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Foto para currículo Lattes: o que cortar para caber em 70k

A ajuda oficial do CNPq pede JPG de até 70k e recomenda 120x160 px, e ninguém na busca linka essa página. Medimos bytes por dimensão, qualidade e fundo, mais 120 currículos públicos, para mostrar qual das três variáveis ceder primeiro.

PM
Pedro Mota
Fundador, fotoslinkedin.com.br
Cartão de retrato alto demais encostado por fora de uma caixa rotulada 70k, enquanto um cartão 600 x 800 com o mesmo rosto cabe dentro dela com folga.
Guiafotoslinkedin · 2026
Em uma frase

A ajuda oficial do CNPq pede um JPG de até 70k e recomenda 120x160 px. O teto quase nunca é o problema: a dimensão que você tentou subir é. Na nossa medição, 600x800 px em qualidade 80 com fundo liso pesa 35 KB, metade do limite.

A receita da foto para currículo Lattes que cabe em 70k

A foto para currículo Lattes tem um teto de peso e quase nenhuma explicação em volta dele. A cena se repete: você exporta a foto do celular, tenta subir, o sistema recusa, você abre o primeiro compressor que aparece na busca, arrasta o controle de qualidade até o fundo e publica um rosto quadriculado num currículo que fica público para sempre. A sequência abaixo evita isso, e ela é a receita inteira. O resto do artigo é a medição que sustenta cada passo.

  1. Recorte em 3:4 vertical, dos ombros para cima. É a mesma proporção do 3x4 que o currículo brasileiro usa há décadas, e o enquadramento em detalhe está no guia do 3x4 no currículo brasileiro. A cabeça ocupa a maior parte da altura, e sobra um dedo de ar acima dela.
  2. Escolha a dimensão antes de qualquer outra coisa. 600x800 px se você quer a melhor nitidez que cabe no teto; 480x640 px se quer margem larga para um fundo cheio de detalhe.
  3. Exporte em JPEG com qualidade 80. Não comece pela qualidade e não desça abaixo de 80 nesta etapa. O formato publicado pela ajuda oficial é JPG.
  4. Confira os bytes antes de subir. A regra segura é terminar abaixo de 70.000 bytes, que satisfaz as duas leituras possíveis do 70k (mais sobre isso adiante).
  5. Exporte sem metadado. É o único corte que não custa um pixel: em 8 dos 83 arquivos que medimos na própria base do Lattes, o metadado sozinho passava de 20.000 bytes.

Se ainda assim estourar, a resposta quase nunca é derrubar a qualidade: é o fundo, ou o metadado que ficou para trás. Parede lisa e estante com planta produzem arquivos de tamanhos muito diferentes com a mesma pessoa, a mesma dimensão e a mesma qualidade, e medimos essa diferença.

Os dois presets abaixo saíram da nossa tabela de bytes, e os dois são muito maiores que a dimensão que a ajuda oficial recomenda: o preset A tem 16 vezes a área de um 120x160, e o preset B tem 25 vezes.

Os dois presets que cabem, e o que a ajuda oficial recomenda
Preset
Dimensão e qualidade
Bytes medidos (fundo liso / fundo de casa)
Quando usar
A, margem larga
480x640 px, qualidade 80
23.843 / 40.241 bytes
Quando há estante, planta ou textura atrás de você. É o preset com folga real: nos nossos pares, o fundo de casa chegou a custar 2,5 vezes mais bytes que o liso.
B, melhor nitidez que cabe
600x800 px, qualidade 80
35.309 / 59.303 bytes
O padrão quando o fundo é liso. As duas medianas cabem, mas 2 dos 10 retratos com fundo de casa passaram de 70.000 bytes aqui: confira antes de subir.
A dica da ajuda oficial
120x160 px, proporção 3X4
4.081 / 6.238 bytes em qualidade 90
É o que a página do CNPq chama de tamanho ideal. Pesa 6% do teto e é pequeno demais para qualquer tela moderna.
O que costuma dar errado
4032x3024 px direto do celular
acima de 1.000.000 bytes
É daqui que nasce o conflito entre 70k e qualidade. Não existe qualidade JPEG que salve uma dimensão dessas.
Medição própria em 06/08/2026: mediana de 10 pares de retratos do acervo do produto (personas sintéticas), JPEG 4:2:0, sem metadado, Pillow 12.1.1. Dica oficial: ajuda do CNPq, página modificada em 31/08/2009.

