cargo. A mediana fica em R$ [valor]."

4. O pedido (um número preciso, e silêncio depois)
   "Por isso, peço passar para R$ [número preciso]."

5. Se a resposta for "não" ou "agora não"
   "Entendo. O que precisaria acontecer, e até quando, para isso ser
   possível?"

6. Fechamento (data e registro)
   "Combinamos revisar em [data]. Vou mandar um e-mail com o que
   acertamos para os dois terem por escrito."

Por que cada fala existe

  • Fala 1 evita o pedido diluído no meio de outro assunto.
  • Fala 2 troca "eu mereço" por fato com número. É o que o gestor consegue repetir para quem aprova o orçamento.
  • Fala 3 traz a fonte. Convenção, vagas com faixa e mediana trocam opinião por referência.
  • Fala 4 é o primeiro número, e preciso. Depois dela, fique em silêncio. Quem preenche o silêncio com justificativas costuma negociar contra si mesmo.
  • Fala 5 transforma o "não" em critério. A pergunta "o que precisaria acontecer, e até quando" é a mesma lógica de pedir feedback com exemplo e prazo: você sai com uma régua, não com um adjetivo.
  • Fala 6 cria o registro. Sem data e sem e-mail depois, a conversa vira lembrança de um lado só.

O que levar para a reunião

Cinco provas, em uma folha ou na tela do notebook:

  1. Duas ou três entregas com número (prazo, volume, receita, economia, erro evitado).
  2. A responsabilidade que você ganhou desde o último ajuste, com a data em que começou.
  3. Um elogio ou feedback escrito (e-mail, avaliação, mensagem de cliente).
  4. A cláusula de reajuste da sua convenção ou do acordo (passo 1 da calculadora).
  5. As vagas com faixa e a mediana (passo 2), com os links.

Se você não tem as entregas anotadas, o diário de evidências descrito no guia de avaliação de desempenho é o jeito de começar hoje para ter material no próximo ciclo.

Pedir não é a etapa que falta

Um dado ajuda a ajustar a expectativa. Num levantamento australiano com 4.582 empregados de 840 empresas, Artz, Goodall e Oswald (2018) encontraram que, com controles, mulheres pedem aumento com a mesma frequência que homens, mas conseguem menos: cerca de um quarto menos chance de obter o aumento. Nos dados crus, 74,5% dos homens e 66,0% das mulheres disseram ter pedido. Os limites: é a Austrália, os dados são autorrelatados, e entre pessoas com menos de 41 anos os autores não acharam diferença.

A leitura útil: a coragem de pedir não é o único gargalo. O que você controla é o que vem junto (número com fonte, prova escrita, registro do que foi dito), e pedidos documentados permitem enxergar um padrão ao longo do tempo, se ele existir.

As 5 objeções mais comuns e o que pedir no lugar do dinheiro

O "não" ou o "agora não" é comum o bastante para você chegar com o plano pronto. A tabela abaixo traz as cinco respostas que mais aparecem, o que cada uma costuma significar e uma resposta que mantém a conversa em critério. Nenhuma delas garante o aumento; elas evitam que a conversa termine sem nada combinado.

Objeção, o que significa e o que responder
ObjeçãoO que costuma significarResposta prontaO que pedir no lugar
"Não tem orçamento agora."O orçamento do ano já fechou"Quando abre o próximo ciclo? Dá para eu entrar nele com esse número?"Data de revisão por escrito e o número registrado para o próximo ciclo
"Agora não é o momento."Prioridade, crise ou falta de prova"Entendo. Qual seria o momento, e o que precisa estar entregue até lá?"Meta escrita com número e data
"Vamos ver na avaliação."O mérito está ligado ao ciclo"Combinado. Posso deixar registrado que vamos tratar do salário nessa avaliação, com estes resultados?"Salário na pauta da avaliação, por escrito
"Você já ganha bem para o cargo."A empresa usa outra referência"Qual referência a empresa usa? Trouxe a convenção e as vagas; posso comparar com a de vocês?"Acesso à faixa interna ou à política de cargos e salários
"Faz uma proposta por escrito."Precisa levar para RH ou diretoria"Mando hoje. Quem decide e em quanto tempo?"Prazo de resposta e o nome de quem decide

Critério editorial do fotoslinkedin. As respostas organizam a conversa e não garantem resultado.

Quando o dinheiro não sai, há moedas que custam menos para a empresa e valem para você: um curso ou certificação paga, um dia de trabalho remoto a mais, o título do cargo atualizado para refletir o escopo que você já tem, ou a data do próximo ajuste antecipada. Peça uma de cada vez, e só depois de registrar a data de revisão do salário. Trocar o aumento por um benefício sem data é aceitar o "não" com outro nome.

Duas falas para evitar em qualquer objeção: ameaçar sair sem ter uma proposta de fato, e usar motivo pessoal ("o aluguel subiu") como argumento. A primeira transforma negociação em ultimato; a segunda pede ao gestor que pague pela sua vida, não pelo seu trabalho, e ele não tem como levar isso a quem aprova.

Depois do "não": o registro com meta e data de revisão

A conversa terminou sem aumento. No mesmo dia, mande o e-mail de registro. Ele não cobra nada: coloca no papel o que os dois disseram, e isso muda a próxima conversa.

Assunto: Registro da nossa conversa de [data]

Oi, [nome],

Obrigado pela conversa de hoje. Para os dois terem o mesmo registro:

- Pedi passar a remuneração para R$ [número].
- A resposta foi que [motivo dito: orçamento / momento / avaliação].
- Combinamos que, até [data], eu entrego [meta com número e prazo].
- Vamos revisar a remuneração em [data], com base nesse resultado.

