Saber como pedir aumento é, na prática, preparar uma negociação curta com três peças: um número, uma data e um plano para o caso de a resposta não ser sim. O resto (o tom, o e-mail, a hora certa) serve a essas três. Em seis passos, o pedido inteiro fica assim:
- Descubra o caminho. Reajuste da convenção, aumento por mérito, promoção ou equiparação pedem coisas diferentes e têm donos diferentes.
- Confira o calendário. Data-base da categoria, ciclo de avaliação e fechamento do orçamento decidem metade da resposta antes de você abrir a boca.
- Monte a faixa. Convenção coletiva, boletim do DIEESE e vagas com faixa escrita no anúncio, todas de graça.
- Peça a reunião por e-mail. O pedido em si vai para a conversa, não para a caixa de entrada.
- Conduza com 6 falas. Motivo, o que mudou, referência, número, pergunta para o "não" e fechamento com data.
- Registre o resultado. Sim, não ou depois: um e-mail curto com o que foi combinado e a data de revisão.
Nas cinco primeiras páginas em português que lemos para "como pedir aumento" em 22/10/2026, nenhuma cita convenção coletiva, dissídio, CLT, DIEESE ou qualquer estudo sobre o primeiro número de uma negociação, e só uma traz modelo de texto. Este guia cobre essas lacunas, com cada fonte linkada.
Qual aumento você está pedindo: os 4 caminhos do salário
No Brasil, o salário de um celetista sobe por quatro portas diferentes, e pedir na porta errada é o erro mais caro do processo. Cobrar "o dissídio" do chefe é pedir algo que ele não decide; pedir "um aumento" sem dizer se é mérito ou cargo novo deixa o outro lado responder à pergunta mais fácil.
| Caminho | Quem decide e quando | O que você leva | O que dá para pedir |
|---|---|---|---|
| Reajuste da convenção ou do acordo coletivo | Sindicatos (ou sindicato e empresa), na data-base da categoria | A cláusula de reajuste e o piso do seu cargo | Nada ao chefe: você confere se foi aplicado. Se não foi, RH ou sindicato |
| Aumento por mérito | Gestor e RH, em geral no ciclo de avaliação ou de orçamento | Entregas com número e a referência de mercado | Um percentual ou valor sobre o salário atual, com data |
| Promoção | Gestor, RH e a estrutura de cargos da empresa | O escopo novo que você já exerce ou quer assumir | Cargo novo e salário novo juntos, com critério e prazo |
| Equiparação salarial | Regra da CLT (art. 461); RH, jurídico ou Justiça do Trabalho | Os fatos da comparação com o colega | Não é negociação: é cumprimento de regra. Busque orientação |
CLT, arts. 461, 611 e 616 (Planalto), e serviço de consulta a instrumentos coletivos do gov.br, consultados em 22/10/2026. Quem decide e quando: descrição geral; cada empresa tem a sua política.
O primeiro caminho não é um pedido. O reajuste anual da categoria vem da convenção coletiva, que é o acordo entre o sindicato dos trabalhadores e o sindicato das empresas, ou do acordo coletivo, fechado entre o sindicato e uma ou mais empresas, como define o art. 611 da CLT. Esses instrumentos podem durar no máximo dois anos e não continuam valendo depois de vencidos (art. 614, § 3º), e é por isso que a cláusula de reajuste volta à mesa a cada data-base.
O nome popular confunde. No dia a dia, "dissídio" virou apelido do reajuste anual. Na CLT, dissídio coletivo é a ação que o sindicato ou a empresa abre na Justiça do Trabalho quando a negociação fracassa (art. 616, § 2º). Quando a negociação fecha, o reajuste que você recebe vem da convenção ou do acordo, sem dissídio nenhum.
Você pode ler a sua convenção sem pedir a ninguém. O Ministério do Trabalho mantém o serviço de consulta a instrumentos coletivos no gov.br, que leva ao Sistema Mediador. A página responde "Quem pode utilizar este serviço? Qualquer pessoa" e informa que o serviço é gratuito. Lá ficam convenções, acordos e termos aditivos registrados. Se o seu salário estiver abaixo do piso que a convenção fixa para o seu cargo, a conversa não é um pedido de aumento: é um ajuste que o RH ou o sindicato da categoria resolvem.