O que a Plataforma Lattes publica sobre a foto, e em que ano publicou

A especificação existe, está aberta e ninguém na primeira página de busca a linka. Ela vive na wiki de ajuda que a própria Plataforma Lattes aponta como ajuda oficial. Na página Tela Inicial da ajuda do CNPq, o texto é este, palavra por palavra:

"Para inserir sua foto, envie um arquivo no formato JPG de até 70k. Para tanto, clique no local recomendado, selecione a imagem, e clique em 'enviar'. Dica: Procure colocar uma foto vertical, na proporção 3X4. O tamanho ideal para sua foto é 120x160 pixels. Se o tamanho for diferente, o sistema adequará a foto ao tamanho recomendado, sem distorção. No entanto, com o redimensionamento, perde-se qualidade."

A mesma página fecha com a instrução que mais aparece repetida por aí: "Quando salvar, cheque o tamanho do arquivo: se tiver mais de 70k de tamanho, salve com a qualidade mais baixa." Guarde essa frase, porque a nossa medição mostra que ela é o conselho certo na ordem errada. Uma página separada, chamada Fotografia, repete o essencial em uma linha: "Envie uma foto em formato JPG de até 70k."

Quatro observações que mudam a forma de usar isso, e nenhuma delas aparece nas páginas que hoje ranqueiam para o assunto.

  • As páginas são velhas, e isso importa. A Tela Inicial informa que foi modificada pela última vez às 21h53min de 31 de agosto de 2009; a página Fotografia, às 11h10min de 25 de agosto de 2008. Elas continuavam no ar em 06/08/2026. É a instrução oficial disponível, não uma promessa de comportamento atual do sistema.
  • O formato publicado é JPG. Muita página de terceiro escreve "JPG ou GIF". Não localizamos, em 06/08/2026, nenhuma página do CNPq autorizando GIF nesse campo. Na dúvida, JPG resolve e é o que está escrito.
  • O campo fica em Dados gerais. A página Identificação descreve o caminho como "Clique em Dados gerais > Identificação", com a seção Fotografia dentro dessa tela. A interface pode ter mudado desde 2009; o que citamos é o caminho descrito na ajuda oficial.
  • A ajuda só responde em HTTP. Pedimos a mesma página em HTTPS em 06/08/2026 e a conexão foi derrubada. É mais um sinal da idade do endereço, e o motivo de o link acima começar por http.

70k é 70.000 ou 71.680 bytes?

A ajuda escreve 70k e não diz qual. Medimos 120 currículos públicos (o método está mais abaixo) e os arquivos que aparecem colados no limite são 69.965, 70.985 e 71.287 bytes. A distribuição sugere que o 70k foi implementado como 70 x 1024 = 71.680 bytes, mas isso é leitura de distribuição, não especificação: ninguém publicou a implementação. Por isso a regra que este artigo publica é ficar abaixo de 70.000 bytes, que satisfaz as duas leituras e não depende de adivinhar nada.

Uma limitação honesta antes de seguir: o formulário de upload do Currículo Lattes está atrás de login, e nós não o inspecionamos. Tudo que este artigo afirma sobre a plataforma vem de documento aberto ou de arquivo publicamente servido. O que o formulário aceita hoje, no momento do envio, só quem está logado vê.

A foto é obrigatória? Os tutoriais divergem, e não vamos fechar essa

Nenhuma das três páginas oficiais que lemos declara obrigatoriedade. E os tutoriais institucionais, que é onde quase todo mundo procura, discordam entre si: o material de treinamento da biblioteca da UFU, em PDF de 2020, escreve "A foto é obrigatória"; a mesma frase aparece no tutorial da biblioteca da UNESP de Araraquara, em PDF de 2016; e o tutorial da Unichristus, de setembro de 2025, descreve o campo como "Foto de perfil (opcional, mas recomendada)". De fora do formulário não dá para fechar essa divergência, e nós não vamos fingir que fechamos: confira na sua própria tela. O que a nossa medição mostra é que a plataforma publica currículo sem foto, porque 32 dos 115 currículos que consultamos não tinham nenhuma.

O teto de 70k, esse sim, atravessa a documentação institucional inteira: aparece no manual de biblioteca da FURG, de 2016, na cartilha do Currículo Lattes do IFPI, de 2018, e no tutorial da Unichristus de 2025. São fontes secundárias, de universidade e de instituto federal, e valem como corroboração de que o número segue em pé, nunca como especificação do CNPq.