Se algo ficou diferente do que você entendeu, me avise que eu ajusto.

Obrigado,
[seu nome]

Cada linha tem uma função. A primeira fixa o número pedido, para ele não encolher na memória de ninguém; a segunda registra o motivo dado, para ele não mudar na próxima rodada. A terceira transforma o "agora não" em uma meta; escreva-a com número, prazo e dono, do jeito que mostramos em metas SMART com checkpoint no meio do ciclo. A quarta marca a revisão. A última frase dá ao gestor a chance de corrigir, o que torna o registro dos dois, não só seu.

Coloque a data de revisão na sua agenda e, uma semana antes, mande ao gestor o resultado da meta. Se a meta foi cumprida, a nova conversa começa pela fala 2 do roteiro, com a prova pronta.

Quando o "não" vira sinal para olhar fora

Um "não" isolado é parte do trabalho. Alguns padrões, porém, indicam que a resposta não depende do seu desempenho:

  • duas revisões combinadas passaram sem movimento, mesmo com a meta cumprida;
  • a mediana das vagas comparáveis está bem acima do seu salário e a empresa não mostra a referência que usa;
  • o motivo muda a cada conversa (orçamento, depois momento, depois avaliação);
  • ninguém consegue dizer quem decide.

Se dois desses aparecerem, a sua alternativa real deixa de ser hipotética. Para organizar a busca sem largar o emprego, o roteiro de recolocação profissional em 8 semanas começa pelo que você já tem: a mesma lista de entregas que preparou para esta conversa.

Depois do "sim": o que muda no Linkedin (e o que não muda)

O valor nunca vai para o perfil. Salário é conversa entre você e a empresa, e publicá-lo expõe colegas e a sua próxima negociação. O que muda é o que o aumento representa, principalmente se veio com promoção.

  • Cargo novo na mesma empresa. Adicione o novo cargo em vez de editar o antigo. Segundo a Ajuda do Linkedin sobre agrupamento de cargos, os cargos são agrupados quando o novo começa até um mês depois do fim do anterior na mesma empresa, o que mostra a progressão na própria seção de experiência.
  • O aviso à rede é escolha sua. A página de ajuda sobre compartilhar atualizações do perfil explica que você pode notificar a rede sobre mudanças de emprego (em Eu, Configurações e privacidade, Visibilidade, Compartilhar atualizações de perfil) e que a atualização pode levar até duas horas para chegar à rede. Decida antes de salvar.
  • Uma linha de resultado. Leve para a descrição do cargo a entrega com número que sustentou o pedido. O guia de avaliação tem uma seção sobre o que levar do ciclo para o perfil.
  • A foto ao lado do cargo novo. Quem abre o perfil por causa do aviso vê primeiro o nome, o título e a foto. Se a foto é de três empregos atrás, vale ver o que conferir na foto que fica ao lado do cargo novo.

Se o aumento foi só de mérito, sem cargo novo, não há nada a anunciar. Atualize a linha de resultado da experiência atual e siga.

Perguntas frequentes

Como pedir aumento ao chefe?
Marque 30 minutos por e-mail dizendo o tema, leve duas ou três entregas com número e uma referência de mercado com fonte, diga um número preciso e, se ouvir "agora não", saia com meta e data de revisão registradas por escrito no mesmo dia.
Quanto pedir de aumento?
Não existe percentual oficial para aumento individual. Parta da mediana de vagas comparáveis com faixa escrita e da sua convenção coletiva. Como régua do reajuste coletivo, o boletim do DIEESE de outubro de 2026 mostra variação real média de 1,36% acima do INPC no ano, até setembro.
Dissídio é a mesma coisa que aumento?
O que se chama de dissídio costuma ser o reajuste da convenção ou do acordo coletivo na data-base (CLT, art. 611). Na lei, dissídio coletivo é a ação aberta quando a negociação fracassa (art. 616). Aumento por mérito é outra conversa, individual, com o seu gestor.
Posso pedir aumento por e-mail?
Use o e-mail para marcar a conversa e para registrar o resultado. O pedido em si rende mais na reunião, onde dá para responder a uma objeção na hora.
Como colocar no Linkedin que fui promovido?
Adicione o cargo novo na mesma empresa, com início até um mês depois do fim do anterior, para os dois aparecerem agrupados. Antes de salvar, decida se quer avisar a rede em Configurações e privacidade, Visibilidade. Nunca publique o valor do salário.

Cargo novo no perfil e foto de três empregos atrás?

O aviso da promoção leva quem visita ao cargo novo, ao lado da foto. Em /comecar, a câmera conduz as selfies e a prévia sai sem custo, com marca d'água; sem a marca, são R$ 2,50 no Pix.

Gerar a prévia com selfies

Resumo e próximos passos

  • Descubra qual dos 4 caminhos é o seu: reajuste coletivo se confere, equiparação se resolve com RH ou advogado, mérito e promoção se negociam.
  • Tire o número de fonte (convenção, DIEESE, vagas com faixa) e diga-o quebrado, como saiu da conta.
  • Transforme o "não" em meta e data; dois "nãos" sem critério são sinal para olhar fora.
  • Depois do "sim", atualize cargo e resultado no perfil, sem o valor.

Se a conversa terminar com cargo novo, o próximo passo é o perfil: comece pelo guia do pilar sobre a foto que acompanha o perfil inteiro.

Pedro Mota

Fundador, fotoslinkedin.com.br

Pedro Mota é fundador da fotoslinkedin.com.br, ferramenta de IA que transforma uma selfie em foto profissional pronta pro Linkedin em 60 segundos. Antes, atuou com design e produto digital. Hoje vê centenas de fotos por semana e escreve sobre o que funciona pra carreira no Brasil em 2026.

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