A equiparação também não se negocia: mesmo trabalho com salário diferente tem regra própria na CLT, com requisitos e exceções. O nosso guia de plano de carreira explica o que o art. 461 diz sobre equiparação e quadro de carreira; aqui basta saber que esse caminho passa pelo RH ou por um advogado, não pelo roteiro de negociação.
Sobram mérito e promoção, os dois que dependem de conversa e que o resto deste guia cobre. A diferença prática: no mérito você pede mais dinheiro pelo mesmo cargo; na promoção, pede o cargo, e o salário vem junto. Se você já exerce funções do degrau de cima há meses, peça a promoção, porque ela muda também o título que aparece no seu perfil e na carteira.
Quando pedir aumento: o calendário que decide antes de você
O que pesa no momento certo é o calendário, e ele dá para descobrir com antecedência. Três datas importam.
A data-base da categoria
Está escrita na convenção. Se o reajuste coletivo sai em outubro, pedir mérito em setembro mistura as duas conversas: o gestor pode responder "espera o reajuste", e o reajuste, como você vai ver na próxima seção, em geral só repõe a inflação. Peça antes da data-base deixando claro que é outra coisa, ou depois dela, com o reajuste já aplicado e fora da conta.
O ciclo de avaliação e o fechamento do orçamento
Em muitas empresas, aumento por mérito sai do orçamento do ano seguinte, e esse orçamento fecha meses antes do ciclo começar. Pergunte ao RH, sem cerimônia, duas coisas: quando é a avaliação e quando a área fecha o orçamento de pessoal. Se a resposta for "o orçamento de 2027 fecha em novembro", a sua conversa precisa acontecer antes disso, não em janeiro. Se a empresa liga a nota da avaliação ao reajuste, leia como o processo funciona no nosso guia de avaliação de desempenho e o diário de evidências, porque é dele que saem as provas da conversa.
Logo depois de uma entrega com número
Uma entrega mensurável e recente é um argumento forte porque o gestor ainda lembra dela. "Reduzi o fechamento mensal de 6 para 3 dias" pesa mais em outubro, quando aconteceu, do que em março, quando já virou rotina.
Sinais de que a hora é ruim
- corte de custos anunciado, demissões recentes ou reestruturação da área;
- chefe que chegou há poucas semanas e ainda não conhece o seu trabalho;
- a semana de fechamento do trimestre, de auditoria ou de um lançamento;
- você acabou de errar algo visível e o assunto ainda está quente.
Não há regra de "meses de casa": o "um ano" que circula não tem fonte, e quem mudou de escopo em seis meses tem argumento melhor do que quem fez o mesmo trabalho por três anos. O que conta é calendário favorável com prova nova.
Quanto pedir de aumento: a faixa de mercado e o primeiro número
Não existe percentual oficial de aumento individual, e os números que circulam ("peça de 10% a 20%") não têm fonte. O que dá para fazer é chegar a um valor defensável com fontes gratuitas, em três passos. Copie a calculadora abaixo e preencha com os seus dados.
CALCULADORA DE FAIXA EM 3 PASSOS (cerca de 30 minutos, fontes gratuitas)
PASSO 1 · O que a sua categoria já garante (10 min)
- Abra a consulta de instrumentos coletivos no gov.br (Sistema Mediador).
- Ache a convenção ou o acordo coletivo vigente da sua empresa e categoria.
- Anote: data-base, percentual de reajuste, piso do seu cargo (se houver)
e se o reajuste é escalonado por faixa salarial.
- Compare o reajuste com o INPC dos 12 meses (o DIEESE publica o "reajuste
necessário" de cada data-base). Até o INPC, é reposição; acima, ganho real.
PASSO 2 · O que o mercado paga pelo mesmo trabalho (15 min)
- Separe pelo menos 4 vagas do mesmo cargo, nível e região que tragam a
faixa escrita no anúncio (no Linkedin ou em outro site).
- Anote o ponto médio de cada faixa: (mínimo + máximo) / 2.
- Ordene e pegue o valor do meio (mediana). Descarte a vaga mais fora da curva.