O mesmo número atravessou dezoito anos de documentação
Documento
O que ele escreve sobre a foto
Data do documento
Tipo de fonte
Ajuda do CNPq, página Fotografia
"Envie uma foto em formato JPG de até 70k"
modificada em 25/08/2008
Oficial (CNPq)
Ajuda do CNPq, página Tela Inicial
JPG de até 70k, mais a dica de 120x160 px na proporção 3X4
modificada em 31/08/2009
Oficial (CNPq)
FURG, manual de biblioteca
Na tela "Foto e resumo", sobre o campo de fotografia: "formato JPEG com tamanho de até 70kB"
PDF modificado em 19/04/2016
Institucional (universidade)
IFPI, cartilha do Currículo Lattes
"A imagem não poderá ultrapassar o tamanho máximo de 70 Kb", e ainda "Cuidado com a foto, o Currículo Lattes não é rede social!"
PDF de 2018
Institucional (instituto federal)
Unichristus, tutorial de preenchimento
Anotação sobre a tela do formulário: "Foto discreta, de preferência de rosto" e "Máx. 70 KB"
PDF de setembro de 2025
Institucional (universidade)
Nossa medição da base pública
16 de 83 arquivos publicados passam de 70.000 bytes; o maior tem 4.468.295
06/08/2026
Medição própria
Todas as URLs abertas e conferidas em 06/08/2026. As fontes institucionais são tutoriais de universidade e de instituto federal, citáveis como corroboração, e não valem como especificação do CNPq.

A tabela de bytes que medimos: dimensão, qualidade e fundo

Toda página que fala do assunto manda "reduzir para 70k" e nenhuma diz o que se perde ao reduzir. Não existe reduzir: existe escolher qual das três variáveis cede primeiro. Para colocar número nisso, exportamos os mesmos retratos em seis dimensões e várias qualidades e contamos os bytes de cada arquivo.

Como medimos. Vinte imagens do acervo do próprio produto, organizadas em dez pares. Cada par é a mesma persona sintética em duas cenas: retrato com fundo liso e retrato caseiro com fundo cheio de detalhe (parede texturizada, planta, ar-condicionado, sofá, piso). São personas geradas por IA, não pessoas fotografadas. Cada imagem foi convertida para RGB, recortada em 3:4 ancorada no topo para preservar a cabeça, redimensionada com reamostragem Lanczos e exportada em JPEG com subamostragem de croma 4:2:0, otimização de Huffman ligada, sem metadado e sem perfil de cor embutido, usando Pillow 12.1.1. Cada célula da tabela abaixo é a mediana dos dez arquivos, em bytes, medida em 06/08/2026. Um limite honesto antes de você conferir no seu arquivo: o peso de um JPEG depende da foto. Com outro conjunto de retratos, cada célula anda alguns milhares de bytes para cima ou para baixo. O que não muda é a ordem de grandeza de cada linha e a direção de cada alavanca, que é para isso que a tabela serve.

Quatro barras de bytes da mesma foto em qualidade 90 e fundo liso: só a de 900 x 1200 px atravessa a linha tracejada de 70 KB; 600 x 800 px para antes.

Três leituras saltam da tabela. A primeira: na dimensão que a própria ajuda recomenda, um rosto pesa cerca de 4 KB, ou seja, 6% do teto. O conflito entre 70k e qualidade que a busca inteira descreve simplesmente não existe em 120x160 px. Ele nasce de gente tentando subir um arquivo de celular com trinta vezes essa largura.

A segunda: o teto só começa a apertar a partir de 600x800 px, e mesmo ali ele aperta apenas para quem tem fundo detalhado. Em 900x1200 px e qualidade 90 a conta quebra dos dois lados, e nem derrubar a qualidade para 60 salva o fundo cheio, que continua em 70.557 bytes.

A terceira, e é a que vira regra: 600x800 em qualidade 80 cabe nos dois mundos. Passou disso, você está apostando no seu fundo.