PASSO 3 · O seu número (5 min)
- Parta da mediana e ajuste pelas provas que você leva (escopo, resultado,
responsabilidade nova).
- Não arredonde o resultado: diga R$ 6.375, não "uns 6.500".
- Anote também o seu mínimo aceitável e a sua alternativa se a resposta
for não. Esses dois ficam só com você.
Repor não é ganhar: o que o DIEESE mostra
O reajuste coletivo é a régua mínima, não o seu aumento. No boletim De Olho nas Negociações nº 73 do DIEESE, de outubro de 2026, com dados registrados no Mediador até 9 de outubro, 86,1% das 15.122 negociações analisadas no acumulado do ano tiveram reajuste acima do INPC, 10,5% ficaram iguais à inflação e 3,4% abaixo. A variação real média foi de 1,36% acima da inflação. O mesmo boletim registra que 12,9% dos reajustes de 2026 são escalonados, isto é, pagam percentuais diferentes conforme a faixa salarial ou o tamanho da empresa, e por isso vale ler a cláusula inteira, não só a manchete do sindicato.
Para quem tem data-base em outubro, o reajuste necessário para repor o INPC de 12 meses é de 4,29%, segundo o mesmo boletim. Um exemplo ilustrativo: quem ganha R$ 4.000 precisa ir a R$ 4.171,60 só para manter o poder de compra. Se a convenção der 5,5%, o salário vai a R$ 4.220,00, e o ganho real é de R$ 48,40. Tudo o que você quiser acima disso é aumento individual, e é outra conversa, com outro argumento.
De onde tirar a faixa de mercado
A fonte mais direta são vagas do mesmo cargo que trazem a faixa escrita no anúncio. No Brasil, quando a faixa aparece, costuma estar no texto da descrição. Não conte com um filtro de salário: a própria Ajuda do Linkedin avisa que o campo de salário do anúncio está sendo descontinuado e que a leitura automática da faixa escrita na descrição vale apenas para os EUA. Procure no Linkedin e em outros sites de vagas, e anote só o que estiver escrito.
Existe também uma base paga. O Salariômetro da Fipe calcula médias e medianas para 2.741 ocupações com dados do CAGED, convertendo os salários para a jornada de 44 horas. A pesquisa por ocupação exige assinatura (a demonstração aberta usa dados de janeiro a junho de 2020), então ela entra aqui como opção para quem pode pagar, não como passo obrigatório.
Uma fronteira: a conta acima é para o emprego atual. Para quem vai trocar de empresa, o número tem outra lógica, que explicamos em pretensão salarial: o que colocar na contratação. E lembre que o valor da negociação é bruto; para saber quanto do bruto chega de fato na conta, desconte INSS e IR antes de comemorar.
Por que dizer o número primeiro, e por que um número quebrado
Duas linhas de pesquisa ajudam a decidir como falar o valor. Em três experimentos de negociação de compra e venda, Galinsky e Mussweiler (2001) observaram que a parte que fez a primeira oferta, fosse comprador ou vendedor, obteve resultado melhor, e que a primeira oferta previu fortemente o preço final. O efeito apareceu face a face e por e-mail. O mesmo estudo mostra o contra-ataque: o efeito sumiu quando a outra parte pensou nas alternativas do oponente, no preço de reserva dele ou no próprio alvo.
Isso vale para os dois lados da mesa. Se o seu chefe disser um número antes de você ("posso chegar a 5%"), não negocie a partir dele: volte ao seu alvo e à referência que o sustenta. É exatamente o que o passo 3 da calculadora prepara.
O segundo achado é sobre o formato. Em experimentos com valores pequenos, de 9 a 21 dólares (uma joia, um café, um livro), Mason, Lee, Wiley e Ames (2013) viram que quem recebeu uma primeira oferta precisa se afastou menos dela na contraproposta do que quem recebeu uma redonda, e numa negociação ao vivo o efeito chegou ao acordo final. A explicação dos autores: o número preciso faz parecer que quem propôs fez a conta. Num levantamento piloto com 356 primeiras ofertas de estudantes, 48% eram números o mais redondos possível, e nenhuma especificava o valor até a casa do dólar.
Os limites são claros: os dois estudos são de laboratório, com produtos e valores pequenos, e nenhum testou salário. O mecanismo, porém, é o mesmo que você quer transmitir: "eu fiz a conta". No exemplo ilustrativo da calculadora, com quatro vagas cujos pontos médios são R$ 5.900, R$ 6.250, R$ 6.500 e R$ 7.000, a mediana é R$ 6.375. Se as suas provas não sustentam ajuste, diga R$ 6.375, exatamente o que a conta deu, e não "uns 6.500", que soa como chute com folga. Se sustentam, some o ajuste e diga o resultado como ele saiu, sem arredondar para a centena.
Guarde dois números que não vão para a mesa: o mínimo que você aceita e a sua alternativa real se a resposta for não (o que a literatura de negociação chama de BATNA: outra proposta, uma promoção interna em outra área, um curso pago pela empresa). Saber os dois evita aceitar menos do que o mínimo só para encerrar a conversa.
Como pedir aumento ao chefe: o e-mail e o roteiro de 6 falas
O e-mail serve para marcar a conversa, não para fazer o pedido. Por escrito, o gestor responde quando quiser, encaminha sem contexto e não tem como você rebater uma objeção. Marque 30 minutos, diga o tema e avise que vai levar dados. Modelo:
Assunto: 30 minutos para conversar sobre a minha remuneração
Oi, [nome],
Queria marcar 30 minutos com você nas próximas duas semanas para
conversar sobre a minha remuneração e os próximos passos no meu cargo.
Vou levar um resumo do que entreguei desde [mês/ano] e uma referência de
mercado para o meu cargo, para a conversa ser objetiva.
Pode ser [dia] às [hora] ou [dia] às [hora]?
Obrigado,
[seu nome]O assunto diz o tema sem surpresa, o "resumo do que entreguei" avisa que a conversa terá fato, e as duas opções de horário encurtam a troca de mensagens.
Na reunião, siga as seis falas abaixo. Elas cabem em cinco minutos; o resto do tempo é a resposta do outro lado.
ROTEIRO DE 6 FALAS PARA A CONVERSA
1. Abertura (o motivo, sem rodeio)
"Pedi esta conversa para falar da minha remuneração."
2. O que mudou (escopo e resultado, com número)
"Desde [mês], passei a [responsabilidade nova] e entreguei [resultado
com número]."
3. A referência (fonte, não opinião)
"Olhei a convenção da categoria e [n] vagas com faixa para o mesmo
cargo. A mediana fica em R$ [valor]."
4. O pedido (um número preciso, e silêncio depois)
"Por isso, peço passar para R$ [número preciso]."
5. Se a resposta for "não" ou "agora não"
"Entendo. O que precisaria acontecer, e até quando, para isso ser
possível?"
6. Fechamento (data e registro)
"Combinamos revisar em [data]. Vou mandar um e-mail com o que
acertamos para os dois terem por escrito."Por que cada fala existe
- Fala 1 evita o pedido diluído no meio de outro assunto.
- Fala 2 troca "eu mereço" por fato com número. É o que o gestor consegue repetir para quem aprova o orçamento.
- Fala 3 traz a fonte. Convenção, vagas com faixa e mediana trocam opinião por referência.
- Fala 4 é o primeiro número, e preciso. Depois dela, fique em silêncio. Quem preenche o silêncio com justificativas costuma negociar contra si mesmo.
- Fala 5 transforma o "não" em critério. A pergunta "o que precisaria acontecer, e até quando" é a mesma lógica de pedir feedback com exemplo e prazo: você sai com uma régua, não com um adjetivo.
- Fala 6 cria o registro. Sem data e sem e-mail depois, a conversa vira lembrança de um lado só.
O que levar para a reunião
Cinco provas, em uma folha ou na tela do notebook:
- Duas ou três entregas com número (prazo, volume, receita, economia, erro evitado).
- A responsabilidade que você ganhou desde o último ajuste, com a data em que começou.
- Um elogio ou feedback escrito (e-mail, avaliação, mensagem de cliente).
- A cláusula de reajuste da sua convenção ou do acordo (passo 1 da calculadora).
- As vagas com faixa e a mediana (passo 2), com os links.