Bytes por dimensão, qualidade e complexidade do fundo (mediana de 10 arquivos)
Dimensão em px
Qualidade JPEG
Fundo liso
Fundo com detalhe (planta, móvel, textura)
120x160 (a dica oficial)
90
4.081 bytes
6.238 bytes
120x160
80
2.875 bytes
4.362 bytes
240x320
90
11.517 bytes
18.522 bytes
240x320
80
7.710 bytes
12.510 bytes
354x472 (o 3x4 cm a 300 dpi)
90
22.102 bytes
37.134 bytes
354x472
80
14.438 bytes
23.649 bytes
480x640
90
37.860 bytes
62.911 bytes
480x640
80
23.843 bytes
40.241 bytes
600x800
90
56.082 bytes
92.248 bytes (estoura)
600x800
80
35.309 bytes
59.303 bytes
900x1200
90
112.625 bytes (estoura)
183.258 bytes (estoura)
900x1200
80
69.437 bytes (raspando)
115.729 bytes (estoura)
900x1200
70
53.437 bytes
87.762 bytes (estoura)
900x1200
60
44.381 bytes
70.557 bytes (estoura)
Medição própria, 06/08/2026. Teto de referência: 70.000 bytes. Método declarado no corpo do artigo (Pillow 12.1.1, JPEG 4:2:0, sem metadado, reamostragem Lanczos, 10 pares de personas sintéticas).

Por que o fundo é o corte mais barato, e isso é aritmética de JPEG

Compare duas células da tabela na mesma linha: 600x800 em qualidade 80 dá 35.309 bytes com fundo liso e 59.303 bytes com fundo de casa. É o mesmo rosto, a mesma dimensão e a mesma qualidade. A diferença inteira está atrás da pessoa.

Isso não é gosto, é o funcionamento do JPEG. A compressão gasta bits onde há detalhe de alta frequência, ou seja, onde a imagem muda muito de um pixel para o vizinho. Pele, cabelo liso e parede pintada mudam pouco e comprimem muito bem. Folha de planta, grade de ar-condicionado, textura de piso, lombada de livro e persiana mudam a cada pixel e consomem bytes que poderiam estar descrevendo o seu rosto.

Nos dez pares que medimos, no mesmo tamanho e na mesma qualidade, a mediana das razões par a par foi 1,73 vez mais bytes para o fundo de casa, com o par mais suave em 1,17 vez (40.515 contra 47.266 bytes) e o mais extremo em 2,50 vezes (30.015 contra 74.959 bytes). Olhando pelo outro ângulo, a razão entre as medianas da tabela é 1,68 vez, número um pouco menor porque mediana de razões e razão de medianas não são a mesma conta. Nas 36 células que medimos (6 dimensões por 6 qualidades), a razão entre fundo detalhado e fundo liso ficou entre 1,47 e 1,69. Leia esses dois conjuntos juntos, porque eles dizem coisas diferentes: a direção aparece em todas as células da grade, sempre no mesmo sentido; o tamanho do efeito, esse depende do seu fundo, e nos pares individuais foi de 1,17 a 2,50.

O desfecho prático é curto. Dez dos dez retratos com fundo liso couberam em 70.000 bytes; dois dos dez com fundo de casa estouraram (74.959 e 71.724 bytes), no mesmo tamanho e na mesma qualidade. Num destino com teto de peso, fundo liso deixa de ser estética e vira orçamento de bytes. Se você vai gerar ou tirar a foto agora, escolher um fundo que funcione é a decisão que compra mais espaço no arquivo com o menor custo visual. E se a foto já existe com uma estante atrás, ainda dá para recortar mais fechado no rosto: menos cenário no quadro é menos detalhe para o JPEG descrever.

A ordem do sacrifício: fundo, dimensão, qualidade, nessa ordem

A ajuda oficial manda "salvar com a qualidade mais baixa" quando o arquivo estoura. É o conselho mais antigo e o mais caro, porque a qualidade é justamente a alavanca que paga mais rosto por menos byte economizado. Para mostrar isso com número, medimos o erro que cada nível de qualidade introduz na faixa central do rosto (olhos e nariz), comparando cada arquivo com a versão em qualidade 95 do mesmo recorte, em 600x800 px.

  • De 95 para 90: o arquivo cai de 89.846 para 56.082 bytes, 38% menos bytes, com um erro médio de 3,07 na região do rosto. É quase invisível.
  • De 95 para 80: 35.309 bytes, 61% menos, com erro 4,01. Continua barato.
  • De 80 para 70: 27.211 bytes. Você economiza 8 KB e o erro sobe para 4,67. O ganho de arquivo já ficou pequeno.
  • De 90 para 60: o erro sobe 69% (de 3,07 para 5,18) por 33 KB. É onde a pele começa a mostrar bloco.
  • De 80 para 40: você economiza 18 KB e piora o rosto em 49% (de 4,01 para 5,99). É o pior negócio da tabela inteira.

Traduzindo: entre qualidade 95 e 80 você compra bytes barato. Abaixo de 70 você paga caro em rosto por pouquíssimo arquivo. O JPEG comprime em blocos de 8 por 8 pixels, e quando a qualidade cai o bloco aparece justamente nas superfícies suaves, que é o que a pele é. Por isso o rosto quadriculado sempre parece pior que o resto da foto: o fundo esconde o defeito, a bochecha não.