Se você não tem as entregas anotadas, o diário de evidências descrito no guia de avaliação de desempenho é o jeito de começar hoje para ter material no próximo ciclo.
Pedir não é a etapa que falta
Um dado ajuda a ajustar a expectativa. Num levantamento australiano com 4.582 empregados de 840 empresas, Artz, Goodall e Oswald (2018) encontraram que, com controles, mulheres pedem aumento com a mesma frequência que homens, mas conseguem menos: cerca de um quarto menos chance de obter o aumento. Nos dados crus, 74,5% dos homens e 66,0% das mulheres disseram ter pedido. Os limites: é a Austrália, os dados são autorrelatados, e entre pessoas com menos de 41 anos os autores não acharam diferença.
A leitura útil: a coragem de pedir não é o único gargalo. O que você controla é o que vem junto (número com fonte, prova escrita, registro do que foi dito), e pedidos documentados permitem enxergar um padrão ao longo do tempo, se ele existir.
As 5 objeções mais comuns e o que pedir no lugar do dinheiro
O "não" ou o "agora não" é comum o bastante para você chegar com o plano pronto. A tabela abaixo traz as cinco respostas que mais aparecem, o que cada uma costuma significar e uma resposta que mantém a conversa em critério. Nenhuma delas garante o aumento; elas evitam que a conversa termine sem nada combinado.
| Objeção | O que costuma significar | Resposta pronta | O que pedir no lugar |
|---|---|---|---|
| "Não tem orçamento agora." | O orçamento do ano já fechou | "Quando abre o próximo ciclo? Dá para eu entrar nele com esse número?" | Data de revisão por escrito e o número registrado para o próximo ciclo |
| "Agora não é o momento." | Prioridade, crise ou falta de prova | "Entendo. Qual seria o momento, e o que precisa estar entregue até lá?" | Meta escrita com número e data |
| "Vamos ver na avaliação." | O mérito está ligado ao ciclo | "Combinado. Posso deixar registrado que vamos tratar do salário nessa avaliação, com estes resultados?" | Salário na pauta da avaliação, por escrito |
| "Você já ganha bem para o cargo." | A empresa usa outra referência | "Qual referência a empresa usa? Trouxe a convenção e as vagas; posso comparar com a de vocês?" | Acesso à faixa interna ou à política de cargos e salários |
| "Faz uma proposta por escrito." | Precisa levar para RH ou diretoria | "Mando hoje. Quem decide e em quanto tempo?" | Prazo de resposta e o nome de quem decide |
Critério editorial do fotoslinkedin. As respostas organizam a conversa e não garantem resultado.
Quando o dinheiro não sai, há moedas que custam menos para a empresa e valem para você: um curso ou certificação paga, um dia de trabalho remoto a mais, o título do cargo atualizado para refletir o escopo que você já tem, ou a data do próximo ajuste antecipada. Peça uma de cada vez, e só depois de registrar a data de revisão do salário. Trocar o aumento por um benefício sem data é aceitar o "não" com outro nome.
Duas falas para evitar em qualquer objeção: ameaçar sair sem ter uma proposta de fato, e usar motivo pessoal ("o aluguel subiu") como argumento. A primeira transforma negociação em ultimato; a segunda pede ao gestor que pague pela sua vida, não pelo seu trabalho, e ele não tem como levar isso a quem aprova.
Depois do "não": o registro com meta e data de revisão
A conversa terminou sem aumento. No mesmo dia, mande o e-mail de registro. Ele não cobra nada: coloca no papel o que os dois disseram, e isso muda a próxima conversa.
Assunto: Registro da nossa conversa de [data]
Oi, [nome],
Obrigado pela conversa de hoje. Para os dois terem o mesmo registro:
- Pedi passar a remuneração para R$ [número].
- A resposta foi que [motivo dito: orçamento / momento / avaliação].
- Combinamos que, até [data], eu entrego [meta com número e prazo].
- Vamos revisar a remuneração em [data], com base nesse resultado.
Se algo ficou diferente do que você entendeu, me avise que eu ajusto.
Obrigado,
[seu nome]Cada linha tem uma função. A primeira fixa o número pedido, para ele não encolher na memória de ninguém; a segunda registra o motivo dado, para ele não mudar na próxima rodada. A terceira transforma o "agora não" em uma meta; escreva-a com número, prazo e dono, do jeito que mostramos em metas SMART com checkpoint no meio do ciclo. A quarta marca a revisão. A última frase dá ao gestor a chance de corrigir, o que torna o registro dos dois, não só seu.
Coloque a data de revisão na sua agenda e, uma semana antes, mande ao gestor o resultado da meta. Se a meta foi cumprida, a nova conversa começa pela fala 2 do roteiro, com a prova pronta.
Quando o "não" vira sinal para olhar fora
Um "não" isolado é parte do trabalho. Alguns padrões, porém, indicam que a resposta não depende do seu desempenho:
- duas revisões combinadas passaram sem movimento, mesmo com a meta cumprida;
- a mediana das vagas comparáveis está bem acima do seu salário e a empresa não mostra a referência que usa;
- o motivo muda a cada conversa (orçamento, depois momento, depois avaliação);
- ninguém consegue dizer quem decide.
Se dois desses aparecerem, a sua alternativa real deixa de ser hipotética. Para organizar a busca sem largar o emprego, o roteiro de recolocação profissional em 8 semanas começa pelo que você já tem: a mesma lista de entregas que preparou para esta conversa.
Depois do "sim": o que muda no Linkedin (e o que não muda)
O valor nunca vai para o perfil. Salário é conversa entre você e a empresa, e publicá-lo expõe colegas e a sua próxima negociação. O que muda é o que o aumento representa, principalmente se veio com promoção.
- Cargo novo na mesma empresa. Adicione o novo cargo em vez de editar o antigo. Segundo a Ajuda do Linkedin sobre agrupamento de cargos, os cargos são agrupados quando o novo começa até um mês depois do fim do anterior na mesma empresa, o que mostra a progressão na própria seção de experiência.
- O aviso à rede é escolha sua. A página de ajuda sobre compartilhar atualizações do perfil explica que você pode notificar a rede sobre mudanças de emprego (em Eu, Configurações e privacidade, Visibilidade, Compartilhar atualizações de perfil) e que a atualização pode levar até duas horas para chegar à rede. Decida antes de salvar.
- Uma linha de resultado. Leve para a descrição do cargo a entrega com número que sustentou o pedido. O guia de avaliação tem uma seção sobre o que levar do ciclo para o perfil.
- A foto ao lado do cargo novo. Quem abre o perfil por causa do aviso vê primeiro o nome, o título e a foto. Se a foto é de três empregos atrás, vale ver o que conferir na foto que fica ao lado do cargo novo.
Se o aumento foi só de mérito, sem cargo novo, não há nada a anunciar. Atualize a linha de resultado da experiência atual e siga.
Perguntas frequentes
Como pedir aumento ao chefe?
Quanto pedir de aumento?
Dissídio é a mesma coisa que aumento?
Posso pedir aumento por e-mail?
Como colocar no Linkedin que fui promovido?
Cargo novo no perfil e foto de três empregos atrás?
O aviso da promoção leva quem visita ao cargo novo, ao lado da foto. Em /comecar, a câmera conduz as selfies e a prévia sai sem custo, com marca d'água; sem a marca, são R$ 2,50 no Pix.
Resumo e próximos passos
- Descubra qual dos 4 caminhos é o seu: reajuste coletivo se confere, equiparação se resolve com RH ou advogado, mérito e promoção se negociam.
- Tire o número de fonte (convenção, DIEESE, vagas com faixa) e diga-o quebrado, como saiu da conta.
- Transforme o "não" em meta e data; dois "nãos" sem critério são sinal para olhar fora.
- Depois do "sim", atualize cargo e resultado no perfil, sem o valor.
Se a conversa terminar com cargo novo, o próximo passo é o perfil: comece pelo guia do pilar sobre a foto que acompanha o perfil inteiro.
Pedro Mota
Fundador, fotoslinkedin.com.br
Pedro Mota é fundador da fotoslinkedin.com.br, ferramenta de IA que transforma uma selfie em foto profissional pronta pro Linkedin em 60 segundos. Antes, atuou com design e produto digital. Hoje vê centenas de fotos por semana e escreve sobre o que funciona pra carreira no Brasil em 2026.