Daí a ordem correta, que é o inverso do reflexo de todo mundo:

  1. Simplifique o fundo (ou recorte mais fechado). É de graça em termos de rosto e vale até 2,5 vezes o tamanho do arquivo.
  2. Reduza a dimensão até o piso do destino. Reduzir de 900x1200 para 600x800 corta mais da metade dos bytes e ninguém percebe num campo que a plataforma exibe pequeno.
  3. Só então mexa na qualidade, e pare em 80. Se ainda não coube em qualidade 80, volte ao passo 1: o problema é fundo ou dimensão, não compressão.
O erro que não dá para desfazer

Abaixo de qualidade 70 o dano se concentra na pele e ao redor dos olhos, que é exatamente onde você não quer perder. E a perda é definitiva: reexportar em qualidade alta não devolve o que o JPEG jogou fora. Guarde sempre o arquivo original antes de espremer.

Exportar sem instalar nada e sem entregar o seu rosto a um site desconhecido

A receita padrão da busca é subir a foto num compressor online. Funciona, e é também a decisão de mandar o seu rosto para um servidor que você não conhece, com termos que você não leu. O critério para avaliar esse tipo de serviço está no exame das políticas de quem recebe o seu rosto. Aqui a conclusão é operacional: para reduzir um retrato para menos de 70 KB você não precisa de nenhum site, porque o seu computador já faz isso.

macOS: Pré-Visualização, em dois menus

A documentação da Apple descreve os dois movimentos separadamente. Para a dimensão, a página Recorte, redimensione ou gire uma imagem escreve: "Escolha Ferramentas > Ajustar Tamanho e selecione 'Nova amostra de imagem'", e recomenda marcar "Redimensionar proporcionalmente" para forçar a imagem a manter as proporções originais. Para a qualidade, a página Converta tipos de arquivo de imagem é explícita: "escolha Arquivo > Exportar. Clique no menu pop-up Formato e escolha HEIC, JPEG, JPEG-2000, OpenEXR, PDF, PNG ou TIFF... Se você escolher JPEG ou JPEG-2000, poderá ajustar a qualidade da imagem." É esse controle deslizante que corresponde à qualidade 80 da nossa tabela.

Windows: Paint faz dimensão, mas não faz qualidade

A página oficial do Paint informa que "você pode redimensionar uma imagem no Paint selecionando a opção 'Redimensionar' na guia 'Página inicial'", que dá para "especificar as novas dimensões da sua imagem em pixels ou como uma porcentagem do tamanho original", e que o programa salva em "PNG, JPEG, BMP e GIF, entre outros". O que ela não menciona, em nenhum ponto, é controle de qualidade JPEG (página lida inteira em 06/08/2026). Consequência honesta: no Windows, com as ferramentas que já vêm instaladas, a sua alavanca é a dimensão, não a compressão. O que é ótimo, porque dimensão é a alavanca certa mesmo. Reduza para 600x800 px e o arquivo cai sozinho para a faixa que cabe.

Não perca tempo procurando onde digitar o 80 na tela de salvar do Paint. Se o arquivo continuar grande depois de redimensionar, desça mais um degrau de dimensão (480x640 px), que é o preset A da tabela lá em cima.

Celular: o caminho previsível é passar pelo computador

Buscamos, em 06/08/2026, no suporte oficial da Apple (manual do iPhone e manual do app Atalhos) e nas páginas de suporte do Google, uma instrução nativa que permitisse redimensionar e reexportar uma foto com controle de qualidade JPEG, e não localizamos essa página. Isso não quer dizer que não exista aplicativo capaz de fazer o trabalho; quer dizer que não localizamos documentação oficial do fabricante descrevendo esse caminho. Na prática, quem resolve tudo no celular quase sempre acaba instalando um aplicativo de terceiro ou subindo a foto para um site, que é exatamente a decisão que este bloco tenta poupar. Mande o arquivo para o computador, exporte lá e suba de lá.

O arquivo que você sobe fica público do jeito que ele está

Faltava responder uma pergunta que nenhuma página do assunto faz: o teto publicado descreve o que está publicado? Para descobrir, coletamos identificadores públicos na Busca Textual do Lattes usando 15 sobrenomes brasileiros comuns, três páginas de resultado por sobrenome, e sorteamos 120 deles com semente fixa. Para cada um, pedimos a foto ao mesmo endereço público que a plataforma usa para exibi-la e lemos, no arquivo devolvido, o total de bytes, a dimensão declarada no cabeçalho do JPEG e o tamanho dos blocos de metadado. Nenhuma imagem, nome ou identificador de terceiro é reproduzido aqui: só a distribuição. Dos 120, 115 devolveram um JPEG válido.

Antes dos números, o limite que eles têm: é uma amostra de conveniência, montada por sobrenome comum, não uma amostra probabilística da base. Ela sustenta frases como "existe" e "nesta amostra, tantos", e não sustenta nenhuma porcentagem nacional. Ela também não diz o que o formulário aceita hoje: arquivos antigos podem ter entrado sob outras regras.

  • 32 dos 115 currículos não têm foto (28% da amostra). Todos devolvem o mesmo arquivo de 3.359 bytes e 95x99 px, com a mesma assinatura MD5: a silhueta padrão de quem deixou o campo vazio.
  • 16 dos 83 arquivos com foto real passam de 70.000 bytes (19% dos que têm foto). Quatro passam de 1 MB. O maior tem 4.468.295 bytes, mais de sessenta vezes o teto declarado, e a maior dimensão encontrada foi 5472x3648 px, cerca de mil vezes a área da dica de 120x160.
  • A mediana está confortável: 46.234 bytes, com quartis em 22.669 e 67.671. O problema não é a maioria, é a cauda.
  • Apenas 5 dos 83 arquivos têm largura de até 120 px. Ou seja, praticamente ninguém segue a dimensão recomendada pela ajuda, e subir um 600x800 não coloca você fora do padrão do que está publicado.
  • A plataforma serve o arquivo como ele foi enviado. Não encontramos variante reduzida: o endereço que exibe a foto devolve o mesmo arquivo, e é por isso que um 5472x3648 aparece inteiro.

Esse último ponto contradiz, na prática, a frase de 2009 que diz que "o sistema adequará a foto ao tamanho recomendado". Se isso valesse hoje, nenhum arquivo servido teria 5472x3648 px. Os dois lados estão na mesa: a ajuda oficial afirma que redimensiona, e o que observamos em 06/08/2026 é que os arquivos publicados chegam como foram enviados. A conclusão prática é a mesma nos dois casos: entregue já no tamanho certo, em vez de torcer para que alguém redimensione por você.

O metadado é o corte que não custa pixel

Em 30 dos 83 arquivos com foto sobrevive um bloco de metadado EXIF. Em 11 dá para ler marca e modelo do aparelho, em 14 aparece o programa que editou a imagem e em 2 existe bloco de GPS. Oito arquivos carregam mais de 20.000 bytes de metadado, e num deles 23.217 dos 42.317 bytes não são imagem, ou seja, 54,9% do arquivo. São dois números pequenos e um enorme: o ponto não é alarme sobre localização, é que apagar o metadado libera espaço do teto sem tirar um único pixel do seu rosto. Nas duas rotas descritas acima, exportar uma cópia nova já costuma deixar o bloco para trás.

Cartão de foto em que um bloco hachurado de metadado cobre pouco mais da metade da altura: 54,9% do peso em um arquivo da amostra do Lattes, não na média.

Se quiser conferir o seu próprio arquivo, o caminho é olhar a foto que a plataforma serve para o seu currículo público e ver o peso e a dimensão dela. A lição não é bisbilhotar ninguém: é que esse arquivo é público, e vale a pena saber o que ele carrega.

O Lattes não é o currículo em PDF, nem site de vaga, nem rede profissional

Muita gente resolve o Lattes reaproveitando o arquivo que já usa em outro lugar, e é aí que a foto fica estranha. São quatro destinos com quatro contratos diferentes, e o que muda entre eles não é gosto, é o contêiner.

O Currículo Lattes é um currículo público de pesquisa: proporção 3x4 vertical, teto de peso apertado e exibição pequena. O currículo em PDF que você anexa numa candidatura tem outra moldura e outra conta de impressão, e é o assunto do guia que mede o 3x4 impresso. As plataformas de vaga, como Gupy, Catho e InfoJobs, têm campo próprio, público próprio e regras próprias, descritas no mapa desses campos, plataforma por plataforma: o Lattes não é uma delas. E a rede profissional trabalha com recorte circular e arquivo grande, onde não existe teto apertado e por isso o conselho de lá é exportar em qualidade 85 a 95. Aqui o conselho é parar em 80. Não é contradição: é o teto de peso que muda a conta.

Vale dizer o óbvio uma vez, porque a busca está cheia de promessa em volta do tema: a foto do Lattes não pontua em nada. Nenhum barema de edital, bolsa ou avaliação de currículo que conhecemos dá ponto por foto, e não localizamos nenhum documento do CNPq que a inclua entre os itens avaliados. Ela serve para que uma pessoa que leu o seu artigo reconheça você num congresso. É por isso que o padrão do campo é sóbrio, e é por isso que a cartilha do IFPI escreve, em 2018, "Cuidado com a foto, o Currículo Lattes não é rede social!".

Se o seu destino também é papel, a conta de dpi impresso é outra e está onde o destino é papel e a régua muda. Nada do que este artigo diz sobre bytes se aplica lá: papel não tem teto de upload.

Quatro destinos, quatro contratos para a mesma cara
Destino
Quem decide o arquivo
Teto de peso e proporção
O que quebra se você usar o arquivo do Lattes ali
Currículo Lattes
Você, dentro do formulário da plataforma
JPG de até 70k pela ajuda oficial; 3x4 vertical, dica de 120x160 px
É a origem da comparação: o destino mais restrito dos quatro e o único com teto de peso publicado
Currículo em PDF
Você, dentro do seu documento
Sem teto próprio; 3:4 vertical, tipicamente 300x400 a 600x800 px
Um arquivo espremido para 70k pode aparecer com bloco visível quando a página é impressa ou ampliada
Plataforma de vaga (Gupy, Catho, InfoJobs)
A plataforma, que recorta e exibe do jeito dela
Varia por plataforma; o recorte costuma ser quadrado ou circular
O 3x4 vertical entra num contêiner quadrado e perde as laterais ou a testa, dependendo do recorte automático
Rede profissional
A rede, com máscara circular sobre a imagem
Arquivo grande é permitido; o padrão é 1:1
Um 3x4 vertical de 35 KB vira um círculo com o rosto pequeno e sem nitidez na exibição maior
Especificação do Lattes: ajuda oficial do CNPq (páginas de 2008 e 2009, consultadas em 06/08/2026). Os demais destinos remetem aos artigos linkados no parágrafo acima, cada um com a sua própria fonte.

Deu errado: sintoma, causa e correção

Quase todo problema com a foto do Lattes cai em uma de seis situações, e nenhuma delas se resolve arrastando o controle de qualidade para o fundo. A tabela abaixo é para consultar no momento em que o upload dá errado.

Antes disso, um detalhe operacional que decide metade dos casos: olhe o número exato de bytes, não o arredondamento. No macOS, selecione o arquivo e use Arquivo > Obter Informações; no Windows, clique com o botão direito e abra Propriedades. Nos dois, o painel mostra o valor exato em bytes ao lado do tamanho arredondado em KB, e é o valor em bytes que você compara com 70.000. Um arquivo exibido como 69 KB pode estar acima de 70.000 bytes, porque cada sistema arredonda a seu modo e a diferença some no visor.

Diagnóstico rápido do campo de foto
Sintoma
Causa provável
Correção
Como conferir que resolveu
O sistema recusou o arquivo
O arquivo passa do teto, ou não é JPG
Exporte em JPEG a 600x800 px e qualidade 80, sem metadado
O arquivo tem que ficar abaixo de 70.000 bytes nas propriedades do sistema
A pele ficou quadriculada
Qualidade baixa aplicada a uma dimensão grande demais
Volte ao original, reduza a dimensão primeiro e reexporte em qualidade 80
Amplie a bochecha em 200% na tela: não pode aparecer grade de quadradinhos
Ficou borrado depois de reduzir
Redução em etapas sucessivas, ou reexportação de um arquivo já comprimido
Refaça sempre a partir do arquivo original, numa única redução
Compare a linha dos cílios com a do arquivo original lado a lado
Cortou a minha cabeça
A foto não estava em 3:4 e o recorte veio de outro lugar
Recorte você mesmo em 3:4 vertical, com um dedo de ar acima da cabeça
A proporção declarada tem que ser exatamente 3 por 4 (600x800, 480x640, 354x472)
Ficou pesado mesmo em tamanho pequeno
Metadado embutido: aparelho, programa de edição, GPS
Exporte uma cópia nova sem metadado e sem perfil de cor
Nas nossas medições, um retrato 600x800 em qualidade 80 fica entre 35 e 60 KB; muito acima disso, sobrou metadado
Cabe, mas o rosto é uma bolinha
Enquadramento largo demais, com muito cenário no quadro
Recorte dos ombros para cima; menos cenário também alivia os bytes
A cabeça deve ocupar a maior parte da altura do quadro
Correções derivadas da medição própria de 06/08/2026 e do formato publicado pela ajuda oficial do CNPq.

Perguntas frequentes

01Qual o tamanho da foto do currículo Lattes?+
A ajuda oficial do CNPq recomenda 120x160 px na proporção 3X4 e limita o arquivo a um JPG de até 70k (página modificada em 31/08/2009, consultada em 06/08/2026). Essa dimensão é pequena demais para tela moderna. Na nossa medição, 600x800 px em qualidade 80 pesa 35.309 bytes com fundo liso e 59.303 com fundo de casa: as duas medianas cabem, e com fundo cheio de detalhe vale conferir os bytes antes de subir.
02Como reduzir a foto para 70k?+
Nesta ordem: simplifique ou recorte o fundo, reduza a dimensão até 600x800 px e só então baixe a qualidade, parando em 80. Descer a qualidade primeiro é o que quadricula a pele. Nas nossas medições, ir de qualidade 80 para 40 economiza 18 KB e piora o erro na região do rosto em 49%.
03Como colocar a foto em 70k pelo celular?+
Não localizamos, em 06/08/2026, página oficial da Apple ou do Google que documente um caminho nativo de reexportação com controle de qualidade JPEG. Existem aplicativos de terceiro que fazem isso, mas aí você está entregando o seu rosto a um serviço que não conhece. O caminho previsível é mandar o arquivo para o computador, exportar na Pré-Visualização ou redimensionar no Paint, e subir de lá.
04É obrigatório ter foto no Lattes?+
Os tutoriais institucionais divergem, e nós não resolvemos a divergência: a UFU (2020) e a UNESP de Araraquara (2016) escrevem que a foto é obrigatória, enquanto o tutorial da Unichristus (2025) descreve a foto de perfil como opcional, mas recomendada. A ajuda oficial do CNPq não declara obrigatoriedade em nenhuma das três páginas que lemos. Confira no seu próprio formulário. Na nossa amostra de 115 currículos públicos, 32 não tinham foto.
05Pode ser a mesma foto que eu uso na rede profissional?+
O enquadramento pode ser o mesmo; o arquivo, não. O Lattes pede 3x4 vertical com teto apertado, e a rede profissional trabalha com recorte circular e arquivo grande. Exporte duas versões a partir do mesmo original: uma quadrada e pesada para a rede, uma 3:4 abaixo de 70.000 bytes para o Lattes.
↘ Antes de espremer o arquivo

Comece de um retrato com fundo liso

O fotoslinkedin gera a foto a partir de 1 a 5 fotos suas, com estilo, expressão e roupa escolhidos no wizard. A primeira imagem é gratuita e sai em 1.024 x 1.024 px, pronta para você recortar em 3:4 e exportar.

Gerar a primeira imagem

Resumo e próximos passos

  • A ajuda oficial do CNPq publica a regra: JPG de até 70k, com a dica de 120x160 px na proporção 3X4. As páginas são de 2008 e 2009 e continuavam no ar em 06/08/2026.
  • O teto raramente é o inimigo. Na nossa medição, 600x800 px em qualidade 80 pesa 35.309 bytes com fundo liso e 59.303 com fundo de casa. Quem estoura o limite estava tentando subir um arquivo de celular sem redimensionar.
  • A ordem do sacrifício é fundo, dimensão e só então qualidade, com parada em 80. E exportar sem metadado libera bytes sem custar um pixel: em 8 dos 83 arquivos publicados que medimos, o metadado passava de 20.000 bytes.

O próximo passo depende de onde a sua foto está. Se ela ainda não existe, a decisão começa antes do arquivo, no prompt que define a foto antes de ela virar arquivo, que trata da moldura 3:4 e do que pedir para um destino documental. Se ela já existe e o que falta é o resto do documento, volte para o guia de foto para currículo em 2026, que é o pilar deste tema e cobre 3x4 impresso, leitura por sistemas de triagem e quando simplesmente não colocar foto.

PM
Autor · Fundador, fotoslinkedin.com.br

Pedro Mota

Pedro Mota é fundador da fotoslinkedin.com.br, ferramenta de IA que transforma uma selfie em foto profissional pronta pro Linkedin em 60 segundos. Antes, atuou com design e produto digital. Hoje vê centenas de fotos por semana e escreve sobre o que funciona pra carreira no Brasil em 2026.

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